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Cultura/Roteiro Cultural | 18/04/2020

Livros para curtir durante a quarentena

Por conta da pandemia, todos os eventos culturais com público foram cancelados —assim, o tradicional Roteiro foi suspenso. Como alternativa, o Jornal da Orla publica dicas de livros, dadas por leitores, para tornar a permanência em casa mais agradável em tempos de novo Coronavírus:
 

"Minha recomendação é o livro Pilares da Terra, do autor Ken Follett. Trata-se de uma saga que se passa na idade média, mais precisamente no século XII, na época da construção das grandes catedrais, maciça presença da igreja em assuntos políticos e constantes lutas entre nobres ingleses motivada pela disputa pelo trono. O livro é ambientado em um rico momento histórico, trazendo personagens fictícios que encarnam características verdadeiras dos conflitos sociais da época, transportando-nos para um ambiente rústico, brutalizado e cheio de intrigas, mas com protagonistas e desfechos que nos enchem de esperança. Li esse livro em 2005, por recomendação do meu marido, e até hoje é o nosso livro predileto. As pessoas que ainda não leram têm a oportunidade de uma viagem maravilhosa pela frente sem precisar sair de casa. O difícil é parar de ler!"

Cassiana Saad de Carvalho Baida, Delegada de Polícia Federal.

 


"No momento que vivemos, em meio a uma impressionante pandemia, agravada pela extrema  polarização política no Pais, sugiro uma releitura de “1984”  de George Orwell, é uma excelente oportunidade de rever conceitos. Com milhões de exemplares publicados e traduzido em mais de 60 países, mostra a invasão da privacidade do cidadão pela opressão física e mental. Até as relações amorosas são controladas. Mostra a figura do Grande Irmão, o líder máximo do país fictício denominado Oceânia. Ninguém o via ou o conhecia. Sobre ele gira toda a narrativa e o slogan do governo: “o grande irmão está de olho em você”. O personagem central é Winston Smith, funcionário do Departamento de Documentação do Ministério da Verdade que perde sua identidade ao assumir a função de falsificar registros históricos a fim de adequar o passado aos interesses do presente. Essa situação toma outro rumo quando Smith se apaixona por Júlia, funcionária do Departamento de Ficção. Nessa relação, surge o sentimento de transgressão que vislumbra ser possível uma rebelião".
Antônio Fernando Santos, jornalista e professor universitário

 

"Recomendo “Romancista como vocação”, de Haruki Murakami. Um escritor mundialmente reconhecido, ele faz um relato autobiográfico, de como se tornou um escritor de sucesso, mesclando a digressões sobre a importância da literatura. conta a sua surpreendente história de como se tornou escritor de sucesso. Excelente! Murakami nasceu em Kyoto, no Japão, em janeiro de 1949. Viveu quatro anos nos Estados Unidos, onde deu aula em Princeton. É considerado um dos autores mais importantes da atual literatura japonesa. Seus livros estão quase todos traduzidos no Brasil (Alfaguara). Entre eles “O elefante desaparece”, “Crônica do pássaro de corda” e “Caçando carneiros”, entre outros". 
Edson Amâncio, neurologista

 

"Um livro que marcou minha vida é, curiosamente, um relato de isolamento social. Trata-se de “O Diário de Anne Frank”, escrito por uma adolescente judia durante a ascensão do Nazismo na Alemanha e descreve as atrocidades do regime. Ela e a família viveram durante dois anos em um compartimento secreto na própria residência, para evitar serem presos e levados para um campo de concentração. O livro às vezes choca, emociona e comove. Mas é também uma mensagem de humanidade, de tolerância e de resistência contra a injustiça. Leitura essencial nesses dias que vivemos". 
Ronaldo Serápicos, advogado

 

"A leitura que recomendo é, na verdade, de uma trilogia: Millenium, do jornalista Stieg Larson, falecido prematuramente após a conclusão do terceiro livro. Os livros “Os homens que não amavam as mulheres”, “A menina que brincava com fogo” e “A rainha do castelo de ar”, narram a saga de uma jovem disfuncional, Lisbeth Salander, uma hacker genial, e do jornalista Mikael Blonkvist, tendo como centro de atenção uma editora (a “Millenium” do título). Suspense do começo ao fim, apresentado por um texto muito bem escrito, revelando qualidade redacional acima da média". 
Elias Jacob, ex-promotor e professor de Direito

 

"Minha indicação é o livro “Os Caranguejos”, do jornalista e escritor André Rittes. A obra reúne 15 contos, que abordam temas diversos, como a morte, o amor, as perversões, além da saudade de alguém importante em nossas vidas. Rittes escreve contos há mais de 40 anos e é um especialista neste tipo de história, com poucos personagens, intensidade psicológica e narrativas curtas. Ganhou cinco prêmios nacionais. “Os Caranguejos”, um dos seis livros que escreveu, é uma homenagem a diversos autores e gêneros narrativos, de Julio Cortazar a Stephen King. O livro é um exemplo de ficção que mapeia a condição humana, capaz de procurar sentimentos distintos e contraditórios no leitor".
Marcus Batista, jornalista, escritor e psicólogo
 


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