Mais de mil grous (ave migratória originária de regiões da Europa e da Ásia) migrarão do Brasil para o Japão. As delicadas e esbeltas aves não pousarão no solo de Hiroshima em busca de melhores condições ambientais. A longa jornada tem a proposta de trazer um importante alimento, não para a ave, mas para a alma humana: a paz.
Os pássaros são feitos de papel, minuciosamente dobrado, e carregados de energias positivas. Conhecidos como tsurus, e confeccionados com uma técnica milenar, o origami, eles representam paz, sorte e longevidade.
A responsável pelas centenas de aves de papel é a designer gráfica santista Márcia Okida. “Tsurus pela Paz é uma corrente de paz e amor. A idéia é fazer com que os participantes reservem alguns minutos do seu tempo para mentalizar pensamentos positivos enquanto dão forma ao origami. A cada dobradura, muito amor e boas energias devem ser emanados”, explica a designer que é, também, professora dos cursos de Produção Multimídia e de Jornalismo, da Universidade Santa Cecília (Unisanta).

Os tsurus serão enviados ao Memorial da Paz, em Hiroshima, no dia 6 de agosto. Para Márcia Okida, a campanha é ainda uma forma de homenagear o centenário da imigração japonesa e seu avô, Yuchi Okida, que nasceu em Hiroshima e veio ao Brasil a bordo do navio Kanagawa Maru, em 1912.
A designer não resolveu unir reunir mil tsurus por acaso. Ela se inspirou na emocionante história de uma garotinha chamada Sadako Sasaki, vítima da devastadora bomba lançada em Hiroshima. A menina não morreu com a explosão, mas, devido à radioatividade da bomba, contraiu leucemia. Tudo o que ela queria era recuperar a saúde.
Por acreditar que poderia ter seu desejo atendido, se dobrasse com fé mil tsurus, ela começou a fazê-los. Mas, quando percebeu que a cura era descartada e que estava próxima da morte, Sadako mudou seu dejejo e passou a ansiar pela paz mundial, escrevendo a palavra paz nas asas dos origamis, para que eles voassem por todo mundo semeando o estado de espírito.

“Sadako não resistiu e faleceu, aos 12 anos, enquanto dobrava um tsuru, sem completar o conjunto de mil aves. Nossos tsurus irão para junto dela, no monumento construído em sua memória, onde, aos pés da sua estátua, há a seguinte frase: “Este é o nosso grito. É a nossa oração. Paz no mundo”, conta Márcia Okida, salientando que, embora a dobradura da ave seja considerada complexa, qualquer pessoa, com boa vontade, consegue fazê-la.
Para participar da campanha, que já conta com 906 tsurus e 102 participantes de vários cantos do Brasil, acesse www.miltsuruspelapaz.wordpress.com.
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