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Cotidiano/Saúde | 10/06/2017

Hiperatividade e déficit de atenção

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um distúrbio neurocomportamental que afeta de 3% a 7% das crianças em idade escolar no mundo

Trata-se de uma síndrome (conjunto de sintomas) caracterizada por distração, agitação, impulsividade, esquecimento, desorganização, adiamento crônico, entre outras manifestações que causam grande impacto, considerando o estresse nas famílias, o prejuízo nas atividades escolares e no trabalho, e os efeitos negativos na autoestima das crianças e adolescentes.


O problema é muito mais frequente em meninos do que em meninas e, acredita-se, possa ter predisposição genética e relação com os estímulos ambientais (estrutura e rotina familiar, tipo de escola, entre outros), podendo acompanhar o indivíduo na idade adulta. 


“Nas meninas, predomina o déficit de atenção; nos meninos, prevalece a inquietação psicomotora e hiperatividade. Em ambos, pode existir a impulsividade”, explica o pediatra Francisco Frederico Neto.


Sintomas em crianças
Crianças hiperativas não ficam sentadas ou em silêncio por muito tempo, são agitadas, balançam mãos e pernas. Aquelas que manifestam com mais ênfase o déficit de atenção, costumam não concluir as tarefas, distraem-se com qualquer estímulo, perdem ou esquecem objetos, são dispersas, desorganizadas, parecem não escutar e sofrem com as atividades que exigem concentração, como a leitura.


A impulsividade, por sua vez, faz com que a criança seja impaciente e imediatista, não espera sua vez para falar, interrompendo ou respondendo perguntas precipitadamente. Em cada pessoa, os sintomas manifestam-se com maior ou menor intensidade. 


Diagnóstico deve ser cuidadoso
As crianças de hoje são hiperestimuladas com jogos eletrônicos, escola em tempo integral, excesso de compromissos. É natural que sejam mais agitadas, distraídas. Por isso, de acordo com o pediatra, o diagnóstico do TDAH deve ser baseado na investigação criteriosa do estilo de vida do paciente, seu histórico de saúde, a psicodinâmica familiar, o ambiente escolar, entre outros aspectos. O ideal é que seja fechado por uma equipe multidisciplinar, para garantir um resultado mais preciso e seguro, já que há outras condições cujos sintomas se assemelham aos do TDAH, como problemas visuais, auditivos, ansiedade, depressão e os transtornos de aprendizagem, como a dislexia. 


A alimentação
De acordo com a nutricionista Joselem Salgado, professora da ESALQ/USP, a ingestão de uma boa quantidade de hortaliças, vitaminas, cereais é essencial para uma alimentação saudável. Porém, há alimentos que podem ser evitados para diminuir os problemas.


“Alimentos e bebidas contendo cafeína devem ser retirados da dieta, visto que a cafeína tem poder excitatório. O excesso na ingestão de carnes vermelhas também pode ser um fator decisivo, pois podem agir como estimulante físico, aumentando a excitação”, alerta. Outros alimentos devem ser evitados: frutas secas, morango, framboesa, amora, laranja, damasco, pepino, picles, molho de tomate, chás.


Outra preocupação deve ser com aditivos alimentares, por exemplo os salicilatos, que são substâncias usadas em alimentos para dar cor e sabor. O açúcar refinado em excesso também deve ser banido, pois pode aumentar a produção de adrenalina. “Já o aumento na ingestão de ômega 3 e ômega 6 pode trazer benefícios comportamentais nas crianças hiperativas”, indica a nutricionista. Alimentos ricos nessas gorduras essenciais são os peixes, óleo de canola, soja, semente de linhaça e óleo de prímula. 
 


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