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Cotidiano/Saúde | 19/12/2014

Ai, minha coluna!

O ortopedista especialista em coluna acredita que mudar hábitos simples pode ser a solução para resolver alguns problemas muito comuns

A Pesquisa Nacional de Saúde 2013, divulgada no dia 10 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), revelou que 18,5% dos brasileiros sofrem de problemas crônicos na coluna, algo em torno de 27 milhões de pessoas. A incidência é maior nas mulheres (21,1%) em relação aos homens (15,5%). O levantamento mostrou o problema de coluna dividido por faixa etária: 8,7% das pessoas de 18 a 29 anos, 19,9% das pessoas de 30 a 59 anos, 26,6% das pessoas de 60 a 64 anos e 28,5% das pessoas com 75 anos ou mais de idade.
 
Até crianças têm apresentado queixas. O fisioterapeuta Flávio Nishimura Asada, da Clínica Asada, tem entre seus pacientes um menino de 10 anos e outros adolescentes. "Estima-se que até 90% da população mundial tem ou terá algum problema de coluna a partir dos 40 anos de idade, mas tenho notado que também tem afetado muitos jovens, até crianças", diz Flávio, que aplica técnicas de tratamento ocidentais e orientais.
 
O ortopedista Rogério Vidal de Lima, especialista em coluna pelo Hospital das Clínicas, acredita que mudar hábitos simples pode ser a solução para resolver alguns problemas. "A primeira medida para evitar um problema de coluna é corrigir a postura diante de atividades básicas diárias. É necessário ainda que a pessoa pratique exercícios regularmente e se mantenha no peso ideal", orienta. Alongar-se durante o dia também é uma forma de evitar as dores, explica o ortopedista.
 
Estrutura vital para o homem
Problemas de coluna são as maiores queixas que chegam à Clínica Asada, conta Flávio, que trabalha com fisioterapia, quiropraxia (age no alinhamento das articulações), massoterapia, shiatsu, acupuntura analgésica, ventosa, pilates e RPG. O tratamento depende do quadro do paciente, do nível de dor. "Em um caso agudo, recente, a resposta é mais rápida. Se o paciente tem um histórico crônico de dor lombar, por exemplo, a reação ao tratamento é mais lenta".
 
De uma forma ou de outra, é preciso manter cuidados diários para que a dor não volte, praticando exercícios, alongamento, evitando o que está provocando o problema. "Não há uma resolução definitiva porque toda hora estamos forçando a coluna", diz o fisioterapeuta. A coluna é que faz a comunicação entre o cérebro e o corpo e é formada por tecido conjuntivo e uma série de ossos, chamados vértebras, as quais estão sobrepostas em forma de uma coluna, daí o nome. Sua função é proteger o tubo neural, o canal que serve de depósito para a medula espinhal.
 
Sintomas aparecem em qualquer parte do corpo
Como a coluna se estende do crânio até a pelve, ela tem três denominações: cervical, torácica ou dorsal e lombar. Flávio Asada conta que, dependendo de onde se localiza o problema, a dor reflete em determinadas partes do corpo. Se for na lombar pode refletir no quadril, nas pernas, nas canelas e nos pés em forma de dor, formigamento, queimação e até perda de força.  
 
Na coluna torácica a dor aparece no peito, e pode também causar falta de ar, prisão de ventre, entre outros sintomas. Na cervical manifesta-se na nuca, nos braços, mão, cabeça. A ressonância magnética é o exame que vai indicar se há problema e onde se localiza.
 
Dor nos pés- Flávio atende casos de dor em geral e conta que têm crescido as queixas de dor nos pés.  São casos principalmente de fasceíte plantar (inflamação na membrana que recobre o calcanhar), esporão de calcâneo, Neuroma de Morton (inflamação do nervo que passa no meio dos dedos). Podem ser várias causas, desde a pisada ao calçado inapropriado. O fisioterapeuta lembra que a musculatura plantar não é exigida como deveria. "O próprio formato do pé indica que é para andar em terreno irregular, mas não é o que fazemos na cidade, até na praia as pessoas preferem andar à beira d´água, em terreno mais plano e duro, o que é agradável, mas agride os pés". Para estimular a musculatura, Flávio recomenda uma caminhada curta na faixa de areia fofa.

Época de férias requer ainda mais atenção
O neurocirurgião de coluna Alexandre Elias recomenda redobrar os cuidados com coluna vertebral em época de férias. "Este é um período em que hospitais e consultórios tendem a receber maior número de pessoas com lesões na coluna, em consequência de acidentes ocorridos por excessos", alerta.
 
Ele ressalta que é comum as pessoas se empolgarem e subestimarem as atividades que realizam, especialmente as mais simples, "mas são exatamente elas as principais geradoras de acidentes, como mergulhos em piscinas  e rios, que podem levar a lesão da medula e paralisia total de movimentos". Outro grande causador de lesões na coluna são os acidentes de trânsito, que também tendem a aumentar nesta época do ano, não apenas pelo maior volume de carros circulando nas estradas, mas pela mistura de álcool e volante.
 
Principais inimigos da coluna
 Postura inadequada; 
 Calçados inapropriados; 
 Sedentarismo; 
 Sobrepeso ou obesidade; 
 Ergonomia inadequada no trabalho e em casa; 
 Excesso de peso nas mochilas ou bolsas; 
 Dificuldade auditiva ou visual que leva a pessoa a se entortar para ouvir ou ver melhor; 
 Colchão e travesseiro inadequados; 
 Uso de notebook no colo; 
 Sofás, poltronas e cadeiras que afundam pelo desgaste; 
 Embreagem ou pedais do carro muito duros; 
 Banco do carro muito para trás ou para frente; 
 Movimentos repetitivos ou posturas que se mantêm por longos períodos; 
 Sobrecarga da região lombar.
 
Serviço: Clínica Asada, av. Afonso Pena, 30, cj. 2, Boqueirão, tel. 3234-2100, www.clinicaasada.com.br
 

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