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Colunistas/Fronteiras da Ciência | 11/04/2020

O cálice

Jadir Albino é apresentador do programa "Fronteiras da Ciência", exibido aos domingos, às 19h, na Santa Cecília TV, com reapresentação aos sábados, às 21h.

Esse texto contempla a estória da vida de um homem pobre, mas muito feliz.


Em sua pobreza, tinha de precioso apenas um cálice que ele adorava.


Nele, ele bebia a água do riacho que passava próximo à sua casa e também o leite da manhã ou mesmo um vinho, quando o conseguia, em troca de algum trabalho.


Era pobre, mas feliz. Feliz com sua esposa, que o amava. Feliz em sua pequena casa, que o sol abraçava nos dias quentes, tornando-a muito aconchegante.


Feliz com a árvore nos fundos do terreno, onde escapava das ondas de calor do intenso verão.


Saía pelas manhãs em busca de algum trabalho que lhe garantisse o alimento, a ele e à esposa, a cada dia.
Assim transcorria a vida, em calma e felicidade. Nas tardes mornas, quando retornava ao lar, era sempre recebido com muita alegria.


Era um homem realmente feliz. Trazia o coração em paz, sem maiores voos de ambição.


Até que um dia, algo inusitado aconteceu. Uma lágrima, sem motivos, caiu de seus olhos, dentro do cálice.


De imediato, o homem ouviu um pequeno ruído, como de algo sólido, que bateu no fundo do recipiente.


Olhou e recolheu entre os dedos uma pérola. Sua lágrima se transformara em uma pérola.


Então, o homem pensou que poderia ficar muito rico se chorasse bastante.


Como não tinha motivos para chorar, ele começou a criá-los. Precisava se tornar uma pessoa triste, chorosa, para enriquecer.


Com o dinheiro da venda das pérolas pensava comprar lindas roupas para sua esposa, uma casa mais confortável, propriedades, um carro.


E assim foi. Ele começou a buscar motivos para ficar triste e para chorar muito.


Conseguiu muitas riquezas. Ele poderia tornar a ser feliz. No entanto, desejava mais.


As pequenas coisas que antes lhe ofertavam alegrias, agora, de nada valiam.


Que lhe importava o raio de sol para se aquecer no inverno? Com dinheiro, ele mandou colocar calefação interna em toda sua residência.


Por que aguardar os ventos generosos para arrefecer o calor nos dias de verão? Com dinheiro, ele pediu para ser instalado ar condicionado em toda a sua casa.


Adquiriu carros luxuosos e até mesmo um pequeno iate. Montou um escritório de alto padrão para gerenciar todos os seus negócios.


E a tristeza sempre precisava ser maior. Do tamanho da ambição que o dominava.


Nunca era o bastante. Os afagos da esposa, no final do dia e nos amanheceres de luz deixaram de ser imprescindíveis.


Ele não podia perder tempo. Precisava chorar. Precisava descobrir fórmulas de ficar mais triste e derramar mais lágrimas.


Finalmente, quando o homem se deu conta, estava sem esposa, sem amigos. Só com seu dinheiro e toda sua imensa fortuna.


Chorando agora, estava tão desolado, que nem mais se importava em despejar o dique das lágrimas no cálice.


A depressão tomara conta dele e nada mais tinha significado.


[com base em texto do livro “O caçador de Pipas” de Khaled Hosseini e da Redação do Momento Espírita]


A história parece um conto de fadas, mas nos leva a nos perguntarmos quantas vezes desprezamos os tesouros que já temos, indo à cata de riquezas efêmeras.


Pensemos nisso e não desperdicemos os valores verdadeiros de que dispomos. Nem pensemos em trocá-los por posses exageradas.


A tudo confiramos o devido valor, jamais perdendo nossa alegria.


O segredo, é sermos felizes com o que já conquistamos.


 PAZ, SAÚDE E PROSPERIDADE
 


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