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Colunistas/Opinião do Jornal | 22/02/2020

Irresponsabilidade e motim

O partido Novo surgiu com a conversa de que era preciso acabar com conchavos, com a chamada “velha política” e governar com responsabilidade. O discurso colou, em parte, e a legenda conseguiu eleger o governador de Minas Gerais, um dos estados mais importantes do país. Em apenas 14 meses de governo, Romeu Zema já mostrou que de novo sua administração não tem nada, ao adotar uma política populista que vai arruinar ainda mais as finanças de Minas.

 

Zema autorizou um aumento de 41,47% para policiais militares e bombeiros e a Assembleia aproveitou para conceder reajuste de 28,82 para outras categorias de servidores. Somados os dois reajustes terão um impacto anual de R$ 25,6 bilhões nas contas públicas. O problema não é se os servidores merecem ou não o reajuste, mas a capacidade de o Estado poder pagar.

 

O déficit previsto para este ano do governo de Minas, sem os aumentos concedidos, é de R$ 13,3 bilhões. Ou seja, não haverá dinheiro suficiente para pagar a conta e Minas terá de pedir novamente socorro ao governo federal.

 

O populismo do governador mineiro incentiva policiais de outros estados. No Ceará, a situação saiu do controle quando PMs se amotinaram e, usando capuzes, aterrorizaram a população. Viaturas foram apreendidas pelos amotinados e pneus foram esvaziados, deixando moradores da cidade de Sobral totalmente desprotegidos.

 

Atendendo a um pedido do governador do Ceará, o governo federal mandou ao Estado integrantes das Forças Armadas para garantir a ordem, mas o temor nos meios políticos e, também, no Judiciário é o de que haja um efeito dominó, com a crise se alastrando por outros Estados.

 

Os efeitos nefastos do populismo muitas vezes demoram para reconhecidos por amplos setores da sociedade – os governos Lula e Dilma são os exemplos mais recentes -, mas no episódio de Minas já é possível perceber o tamanho da conta que os mineiros terão de pagar.

 

Aos brasileiros, resta esperar que a grave crise decorrente do motim de Policiais Militares no Ceará seja superada e que a ação irresponsável do governador mineiro não seja seguida por colegas de outros estados. Seria o caos e o Brasil definitivamente não merece isso.

 

Foto: Renato Cobucci/Agência Minas


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