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Colunistas/TV em Transe | 13/02/2020

Coreia do Sul: êxito planejado

Christian Moreno é jornalista e assina a coluna "TV em Transe" desde 1999.

A vitória do longa sul-coreano “Parasita” no Oscar 2020 é histórica. Primeira produção não falada em inglês a faturar o prêmio de Melhor Filme, a fita dirigida por Bong Joon-ho também levou as estatuetas de Direção, Roteiro Original e Filme Estrangeiro.

 

Há anos o cinema da Coreia do Sul tem feito sucesso mundo afora, sendo premiado nos maiores festivais. Faltava apenas a ”chancela” do Oscar. DE 2090 pra cá, dá pra citar produções elogiadas como Oldboy (2003), O Hospedeiro (2006), A Criada (2016) e Em Chamas (2018).

 

O sucesso de “Parasita”, portanto, não é obra do acaso. A partir da década de 90, após sair de um período ditatorial de 26 anos que impactou negativamente a cultura local, o poder público sul-coreano passou a investir pesado em cultura, especialmente música e cinema, como forma de gerar empregos, impulsionar a economia e mostrar o país ao mundo. E o êxito é retumbante.

 

Cinema – Foram criados no país um conselho cinematográfico e uma academia de cinema. Além do incentivo e financiamento público da produção, foram ebertas escolas e cursos da sétima arte. E após uma uma reforma educacional, cinema virou matéria escolar obrigatória nas escolas. 

 

Com o crescimento da indústria e percebendo que o negócio estava se tornando rentável, gigantes da iniciativa privada como Samsung e Hyundai passaram a investir no setor, apoiando filmes e festivais.

 

Música – Lembram do fenômeno “Gangnam style”, do cantor sul-coreano Psy, que explodiu no Ocidente em 2012? Assim como “Parasita”, não foi obra do acaso.

 

O chamado k-pop se tornou popular mundialmente, em especial as boy bands que arrastam milhões de adolescentes aos seus shows. Depois de sofrer com a censura na ditadura, a música do país virou produto de exportação – graças a uma política criada pelo governo, com incentivos e subsídios.

 

Hoje, o k-pop rende US$ 4,7 bilhões ao ano, liderado por empresas privadas. Em dez anos, o mercado fonográfico da Coreia do Sul passou do 30º ao 6º lugar no planeta, inclusive ultrapassando o Brasil (10º).

 

Orçamento – Em 2019, o governo sul-coreano destinou à cultura o equivalente a R$ 6,7 bilhões , contra R$ 1,9 bilhão do Brasil. UM trabalho que se refleta em outras áreas. O turismo no país, por exemplo, triplicou nos últimos 15 anos.

 

Enquanto isso, há governos por aí que vão na direção contrária, cortando investimentos e tratando a cultura como uma questão ideológica.


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