Como o próprio ditado popular sugere, "Negócio da China" é uma oportunidade imperdível. E, como todos os ditos populares, esse tem lá as suas cotas de verdade e DE sabedoria. É que a China, a cada ano que passa, reforça ainda mais a imagem de um país em amplo desenvolvimento econômico, com prósperos índices de crescimento - aliás, os maiores do mundo. Desta forma, o país oriental coloca o seu principal dialeto, o mandarim, entre os mais importantes e o mais falado no planeta.
Foi a partir de 1976, com o fim da Revolução Cultural chinesa, que o terceiro maior país do mundo iniciou uma nova era de desenvolvimento. E, hoje, o mercado chinês mostra um mundo de oportunidades e negócios.
A China está se tornando a fábrica do planeta. Se antes industrializava produtos baratos - conhecidos aqui como as quinquilharias "do R$ 1,99" -, agora está produzindo, também, aparelhos de alta tecnologia. Mas, para isso, matérias-primas são necessárias, e os recursos naturais da China estão se tornando escassos. É aí que entra o Brasil no jogo, exportando minério de ferro e alimentos, como a soja.
Com esta ligação comercial entre os países, nos últimos cinco anos, começaram a surgir em São Paulo diversas escolas que ensinam o mandarim, uma tendência que aconteceu em todo o mundo. Porém, aprender a língua, falada por cerca de 900 milhões pessoas apenas na China, não é tão simples quanto falar inglês, espanhol, francês, alemão ou mesmo japonês. Ao contrário destes idiomas, o mandarim não é silábico, e sim tonal, ou seja, o pleno entendimento depende do tom com que se pronuncia a palavra. Assim, qualquer falha na entonação pode comprometer ou modificar uma frase inteira.

Para se ter uma idéia da tamanha complexidade e sofisticação do idioma, a palavra "mai" pode significar tanto o verbo comprar quanto vender. O que diferencia um significado do outro é apenas a tonalidade em que a palavra é dita. "Aprender a falar chinês é como apreender tocar um violino. Para tirar uma nota completamente afinada do instrumento, é necessário ter o ouvido e os dedos educados.
O mandarim é do mesmo jeito: é preciso ter o ouvido e a língua bem treinados para conversar em chinês", compara o professor de mandarim Tsai Shien Jong, que leciona o idioma há 15 anos.
Mas dominar todos os sons está longe de ser único desafio do mandarim. A parte escrita do principal dialeto chinês é outra dificuldade, pois a língua é lida e escrita em ideogramas, escrita por símbolos. "Para ser um bom violinista e tocar de tudo, é preciso saber ler partitura, que, no estudo do chinês, corresponde aos ideogramas. Não adianta nada uma pessoa falar e não saber escrever. Ela se torna um analfabeto e, nesta condição, acaba por não saber nem mesmo falar direito. Por isso, o treino escrito e oral, por parte do aluno, é importante e essencial", explica Shien Jong.
Na prática, metodologias mostram a diferença

Atualmente existem basicamente duas metodologias para se aprender o mandarim: o Pin Yin e o Zhu Yin. Elas são bastante diferentes entre si. Enquanto o Zhu Yin aprende-se por símbolos fonéticos totalmente estranhos a nós, ocidentais; no Pin Yin utiliza-se na escrita as vogais e consoantes do abecedário.
Aparentemente este método parece ser mais fácil e prático do que o Zhu Yin. Aparentemente. O professor Shien Jong conta que o Pin Yin não é tão eficaz, além de o considerar inapropriado. "O grande problema deste método é que o alfabeto brasileiro não reproduz os sons tonais do mandarim. O som da letra B, por exemplo, não existe na língua chinesa. Então, como que um sistema deste pode dar certo? Simplesmente, não dá", ressalta Shien Jong. "Muitas pessoas que aprenderam pelo método Pin Yin disseram-me que, após um bom tempo de aula, foram à China e não conseguiram pedir nem mesmo um copo d'água! Ninguém entendia o que eles queriam dizer, pois a entonação das palavras estava, obviamente, errada", completa o professor.
Postura em negócios da China

Não é novidade que as relações entre Brasil e China têm se intensificado nos últimos anos e que muitas empresas brasileiras estão buscando novas parcerias com o país oriental. No entanto, para criar e estabelecer uma boa imagem perante os chineses, apenas falar mandarim não é o suficiente.
"Conhecer ou ao menos ter a curiosidade de aprender um pouco mais da cultura oriental com certeza trará pontos positivos às negociações", é o que garante o empresário Oziel de Araújo Costa, que há quase 15 anos atua no mercado de importação e exportação com a China e possui escritórios no Brasil e em Xangai.
Ele explica que os chineses possuem costumes e tradições muito diferentes às dos ocidentais. "Após as 18 horas, eles param de trabalhar e, uma hora depois, às 19h, acontecem os jantares de negócios na China. Muito diferente de lá, aqui no Brasil os jantares começam lá pelas 22h. Por isso, se for receber um chinês em um jantar, sirva a refeição mais cedo".
O cumprimento oriental também é diferente. A reverência é feita com uma leve inclinação de cabeça. "Na China, nada de ser efusivo e sair dando beijinhos nas chinesas. Elas, certamente, fugirão. Os orientais não são antipáticos, mas também não sorriem à toa. São muito reservados", lembra o empresário, pós-graduado em comércio exterior.
A comida também é muito diferente da nossa. Mesmo que o aspecto da refeição não seja o melhor, é indelicado fazer caretas ao olhar o prato. A dica do empresário é comer de tudo um pouco, ou pelo menos experimentar. Eles ficarão felizes. "Elogio é bom, mas nunca elogie uma única pessoa, mas sim o grupo como um todo", conta.
Curso
O professor Shien Jong leciona mandarim na Universidade Católica de Santos, UniSantos. No dia 5 de março, iniciará uma nova turma. As aulas serão nas quartas-feiras, das 19h às 20h30, ou aos sábados, a partir do dia 8 de março, das 10h às 11h30. No curso, o aluno aprende a falar, escrever e a gramática mandarim. Também, são lecionadas as duas versões da língua (tradicional e simplificada). Durante as aulas são comentadas as tradições e os costumes chineses, o que ajudará os alunos a conhecer melhor a cultura do local. Tel.: 3226-0502 ou no site. As aulas acontecem no Campus Vila Mathias, que fica na rua Dr. Carvalho de Mendonça, 144.
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