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Cotidiano/Comportamento | 28/03/2020

As fases do 'fique em casa'

MARCO SANTANA - DA REDAÇÃO

Apesar das críticas do presidente Jair Bolsonaro e alguns empresários inescrupulosos, o isolamento social é, sim, a maneira mais eficaz de conter o avanço do novo coronavírus. No entanto, a medida provoca diversos efeitos colaterais, que vão muito além da ameaça de colapso econômico do país —uma situação por si só grave. A bióloga Sabrina Simon mora em Turim, na Itália, acompanhou todo o processo de evolução da epidemia de Covid-19 e conseguiu identificar fases deste período de confinamento. Ela gravou um vídeo, que viralizou pela internet, quando estava no 25º dia de confinamento, no qual dá orientações precisas sobre o que aconteceu (e acontece) na Itália —e que deve ser evitado— e o que cada um pode fazer para superar este período de confinamento. Em contato com o Jornal da Orla, ela deu mais detalhes:

 

PRIMEIRA FASE
Na primeira semana após a confirmação dos primeiros casos de Covid-19 na Itália. As autoridades pediram para a população ficar em casa, atividades foram interrompidas, mas o que reinou foi um clima de férias. Muitos foram para a praia. As aulas foram interrompidas, mas pais levaram as crianças para andar de bicicleta no parque, as pessoas continuaram praticando suas caminhadas e atividades físicas. Ao mesmo tempo em que as ruas estavam cheias, as prateleiras dos supermercados ficaram vazias, um claro sinal de que a população não estava entendendo a situação. 

 

SEGUNDA FASE
Com o aumento de casos e as primeiras vítimas fatais, os italianos realmente passaram a obedecer o confinamento. Foi quando o tédio começou a se manifestar. Foi na segunda semana. Começaram a surgir pessoas cantando na janela —era uma maneira de romper esta monotonia e tentar conferir um pouco de alegria à situação. O tédio era facilmente quebrado, cantando na varanda, um evento que se fazia com os vizinhos, com música, vinho.

 

TERCEIRA FASE
O silencia começou a predominar e se generalizou um estado deprimido. Não é depressão, mas uma tristeza profunda e constante. Porque já não faz mais sentido cantar na janela ou fazer vídeos engraçados. As coisas começaram a pesar mentalmente. O quadro se agrava diante da incerteza quanto à duração deste confinamento. Ninguém estava preparado para isso, até porque é uma experiência inédita. As pessoas se perguntam: “até quando?”. 

 

COMO REAGIR
Sabrina Simon destaca duas estratégias que têm sido eficazes na busca por preservar a sanidade mental. 

 

1. MANTENHA A ROTINA
Se vai trabalhar, determine um horário e organize as tarefas a serem feitas. Se tiver crianças, faça que continuem estudando, de preferência no mesmo horário da escola normal. Mesmo que não estude a mesma quantidade de horas, é fundamental manter esta rotina diária.Muitas plataformas de ensino regular estão liberando acesso para que se  continue estudando. Não existe motivo para achar que Netflix, quebra-cabeça e brincadeira dentro de casa vai conseguir manter a sanidade mental dois meses ou até mais.

 

2. TENHA UM PROJETO TRABALHOSO
Além de continuar trabalhando remotamente, realize um projeto, algo que você sempre quis tirar do papel mas nunca teve tempo para se dedicar. Não é uma faxina ou ler um livro. É um projeto trabalhoso, que vai exigir o seu esforço e que em uma outra situação você jamais poderia tirar dois meses da sua vida para se dedicar a ele. É criar um blog, escrever um livro, adquirir uma formação nova, fazer um curso difícil. Quem precisa preparar um TCC está salvo. Se você não tem tiver um projeto com objetivos, metas e resultados para alcançar, vai perder o motivo de tudo. É algo que mantenha ocupado, concentrado e motivado.


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