"O Jabaquara jamais há de morrer. Por tuas glórias, com emoção. Hoje brindamos, com amor, esta canção!". A letra do hino do Jabaquara Atlético Clube expressa o atual momento do time, que completa 95 anos de fundação neste domingo, dia 15, e luta para voltar à elite do futebol paulista. O Leão da Caneleira está na quinta divisão do campeonato paulista e há muito tempo deixou de revelar jogadores de renome para o futebol.
Para mudar essa realidade, a atual diretoria vem promovendo uma série de parcerias, sendo que a mais importante delas foi o acordo assinado com o maior jogador de futebol de todos os tempos, Édson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé. Essa parceria prevê a cessão de áreas do Campus Pelé e a construção de um centro de treinamento nas dependências do Jabuca, além da manutenção da equipe de futebol e comissão técnica.
Se a situação está difícil nos gramados, fora dele não falta apoio. Nessa semana, o Jabaquara recebeu uma homenagem na Câmara Municipal, em uma sessão solene realizada para prestigiar a memória do clube.
O Jabaquara surgiu em uma época em que os imigrantes fundaram clubes de futebol por todo o país. Nessa seara, os portugueses lançaram a Portuguesa de Desportos e os italianos criaram o Palestra Itália. Em Santos, os espanhóis resolveram repetir a façanha e fundaram o clube Hespanha (que deu origem ao Jabaquara) no dia 15 de novembro de 1914. A primeira camisa do time reunia as cores vermelho e amarelo, marcas tradicionais da bandeira espanhola.
O clube esperou dois anos para realizar uma partida oficial, mas em pouco tempo ganhou destaque no cenário nacional e participou da fundação da Federação Paulista de Futebol. Em 1917, o time entrou para a Liga Santista de Futebol. Mas o time levantou um troféu pela primeira vez no ano seguinte, quando conquistou a Taça Grande Café D'Oeste, feito que seria repetido em 1919 e 1920. O futebol empolgava nos gramados e a torcida crescia nas arquibancadas. Em pouco tempo, o time foi desenvolvendo o DNA dos santistas e caiu no gosto do público.
De Santos para o mundo. Por volta dos anos 30, o time aterrissou em territórios estrangeiros para disputar competições internacionais. O destaque do torneio foi a vitória sobre a seleção de Buenos Aires por 3 a 2.
No final da década de 30, o clube passou por um período turbulento com o jejum das vitórias e o crescimento das dívidas. Os credores pressionaram a diretoria para a venda do patrimônio para saldar o rombo no balanço financeiro.
Durante a Segunda Guerra Mundial o time recebeu outra notícia desagradável. Dessa vez, o governo brasileiro proibiu a utilização de nomes de países em clubes esportivos. Com isso, os dirigentes escolheram o nome Jabaquara AC, em homenagem ao bairro em que nasceu. Apesar disso, o Jabaquara revelou muitos jogadores de destaque nessa época, sob o comando do técnico Arnaldo de Oliveira, Papa. O goleiro Gilmar foi para o Corinthians e depois para a Seleção Brasileira; Osvaldo da Silva, conhecido como Baltasar; Marcos, Feijó, Getúlio, Ramiro e Álvaro (para o Santos); Célio (para o Vasco da Gama,); e Melão, (para o SPAL na Itália).
Em 1963 o time adquire um terreno no Bairro da Caneleira, onde inaugura o estádio Espanha, que abriga os jogos do Jabuca até os dias atuais. Em 1993, o Leão da Caneleira conquistou o título de Campeão Paulista da Série A3 e, em 2002, o time faturou o Campeonato Paulista da Série B3 (segunda divisão).
|