Rádio Jornal da Orla/Digital Jazz

Ouça agora

Colunistas/Fronteiras da Ciência | 25/04/2020

Agradecimento

Jadir Albino é apresentador do programa "Fronteiras da Ciência", exibido aos domingos, às 19h, na Santa Cecília TV, com reapresentação aos sábados, às 21h.

O incêndio irrompera devastador. Em desespero, imaginando que sua família estaria dentro da casa, Daniel chegou correndo.


Gritava pelo nome da esposa e dos filhos, enquanto os bombeiros o impediam de mergulhar nas chamas.
Alguns instantes depois, descobriu que sua esposa e filhos não estavam na casa. Tinham saído para jantarem em pizzaria próxima.


Abraçaram-se todos. Agora, o desespero era ver a casa ser consumida tão rapidamente pelas chamas. Ele nem acabara de pagar o financiamento e tudo estava destruído.


Sentia-se impotente, desanimado. Seguiu com a família para a casa do seu pai, onde se acomodaram.
Um ar pesado pairava pelos aposentos. Sua irmã, seu irmão, o avô, a sobrinha vieram para confortá-los.


Chegou o momento do jantar. Daniel se dizia sem fome, mas o pai insistiu para que viesse à mesa e estivesse ao lado da sua família.


Ele se deixou ficar no quarto um tanto mais. Sentia como se lhe faltasse o chão. Que fazer, agora? Como começar tudo de novo, recompor todas as perdas?


Como ninguém ousasse iniciar a refeição sem a sua presença, ele resolveu assentar-se com eles.


Então, pediram-lhe que ele conduzisse os pensamentos na habitual prece de agradecimento, antes de iniciarem a refeição.


-Hoje, não. - Foi a resposta dele. -Não creio que eu tenha alguma coisa para agradecer. Nem temos mais um lar.


A esposa, tomando-lhe a mão e a apertando forte, lhe disse:
-Perdemos a casa, o lar ainda o temos porque o lar somos nós.


E o pai, sábio, ponderou:
-Filho, agradeçamos por estarmos todos juntos. Agradeçamos por ninguém se ter ferido. Agradeçamos pela família que somos.


Entre lágrimas, Daniel iniciou a prece de gratidão. E, como soluços sentidos lhe impedissem a fala, a esposa continuou, os filhos se uniram e, por fim, juntos oraram em voz alta.


[com base em episódio da série Blue Bloods e na Redação do Momento Espírita]


Possivelmente, em determinados dias, as dificuldades são tantas que o desânimo nos abraça.


O acúmulo das dores é tão grande que nos parece uma montanha intransponível.

 


Nosso desejo é que o mundo parasse, porque nos sentimos como alguém que perdeu todas as batalhas e nada mais tem a fazer.


Nessas horas, talvez nos indaguemos se temos algo a agradecer. Talvez, até, não nos sintamos motivados à oração.


Olhemos ao redor e verifiquemos: temos família? Agradeçamos pela sua existência.


Temos amigos, um somente que seja? Agradeçamos por ele.


Temos um emprego, um salário, uma ocupação? Agradeçamos por isso.


Temos um lugar para repousar a cabeça? Agradeçamos, não importando seja pequeno, velho, necessitando reformas, pintura, reboco.


E, se por acaso, não tivermos afetos, nem amigos, nada mais, agradeçamos a vida que pulsa em nós. Agradeçamos a lucidez de nossa mente, a capacidade de pensar.


E busquemos apoio. Sempre haverá, em algum lugar, uma nova chance, um amigo que possamos fazer, alguém que nos possa auxiliar.


Pode parecer difícil. Mas não é impossível. Verifiquemos quantos padeceram perdas terríveis e conseguiram se reerguer.


Isso porque, os filhos do Grande Arquiteto do Universo, nunca estarão desamparados. 


PAZ, SAÚDE E PROSPERIDADE
 


Leia também

Colunistas | 23/05/2020
Colunistas | 16/05/2020
Colunistas | 02/05/2020