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Colunistas/Opinião do Jornal | 15/02/2020

Boca grande

Se o governo Bolsonaro adotar como lema um provérbio árabe segundo o qual a palavra é prata, o silêncio é ouro, as coisas provavelmente caminhem melhor para o Brasil. Tanto o presidente, como seu poderoso ministro da Economia, Paulo Guedes, falam demais, fazem grosserias que acabam não só prejudicando a imagem do país, como também, os rumos do próprio governo.

 

É simplesmente inacreditável a capacidade de criar confusão que a dupla Bolsonaro/Guedes tem promovido ao longo de pouco mais de um ano de governo. Não ganham nada com isso, a não ser a antipatia de quem é isento, e ainda acabam prejudicando o país.

 

Bolsonaro ganhou a eleição de forma legítima e democrática, recebendo mais de 57 milhões de votos. Prometeu pacificar o país, mas, ao contrário, continua agindo como se ainda estivesse no palanque, brigando contra tudo e contra todos e enxergando comunistas até nos armários do Palácio. Não raro demonstra sinais de desequilíbrio emocional. O presidente chegou a ofender a primeira-dama da França, depois atacou de forma chula a mãe de um jornalista brasileiro. Mais que destemperos, esse tipo de ação revela um comportamento incompatível com o cargo.

 

O ministro da economia não chega a ser tão grosseiro como o chefe, mas apronta da suas, como fez recentemente ao comparar servidores a parasitas e ao se referir a empregadas domésticas de forma depreciativa. Vale registrar que Guedes tem feito um bom trabalho na Pasta, vem conseguindo colocar as finanças em ordem, mas sua tarefa, que não é fácil, exige serenidade acima de tudo.

 

A elite do funcionalismo tem privilégios inaceitáveis? Tem, mas ela não representa o conjunto de servidores, milhares dos quais prestam serviços inestimáveis à população brasileira. Da mesma forma, não foram as empregadas domésticas que levaram o país à uma grave crise econômica...

 

Depois da reforma da Previdência, é consenso de que o Brasil precisa promover outras reformas, como a tributária e a administrativa, para que o país possa voltar a crescer de forma sustentável. E ambas dependem do aval do Congresso e, sem dúvida, de apoio de parcela considerável da sociedade. E esse apoio, com certeza, não virá se as principais peças do governo continuarem atacando a imprensa, deputados e senadores, servidores públicos e desmerecendo empregadas domésticas.

 

O momento exige equilíbrio e bom senso, virtudes atualmente em falta no Palácio do Planalto.

 

Foto Wilson Dias/Agência Brasil
 


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