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Especiais/Datas Comemorativas | 25/01/2013

Santos pela lente de um Iphone

Mirian Ribeiro

Darrell Champlin utiliza técnica e sensibilidade para fazer belos cliques da cidade de Santos

Darrell Champlin é antropólogo, professor universitário, tradutor profissional e apaixonado por fotografia. Ficou conhecido nas redes sociais pelas imagens inusitadas e curiosas de Santos que consegue captar pela lente de seu Iphone. Também utiliza uma Nikon D5100, câmara profissional que, por motivos de segurança, está meio aposentada das ruas.

São fotos da natureza, de detalhes de prédios e do cotidiano da cidade por ângulos diferentes e com efeitos surpreendentes, que mais parecem cenas pinceladas em uma tela. Em dezembro passado, uma foto mostrando nuvens negras e bastante carregadas, como se uma forte tempestade se aproximasse de Santos, ganhou destaque em sites de notícias do país.



Para produzir esse tipo de imagem, Darrell utiliza uma técnica denominada High DynamicResolution (HDR), que consiste em tirar três fotos e depois mesclá-las em uma. Segundo o professor, uma imagem enfatiza o claro, outra focaliza o escuro e a terceira faz a média entre elas.

Americano formado pela Universidade de Utah, com especialização em economia, Darrell está no Brasil desde 1988 e fala português sem nenhum sotaque. O país já lhe era familiar, pois, antes de fixar residência, viveu alguns períodos aqui devido ao trabalho do pai, professor da Unesp. Em Santos está há 22 anos. Versátil, ele também é autor de dois livros, um deles "Portal dos Sonhos - A Fantástica Viagem da Mente Além do Limiar do Sono", em que investiga como o ato de sonhar foi visto pela humanidade no decorrer da história.

Com tantas atividades profissionais, é através da fotografia que revela a grande sensibilidade do olhar. Para ele, fotografar é, antes de mais nada, olhar e ver detalhes que outros não enxergam. "Não é um dom, é percepção", diz. Mas só isso não basta, é preciso aprender as técnicas. "Costumo dizer que em primeiro lugar é o olhar; depois, ter o equipamento adequado para capturar as imagens e conhecimento do uso das técnicas". No final de 2012, Darrell gastou horas em cima de um telhado, estudando as técnicas que iria usar para fotografar a queima de fogos da virada do ano.

Em Santos, seus cenários preferidos são o Centro Histórico - o que mais lhe encanta são os prédios deteriorados, com plantas crescendo nas paredes e telhados - , o movimento dos navios na Ponta da Praia e o Porto, com seus armazéns, caminhões, guindastes, vagões de trem.

"Qualquer lugar do mundo oferece cenário para fotografia", garante Darrell, que antes do advento das máquinas digitais chegou a ter um laboratório fotográfico em casa, apenas como hobby. "Na época era uma atividade extremamente cara e eu tive que deixar de lado". Até que apareceram as digitais e toda a sequência de inventos geniais da era da informática.  "São equipamentos que oferecem muitos desafios e, ao mesmo tempo, geram resultados excelentes", reconhece.

Darrell calcula que seu acervo reúna mais de 5 mil fotos, 3 mil delas tiradas pelo Iphone. "Ao longo dos anos, aprendi que a boa fotografia requer, muito além de bom equipamento, oportunidades e, como a própria Antropologia, uma visão única do espaço que nos cerca".

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