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Cultura/Roteiro Cultural | 25/04/2020

Livros para curtir durante a quarentena

Por conta da pandemia, todos os eventos culturais com público foram cancelados —assim, o tradicional Roteiro foi suspenso. Como alternativa, o Jornal da Orla publica dicas de livros, dadas por leitores, para tornar a permanência em casa mais agradável em tempos de novo Coronavírus:
 

Em tempos de pandemia, deixo como dica um livro de poesias divertido, leve e intenso: “A Fúria da Beleza”, de Elisa Lucinda. Confinados que estamos, vamos nos permitir olhar ao nosso redor,  com olhos de poetisa como Elisa, e contemplar a fúria da beleza nas pequenas coisas, no ar que respiramos, na flor que insiste em nascer e sobreviver, mesmo ignorada  - que “violenta, às vezes, de tão bela, a beleza é!”
Patrícia Gorish, professora de Direito

 

Estou lendo e recomendo o romance “O Apanhador no Campo de Centeio”, de J.D. Salinger, um clássico da literatura americana, sobre a vida de um jovem de 17 anos chamado Holden Caulfield, expulso de várias escolas. O autor conta essa história na primeira pessoa e justifica que é assim porque não consegue ter interesse em nenhuma das matérias (o dilema da educação hoje), transparecendo que é um rapaz bem rebelde e um pouco inocente ao mesmo tempo. Holden não consegue encontrar seu lugar no mundo e acha superficial o comportamento da maioria das pessoas. Foi escrito entre os anos 40 e 50 e trata de questões existenciais como encontrar sua identidade, autoconhecimento e significados na vida. Nesse distanciamento social e mais pra dentro de casa, já entendo melhor meus filhos, que me tiveram um pai ausente de presença física nesses últimos 35 anos. Excelente leitura!
Raul Christiano, Escritor e superintendente da Sabesp.

 

“Ponto de Mutação”, de Fritjof Capra, é um obra-prima do pensamento holístico na busca duma visão integrada entre o homem e o meio ambiente, em tempos de mudanças dramáticas que exigem novos paradigmas de consumo, de economia solidária , defesa radical do planeta, anti consumismo, humanização da ciência e da tecnologia, reconhecimento de saberes ancestrais e a manutenção constante do ecossistema coletivo e da alma para evitar o caos pela proliferação atômica, descontrole biológico e social da Terra. Um best-seller nos anos 70, o livro vem sendo avaliado como profético em tempos de pandemia e seu título propõe, em si, um manifesto para aurora duma nova era. 
Flávio Viegas Amoreira, escritor e crítico literário

 


Indico “A velocidade da luz”, do espanhol Javier Cercas. Convidado a dar aulas numa pequena cidade dos Estados Unidos, um jovem espanhol, aspirante a escritor, conhece um veterano da guerra do Vietnã. De uma profundidade ímpar, essa improvável amizade traz aquele toque existencial, com passagens trágicas e muita referência literária. É um livro sobre escolhas e como todos estamos fadados a responder por elas. Também fala da dificuldade de conhecer o outro, com suas sombras e tragédias. Leitura densa, mas fluida, com aquela pegada de só conseguir largar o livro ao final. Ótima oportunidade de conhecer um pouco da produção literária da Espanha contemporânea.
Renata de Brito, fotógrafa

 

 

Minha sugestão é “O peso do pássaro morto”, de Aline Bei. Com sua linguagem acessível, mas recheada de significados profundos, O peso do pássaro morto, de Aline Bei (Editora Nós), nos convida a enveredar por reflexões lancinantes: quantas perdas suportamos viver? Como é olhar pelo retrovisor e rever infância, juventude, família, relacionamentos, trabalho? Quem dá conta de traduzir em palavras as lembranças mais dolorosas? Onde estará aquele amigo/amiga que já não faz parte da sua vida? O texto de Aline é um nocaute. A gente cai e fica tonta, mas, como em toda grande literatura, sai mais forte e sábia da leitura/luta. 
Goimar Dantas, jornalista, roteirista e escritora


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