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Cotidiano/Comportamento | 02/11/2019

As várias maneiras de encarar a morte

BÁRBARA CAMARGO - DA REDAÇÃO

Homenagear entes queridos que já não estejam mais entre nós é um hábito muito peculiar em vários países. As crenças e práticas acerca da morte, seja em civilizações antigas ou em sociedades atuais, estão relacionadas às heranças culturais que advêm, muitas vezes, da religião professada naquela nação. Hoje, 2 de novembro, no Brasil, é dia de relembrar aqueles que deixaram saudade, com flores, missas, velas ou com uma simples oração. Veja como a morte e o Dia de Finados são interpretados ao redor do mundo:

 

México

Talvez o México seja o país mais emblemático quando o assunto é a morte, afinal, para os mexicanos, o Día de los Muertos é comemorado com muita festa e alegria. Na história que se conta por lá, entre 1 e 2 de novembro, os mortos têm permissão divina para visitar parentes e amigos vivos. Para recebê-los, os mexicanos enfeitam as casas com flores, incensos, velas e preparam os pratos preferidos por quem já partiu. Máscaras e roupas que simbolizam caveiras também fazem parte das celebrações. A crença é baseada na ideia de que a morte é um ciclo infinito. Foto Reprodução Youtube

 

China

O luto na China possui rituais que mudam de acordo com a região do país, pois muitos chineses seguem tradições ou crenças diferentes, como o budismo e o cristianismo. De um modo geral, viver por mais de 80 anos é motivo de celebração. Também por isso os funerais costumam durar alguns dias e, neste período, os enlutados usam roupas conforme o relacionamento que tinham com quem morreu. Filhos vestem preto e caminham na frente da procissão rumo ao cemitério. A cor branca também pode simbolizar a morte naquele país. Há outra peculiaridade: os chineses enviam convites para avisar amigos e parentes sobre o velório. 

 

Islã

Para os muçulmanos, a morte representa a separação do corpo e da alma, uma passagem para a eternidade. Um dos deveres religiosos descritos pelo Islamismo é a oração do funeral, que deve ser feita de forma coletiva. Além disso, todos os muçulmanos são enterrados com simplicidade. É permitido colocar flores sobre a sepultura e, nos dias seguintes da morte, os familiares costumam ler o Alcorão em mesquitas ou em reuniões discretas.

 

Sociedades africanas

A morte, na maior parte dos países africanos, possui uma particularidade pouco vista no Ocidente. Como suas religiões e cultos são intimamente ligados à Natureza, a temática da morte está presente desde a infância. Assim, é aceita de forma natural, porque há integração com a Natureza. Eles entendem que este é o fechamento necessário para o ciclo da vida.

 

Países cristãos

Os países de maioria católica ou cristã, como o Brasil, acreditam que a morte é uma passagem para a vida eterna, onde cada pessoa é julgada por suas ações durante a vida. Se perdoada, alcançará o céu e ressuscitará para esta nova vida no Paraíso, assim como Jesus. Do contrário, o inferno lhe aguardará. Quem vive, homenageia seus mortos com flores, velas, orações. Essas manifestações de respeito e carinho são comuns e acontecem durante todo o Dia de Finados. No Brasil, a data é feriado nacional. 

 

Japão

Quinze de agosto é a data que equivale ao Dia dos Mortos no Japão e as diferenças entre o país e o Ocidente não param por aí.  Lá, as famílias costumam se reunir em suas cidades natais ou onde estão os túmulos de seus entes queridos. É costume limpar e adornar os jazigos, depositando flores e alimentos, como forma de agradar os espíritos de seus antepassados. Os japoneses também fazem lanternas de papel, colocadas nas sepulturas, para dar boas vindas aos espíritos dos que já morreram. Foto Reprodução Youtube

 

Espanha

O Dia de Todos os Santos, em 1 de novembro, é o motivo de os espanhóis voltarem para suas cidades natais e visitarem os cemitérios onde estão enterrados seus familiares. Flores são tradicionais, mas eles costumam oferecer também um doce aos finados, o “Hueso de Santos”, ou Osso dos Santos, feito de marzipã, ovos e uma calda de caramelo. 

 

Bolívia

Comemorado em 9 de novembro, Dia de los Ñatitas tem origens ancestrais. Nos antigos tempos, indígenas andinos partilhavam um dia com os ossos de seus familiares mortos, no terceiro ano após seu sepultamento. Hoje, os bolivianos usam apenas o crânio dos mortos para essa celebração. A família coroa a caveira com flores frescas, oferecendo cigarros e folhas de coca, álcool e vários itens em agradecimento à proteção durante o ano. Depois, as caveiras são levadas para o Cemitério Central de La Paz, para uma missa especial. Foto Reprodução Youtube

 

Guatemala

Pipas gigantes marcam o Dia dos Mortos na Guatemala. Os guatemaltecos acreditam que esta prática lhes ajuda na comunicação com quem já se foi. Eles também têm o hábito de visitar as sepulturas e comem fiambre, no único dia em que é preparada essa comida durante o ano. Foto iStock

 

Fotos iStock; Reprodução/Youtube; Aizar Raldes


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