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Santos, 30 de Julho de 2010
01/06/2008
Porto-Cidade
Porto e sustentabilidade ambiental
Texto: Vitor de Andrade Silva / Foto: Juliana Barros
 

























Nas vésperas do Dia Mundial do Meio Ambiente, o tema foi debatido no dia 29, na Casa da Frontaria Azulejada, no terceiro talk show “200 Anos dos Portos - Um Diálogo Aprofundado”, organizado pela revista Santos Modal, com apoio do Jornal da Orla. Em tom de conversa informal, mediada pelo jornalista Maurici de Oliveira, especialistas abordaram desde a dragagem de aprofundamento do canal portuário, até a alteração do ecossistema marinho causada pelas águas de lastro, um dos assuntos mais desenvolvidos da noite.

”A águas captadas para controlar a flutuação dos navios trazem consigo organismos e até animais de diversas regiões do globo, como é o caso do mexilhão dourado (de origem chinesa) que infestou os reservatórios das hidrelétricas de Itaipu. O ecossistema marinho de Santosa já foi afetado também”, diz o líder do grupo de Pesquisa em Gestão Ambiental na Costa, Portos e Sustentabilidade, Ícaro da Cunha.

“O ideal seria trocar a água de lastro em alto-mar, pois o nível de salinidade é maior. As espécies que vêm do alto-mar dificilmente se adaptam às costas e vice-versa”, diz Ingrid Furlan, que é, também, especialista em Ciências Ambientais.

Porém, as pragas que vêm de todos os cantos do mundo e “desembarcam” no porto de Santos estão longe de penetrar apenas no ecossistema marinho da região. O Museu de Pesca ficou desativado, também, devido a uma infestação de cupins super-resistentes, aquase que indestrutíveis. Tratava-se de uma espécie africana. Já o Chapéu de Sol, que enfeita o principal cartão postal da cidade, é uma árvore de origem asiática.

A necessidade de planejamento de longo prazo foi unanimidade: “A grande barreira que temos, hoje, na questão ambiental é um problema cultural: procuramos resolver apenas os problemas emergenciais, para daqui a 10 anos. Aí, qualquer atuação que gere atrasos, feita pelo meio ambiente, é visto como uma barganha. Temos que começar a pensar como outros países, que fazem planejamentos a longo prazo, levando em conta a questão ambiental, sempre”, ressalta Ingrid Maria Furlan Öberg, chefe do Escritório Regional do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis).

“Outro problema é que a questão ambiental só é levantada quando há interesses econômicos no meio. Um bom exemplo são as dragagens de manutenção do canal portuário. Este vício é prejudicial ao crescimento do porto, pois se não houver cuidado com o meio ambiente não há desenvolvimento. O mundo inteiro está de olho”, completa.

Mas, apesar de ainda estar engatinhando na questão, o porto tem evoluído muito e segue a trilha certa, mais sustentável - é o que acredita a superintendente de qualidade, meio ambiente e normatização da Codesp (Companhia Docas do Estado de São Paulo), Alexandra Sofia Grota.

“Agora o que precisamos é de concursos públicos, mais profissionais; de uma equipe que cresça paralelamente com a discussão ambiental”, salienta Sofia Grota, que é formada em Gestão Ambiental e Planejamento Urbano e cursou a Universidade de Paris, na França.

Outro ponto da conversa bastante polêmico e pertinente, lançado por Maurici de Oliveira pouco antes das considerações finais, foi a concretização do Porto de Peruíbe. Em geral, os participantes da mesa acreditam que, antes de implantá-lo, deve-se analisar a vocação da região e não os interesses de um empresário. Além dos empregos gerados, deve ser analisado se a infra-estrutura da cidade comporta um grande aumento populacional.

O secretário de Meio Ambiente de Santos, o engenheiro Flávio Rodrigues Correa, foi incisivo e disse que o Porto de Peruíbe é “inoportuno”, ainda mais havendo um projeto para Barnabé Bagres: uma discussão que não pára por aqui.

Além de Alexandra Sofia, Flávio Correa, Ícaro da Cunha, Ingrid Furlan, dentre os convidados estavam o diretor de obras da Enterpa Engenharia, Arnaldo Yazbek Jr., e o gerente da Cetesb em Santos, Paulo Sérgio Fonseca.

O projeto “200 Anos dos Portos - Um diálogo aprofundado” tem patrocínio da UniSantos, apoio do Jornal da Orla, AGEM (Agência Metropolitana da Baixada Santista), Associação Comercial de Santos, Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados (ABTRA), Fundação Arquivo e Memória, secretarias de Cultura e de Assuntos Portuários da Prefeitura de Santos, Imagens Aereas, Codesp e Secretaria Especial dos Portos.
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