O ato de respirar é tão natural que nem o percebemos e só damos conta de sua real importância quando algo compromete esse movimento involuntário, incessante e vital para qualquer ser vivo. Uma das causas mais limitantes é a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), uma associação de bronquite crônica e enfisema pulmonar, geralmente adquirida após vários anos de tabagismo ou exposição a agentes poluentes.
Estima-se que 5 milhões de brasileiros sofram de DPOC, que causa cerca de 30 mil mortes por ano no país. Trata-se de uma doença crônica, de caráter progressivo, porém sua evolução pode ser controlada com programa de reabilitação pulmonar, através de orientações e exercícios com o intuito de diminuir os sintomas da doença, a incapacidade e as limitações, tornando o dia a dia do paciente mais fácil.
"Pesquisas científicas demonstraram que o coração, os vasos sanguíneos e os músculos das pernas e braços, quando submetidos a um programa de exercício específico, podem reverter os efeitos sistêmicos da doença, diminuindo a falta de ar, que é o principal sintoma, e melhorando a força e a resistência dos músculos para realizar atividade da vida cotidiana. Há uma melhora na qualidade de vida e do humor", explica o fisioterapeuta Vinicius Iamonti, especialista em reabilitação pulmonar.
Iamonti aplica um tratamento específico para DPOC no Centro de Reabilitação Pulmonar da Universidade Federal de São Paulo/Lar Escola São Francisco, em São Paulo, e na clínica dos pneumologistas Virgilio Aguiar e Rui Coelho, em Santos. Ele também presta atendimento domiciliar. O grupo de pesquisa do fisioterapeuta na Unifesp já publicou dois artigos científicos em revistas internacionais e foi premiado no Congresso Mundial de Doenças Pulmonares, realizado em maio último em New Orleans, Estados Unidos.
Primeiros sintomas
A DPOC é caracterizada pela presença de tosse, catarro diário e falta de ar. A princípio a falta de ar é sentida somente em grandes esforços, como subir ladeira, andar muito depressa ou subir escada rapidamente. A dificuldade aumenta à medida que a doença progride, aparecendo, em uma fase adiantada, ao se fazer pequenos esforços, como andar curta distância ou, às vezes, até para comer, lavar os cabelos e vestir roupa.
Fatores de risco
O fisioterapeuta esclarece que o principal fator de risco é o tabagismo (80% dos pacientes com DPOC foram fumantes um dia), mas também pode ser ocasionada por fator genético, no caso a deficiência de uma proteína (alfa 1 antitripsina) que protege o pulmão.
Outra causa é a exposição a poluentes ambientais como inalação de fumaça em local de trabalho, fábricas de vapores químicos e inalação de poeira por longos anos. Pessoas que trabalharam por muitos anos em contato com esses irritantes pulmonares têm risco para desenvolver DPOC.
Diagnóstico
Segundo o fisioterapeuta Vinicius Iamonti, para que o diagnóstico de DPOC seja reconhecido é necessário que o paciente tenha um exame de função pulmonar (espirometria) alterado, caracterizando dificuldade de expirar rapidamente. "A associação dos sintomas respiratórios (tosse, catarro e falta de ar) com a espirometria alterada do tipo obstrutivo são imprescindíveis para o diagnóstico da DPOC".
Mas o contrário pode existir, diz Iamonti. "A pessoa pode ter bronquite crônica, com tosse diária, por ser fumante, e não ter diminuição da capacidade de expirar rapidamente. O mesmo para enfisema pulmonar; já que não é incomum que pessoas aparentemente sãs tenham alguma lesão enfisematosa no pulmão, mas que não acarreta nenhuma dificuldade respiratória, por ser de pouca intensidade. Nestes dois casos, como não há limitação ventilatória, o paciente não é diagnosticado como DPOC".
Programa de reabilitação pulmonar
O recondicionamento físico é o ponto principal dos programas de reabilitação pulmonar e tem como base os exercícios que melhoram a resistência e a força da musculatura, informa o fisioterapeuta. "Os pacientes devem exercitar-se numa intensidade que não cause nenhum evento de falta de ar muito intensa. O tempo de duração dos exercícios é gradualmente avançado, assim como os ajustes fisiológicos devido ao treinamento", diz.
A frequência dos exercícios depende do condicionamento físico inicial, mas o recomendado é de 3 a 5 vezes por semana. Entre os exercício, erguer os braços, caminhar, subir degraus e até o uso de bicicletas estacionárias ou esteiras ergométricas.
"A carga de exercício pode ser ajustada ou controlada por meio de escalas de sintomas, como a de dispneia, de modo que fiquem ancoradas próximas ao paciente para se estabilizar a carga a ser usada durante o treinamento. A escala de BORG, com o escore de 4 a 6 pontos para dispneia ou fadiga é freqüentemente o limite razoável para o treinamento de exercício aeróbico", explica o profissional.
Vinicius Iamonti enfatiza que qualquer profissional da área da saúde que seja membro da equipe de reabilitação domiciliar pode ajudar a reforçar a continuidade dos exercícios, motivando os pacientes a não interromper o treinamento.
Serviço:
Vinicius Iamonti
Avenida Pinheiro Machado,430. Telefones: 3239-7969 e 3225-4900.
E-mail: fisioiamonti@hotmail.com
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