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Colunistas/Mundo Pet | 23/03/2020

'Em tempos de isolamento social, pets trazem benefícios à saúde de seus tutores'

É repórter do Jornal da Orla e "mãe" de dois cães, a Lola e o Paluza

Leia artigo do médico veterinário Eduardo Filetti*

A Ciência já comprovou que animais de estimação fazem bem a saúde. Pesquisadores da Universidade de Uppsala, na Suécia, terminaram estudo de 12 anos que mostrou que, para pessoas que vivem sozinhas, a presença de cães diminui em 33% as chances de morte e em 36% o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. A possibilidade de infarto cai 11%. Já para quem mora com mais pessoas, os benefícios são um pouco menores: risco de morte reduzido em 11% e de doenças do coração por volta de 15%. 


O amor incondicional que os animais de estimação têm por seus tutores e vice-versa é essencial para o combate de diversas doenças, principalmente os males emocionais. Chamado de pet terapia ou Terapia Assistida por Animais, o uso de bichos domésticos para fins terapêuticos já é reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina e pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional. Em alguns estados brasileiros, como Mato Grosso, São Paulo e Rio Grande do Sul, leis foram sancionadas para permitir a presença de animais de estimação em hospitais públicos e privados, como forma de auxílio terapêutico, em especial de doenças como depressão e ansiedade. 


As pesquisadoras Andreia Maria Heins Vaccari e Fabiane de Amorim Almeida do Hospital Albert Einstein constataram que a visita dos animais para crianças doentes descontrai o ambiente, propicia maior interação do paciente com os profissionais e demais crianças. Contribui também para que a criança se torne mais cooperativa nos procedimentos hospitalares, além de atuar como estratégia alternativa no alívio da dor e do desconforto. Constatam que essa atividade traz benefícios não só para a criança, mas também para os adultos que cuidam dela.


Um estudo feito pela Universidade de Nova York, mostrou que os pets são uma das melhores maneiras de combater o estresse. A pesquisa testou níveis de estresse nas pessoas em situações sozinhas, com seu parceiro, com seu animal e com seu parceiro e animal. Eles notaram que a ocasião de maior relaxamento e tranquilidade foi quando estava com seu animal.


Está claro que esta convivência reduz a sensação de solidão, a ansiedade e a depressão. O contato com os animais, faz os seres humanos produzirem mais hormônios como a ocitocina, prolactina e a serotonina que melhoram o humor.


Muitas famílias escolhem ter um cão para brincar com os filhos, outras preferem não ter animais pois acreditam que os filhos possam desenvolver alergias. Porém, a chance de a criança ter este tipo de problema são 40% menores tendo um animal de estimação. Isto porque a convivência com eles desenvolve um sistema imunológico mais forte, este efeito não acontece entre os adultos que já sofrem de alergias. Segundo cientistas da Universidade de Melbourne, animais de estimação podem fazer bem para a saúde das crianças. Depois de fazer uma pesquisa com aproximadamente 8.500 adultos, eles descobriram que as crianças que foram expostas a animais até os cinco anos tiveram menores taxas de alergia nasal na adolescência.


Criar um bicho em casa ajuda a reduzir a pressão sanguínea, colesterol e o triglicérides. Melhorando a função cardíaca e prevenindo doenças cardiovasculares. Passear com cachorro é uma boa maneira de perder peso, estas caminhadas diárias são mais frequentes do que se a pessoa não tivesse um animal de estimação.


Ter animal de estimação é efetiva medida preventiva para a saúde física e mental dos seres humanos.

 

*Eduardo Ribeiro Filetti é médico veterinário, professor da Universidade Santa Cecília, mestre em Saúde Pública e pós-graduado em clínica de felinos, e especialista em clínica médica e cirurgia de pequenos animais 
 


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