Rádio Jornal da Orla/Digital Jazz

Ouça agora

Colunistas/Criar e Construir | 09/05/2020

Expressão 'novo normal' está viralizando pelo mundo (não diga que não foi avisado)

Carlos Pimentel Mendes é jornalista, especialista em transportes e logística, criador e editor do primeiro caderno regional de Informática, criador do primeiro CD-ROM (quem ainda sabe o que é isso?) brasileiro totalmente em linguagem HTML da Internet, pioneiro na interação regional entre Web e jornal impresso (y otras cositas más)...

Nestes primeiros dias de maio em plena pandemia, três informações chegam simultaneamente, e esse encontro de dados faz pensar. Numa rede social, comerciantes se queixam de estar com portas fechadas, sendo que um deles, há dez anos pilotando um negócio de comida por quilo no centro santista, talvez não reabra. Triste, não?


No dia 7 de maio, duas notas na mesma página principal de conhecido site noticioso: uma desenvolvedora santista de joias mudou seu trabalho para usar os recursos da Internet – e está muito satisfeita, expandindo bem suas vendas. E os donos de uma pizzaria santista (note: tudo numa mesma cidade), que sofreram grande prejuízo com um roubo no estabelecimento, pediram na Internet a ajuda de alguns amigos para não fecharem. Resultado: tiveram que fazer parceria com uma pizzaria concorrente para tentar atender os mais de 3.500 pedidos diários que passaram a receber. Estão se desculpando por não terem (ainda!) a estrutura que gostariam para atender tanta clientela. Via Internet, estão conquistando muitos novos clientes, e em toda a região, pela qualidade de seu produto, que fazem questão de manter.


Notem a diferença de atitude: enquanto o dono de restaurante de comida por quilo se lamenta e diz que vai fechar as portas – nem tentou mudar ou se adaptar à nova realidade, num dos setores mais promissores para o momento e para o futuro -, outras pessoas estão crescendo como nunca neste momento, seja no mesmo ramo daquele comerciante, seja em atividades supostamente bem mais difíceis de desenvolver em meio a uma crise sanitária seguida de uma prevista crise econômica.


Na coluna passada, já havia comentado que os leitores precisam ficar atentos, pois o mundo não parou. Não se passaram cinco dias, e eis algumas provas disso.


Debate mundial - Já existem indicativos de que grandes metrópoles estão se unindo para debater formas de chegar a um “novo normal”, deixando bem claro que seus gestores sabem que as mudanças que estão ocorrendo, de tão profundas, não têm volta, uma nova normalidade vai emergir da crise. Quem não se preparar agora, enquanto pode ter um momento para pensar e tomar providências, e está “esperando a pandemia passar”, vai descobrir que a mudança é definitiva em muitos sentidos, pode ser mesmo a pá de cal que faltava em seus negócios obsoletos.


E aqueles empresários que se acham no topo da moda por chamar seus empregados de “colaboradores”, mas os despedem na primeira oportunidade, em vez de trata-los como iguais na busca de alternativas na condução do negócio (o empresário entrando com o capital, os “colaboradores” entrando com a força laboral, ambos entrando com o risco e sendo recompensados no momento mais próspero), podem mesmo dar adeus. Neste “novo normal”, cada vez mais o capital humano será a principal riqueza de um empreendimento – pois é justamente aquele capaz de se reinventar e se adaptar a novas situações.


Sem desculpas - Falta de capital de giro, contas chegando, custo fixo apertando, claro que tiram o sono, mas o segredo está em procurar alternativas, analisar parcerias, buscar apoios, estudar as possibilidades, preparar a mudança em vez de apenas esperar que algo aconteça (não vai acontecer!).


Não faltam exemplos inspiradores, como o restaurante luxuoso que - com apoio dos ex-garçons transformados em entregadores categorizados, todos unidos pela sobrevivência de sua atividade – consegue se manter em meio à crise. Quando chegar o “novo normal”, o elo entre esse grupo patrão/funcionários e seus clientes estará ainda mais fortificado, pela excelência no atendimento, e poderá até (se quiser) reabrir as portas no modelo tradicional, com a fidelidade e o respeito conquistados no mercado. 


Já uma certa pizzaria santista que conseguiu ir se mantendo por inércia – por falta de higiene estava literalmente às baratas uns quinze anos atrás (com o dono garantindo já então que fecharia em seis meses) - talvez não volte mais, por conta da ganância e arrogância do proprietário, percebida pelos clientes que foram se afastando e descobrindo opções, bem melhores. Já vai tarde, se depender de mim: nunca mais entrei lá, depois de conhecer o dono, e quem soube da história fez o mesmo. 


Ajuda - Para os que pensam em mudar para uma nova normalidade, uma dica: designers de interiores, construtores, engenheiros e arquitetos, entre outros profissionais, podem ajudar no redesenho do ambiente de trabalho, para ser mais eficiente no futuro. Talvez naquele restaurante que virou serviço de entrega de alimentos seja mais interessante remodelar o salão de refeições para ser uma ampliação da cozinha, um espaço de estocagem ou ter uma bancada de montagem e controle dos produtos a serem entregues, por exemplo.


Enfim, esta é a ideia. Não há receita única de bolo, cada um precisará encontrar a sua. Troque ideias com os avós e os netos, os vizinhos e os amigos, um deles pode ter a grande ideia. Ou a pessoa pode ficar sentada em casa, lamentando a crise e tentando sobreviver até a pandemia seguinte. 
 


Leia também

Colunistas | 27/06/2020
Colunistas | 22/06/2020