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    CAPA Segunda leitura
    O semanário do litoral
      11/11/2007
      Você sabe o que é publieditorial?
      Ouhydes Fonseca
     

      O que é, o que é: tem cara de jornal, mas não é jornal; é desenhado como um jornal, mas não é jornal; tem textos que parecem reportagens, mas não é jornal; tem aspecto gráfico de jornal, mas não é jornal? Para os leitores comuns e, portanto, a maioria, essas perguntas são difíceis de responder. Não é para menos, pois são coisas feitas exatamente para que os consumidores achem que estão lendo um jornal. Mas tenho certeza de que você, que está me lendo, ao final da coluna, passará a identificar nos jornais e revistas aquilo de que estou falando e que, numa definição bem sintética, podemos chamar de "Informe Publicitário". Trata-se de um tipo de publicação encartada em jornais e revistas como se fosse mais um caderno jornalístico, mas não é, embora em sua totalidade ostente em algum lugar um aviso (sempre em letras bem pequenas) sobre o seu propósito publicitário.

      Aí, você perguntaria: mas isso não é uma tentativa de enganar o leitor? Claro que é. Afinal, para os leitores sempre foi muito fácil separar um material de conteúdo jornalístico de um outro que procura vender algum produto ou convencer as pessoas a tomar esta ou aquela decisão como consumidor. No Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, realizado entre agosto de setembro deste ano aqui em Santos, a figura do "Informe Publicitário" foi tema de debates num dos Núcleos de Pesquisa em Jornalismo, com base em pesquisa da professora Alessandra de Falco Brasileiro, da Universidade Metodista. O título de seu trabalho não deixa dúvidas quanto à condenação que faz do anúncio travestido de notícia e ainda cria um neologismo: "Publieditorial: o 'mascaramento' da informação".

      Até os anos 60 do século passado, publicidade e informação jornalística ocupavam espaços bem definidos na mídia impressa, não deixando dúvidas quanto à função de cada uma delas. Havia, mesmo, um princípio, seguido à risca pelos diagramadores ( desenhistas das páginas), de que no alto da página entrariam as notícias, artigos, comentários e reportagens, reservando-se a parte inferior aos anúncios pagos. Com o tempo, essa hierarquia foi se desfazendo, a tal ponto que hoje, em determinados textos, o leitor, sem perceber, é levado a "ler" um box (quadro) comercial para seguir na leitura da informação de valor informativo. Mais: tornou-se comum um anunciante conseguir (a peso de ouro, diga-se) colocar uma espécie de sobrecapa da primeira página do jornal ou revista, quase que empurrando olhos a dentro do leitor uma mensagem comercial.

      O mais avançado nessa busca da atenção do leitor a qualquer preço e com a conivência dos donos da mídia é esse tal " Informe Publicitário" em que se permite que o anunciante se utilize dos próprios recursos técnicos e gráficos da publicação para divulgar sua mensagem comercial. De tal forma que, como disse ao início, as pessoas ficam sem saber se estão lendo uma reportagem de interesse dos cidadãos ou mensagens comerciais. Mas isso não é tudo. Uma nova modalidade de engana-leitor é misturar matérias jornalísticas ( mas muitas vezes a partir de pauta sugerida pelos patrocinadores ) com material institucional de patrocinadores num caderno que não traz a advertência de "Informe Publicitário" e dá a entender que se trata de uma editoria ( setor que cobre uma determinada área de interesse, como "Economia") publicando material de interesse específico. Essa nova arma dos anunciantes é a mais perigosa porque tange a linha limitativa da ética, que manda deixar bem claro o que é notícia e o que é matéria paga. Mas, como tudo pode acontecer e a imaginação humana parece não ter limites, nada impede que algo pior ainda venha por aí.