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Colunistas/Fronteiras da Ciência | 02/11/2019

Quando o bate o arrependimento

Jadir Albino é apresentador do programa "Fronteiras da Ciência", exibido aos domingos, às 19h, na Santa Cecília TV, com reapresentação aos sábados, às 21h.

A menina pequena começou a perceber o jardim de sua casa.

 

Encantou-se com uma flor de cor vermelha chamada “bougainville”.

 

Ainda no colo, pediu ao pai para chegar mais perto. Desejava tocar com as mãos e sentir seu perfume.

 

Ao puxar um pequeno galho colorido, a maioria das pétalas se desprendeu acidentalmente. Estavam agora na palma da mão pequenina.

 

Havia deixado o ramo da planta escarlate quase sem vestes. A criança se assustou. O galho retornou velozmente para trás.

 

Olhou para o pai como que dizendo: -Não pretendia machucá-la...

 

Logo após fez um gesto inusitado. Esticou o bracinho, segurando na mão as pétalas soltas que ainda guardava e buscou novamente as flores que haviam permanecido no galho.

 

Ela queria devolver o que havia retirado da flor, agora semidesnuda.

 

O pai ficou sem ação. Seu primeiro impulso foi dizer que não era possível, no entanto, aceitou o desejo da filha e deixou que ela ajeitasse delicadamente as partes arrancadas junto às que ainda se mantinham no arbusto.

 

Enfim, a menina deu a situação por resolvida. O pai, porém, não. Ficou com as pétalas arrancadas no pensamento.

 

É possível devolver uma pétala para uma flor?

 

Os botânicos certamente dirão e provarão que não. Uma vez retiradas, não voltam mais.

 

Não há como colar, costurar ou provocar qualquer espécie de regeneração.

 

Assim como o tempo; assim como as palavras que proferimos; assim com os atos. Não há como desfazer o que foi feito, o que foi dito, o que passou.

 

Ferimos alguém profundamente e pedimos desculpas. Será que somos nós tentando devolver pétalas arrancadas?

 

Assim, voltemos à questão original: é possível devolver uma pétala para uma flor?

 

Tudo nos leva a aceitar o “não” como a resposta mais razoável, ou a única plausível. Resposta triste.

 

Porém, se a ingenuidade e pureza infantis acreditaram ser possível, quem sabe possamos acreditar tornar possível, mas de uma forma diferente.

 

E se decidíssemos cuidar daquela árvore de uma maneira especial, olhando-a todos os dias, assim como “O Pequeno Príncipe” um dia cuidou de sua rosa?

 

Estarmos atentos ao que ela precise e não deixar que lhe falte coisa alguma. Vamos nos ocupar do solo, mantendo-o fértil.

 

Conversarmos sempre, dizer o quanto está bela, acompanhar seu crescimento e lá estarmos, emocionados, quando finalmente, novas pétalas nascerem no lugar das faltantes.

 

Quem sabe será nossa forma de devolver...

 

E se não pudermos restituir exatamente aquela flor por alguma razão, poderíamos cumprir nossa missão da mesma forma, com outras. Entendendo que nossa dívida é com a natureza como um todo.

 

[com base em crônica de Andrey Cechelero, no livro de Allan Kardec e na Redação do Momento Espírita]

 

Assim, se o arrependimento bater nas portas da nossa consciência, acolhamo-lo com a tranquilidade de quem reconhece que se equivocou, mas que deseja, sinceramente, refazer a lição com acerto.

 

E, para evitar arrependimentos futuros convém que façamos, no momento presente, o melhor que estiver ao nosso alcance.

 

A consciência é o guia seguro para nortearpi nossas atitudes, uma vez que nela estão inscritas as leis divinas.

 

PAZ, SAÚDE E PROSPERIDADE

 

Foto Pixabay
 


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