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Notícias/Economia | 16/05/2020

Comprar dos pequenos é um bom negócio para todos

MARCO SANTANA - DA REDAÇÃO

Diz uma fábula contemporânea que, certo dia, um funcionário do governo central chegou a uma minúscula cidade na parte mais afastada do país, para realizar determinado trabalho. Ficou uma semana no único hotel da cidade, pagou a conta e foi embora. Com o dinheiro, o dono do hotel pagou a quitanda; o dono da quitanda pagou a farmácia; o dono da farmácia pagou o borracheiro; o borracheiro pagou o dentista; o dentista pagou o mercado; o dono do mercado pagou a costureira e todo mundo ficou feliz. 


Esta simples história serve para ilustrar as vantagens de se priorizar o consumo de fornecedores locais, em vez de optar por megaempresas, muitas vezes sediadas em outros países. Num momento em que a pandemia provoca estragos devastadores na economia de todo o planeta, são os empresários locais (e, juntos, seus empregados) que mais sofrem. 


No entanto, mais do quer uma ação meramente solidária, prestigiar os fornecedores locais traz vários benefícios aos clientes. 


1. A credibilidade do fornecedor- É muito mais seguro comprar, mesmo que seja pela internet, de uma empresa que seja tradicional na cidade e, portanto, tenho um bom histórico junto aos seus clientes. Afinal, nenhuma empresa se sustenta oferecendo produtos e serviços ruins.
2. Proximidade- Um estabelecimento localizado próximo à residência do cliente tende a realizar as entregas com mais agilidade. Caso a compra seja presencial, obedecendo as regras de precaução sanitária, o atendimento é muito mais produtivo. 
3. Fidelidade- Fornecedores locais, seja de produtos ou serviços, tendem a estabelecer vínculos mais fortes com seus clientes, pois conhecem as preferências e necessidades dele. Além de poderem oferecerem condições de pagamento mais flexíveis (descontos, parcelamentos etc). 
4. Atendimento da demanda- O fornecedor local tem a vantagem de perceber com mais agilidade as necessidades de seus clientes em potencial e, a partir daí, oferecer as melhores condições de consumo. 
5. Direitos- Mesmo que a compra seja feita online, fica mais fácil o consumidor exercer seus direitos a troca e arrependimento na esquina do que com um site chinês, por exemplo.
6. Potencializa o fornecedor- Com faturamento, o comerciante/prestador de serviço tem condições de investir em inovações que aperfeiçoem seu negócio, oferecendo produtos de mais qualidade ao cliente.

 

Início de um ciclo virtuoso
O fortalecimento dos empreendedores locais desencadeia uma série de benefícios. No Brasil, os pequenos negócios são responsáveis por 52% dos empregos com carteira assinada no Brasil —cerca de 17 milhões de postos de trabalho. As micro e pequenas empresas são responsáveis por 30% do Produto Interno Bruto (PIB), embora em outros países esta participação seja maior (na Europa, por exemplo, é de 53%).
Além de gerarem emprego, os empreendedores são também clientes em potencial de outros empreendedores locais —uma espécie de consumo transversal.

 

Locais oferecem produtos e serviços competitivos
Diversificado e numeroso, o comércio local em Santos tem condições de oferecer produtos e serviços extremamente competitivos, em termos de preço e qualidade, se comparados a grandes corporações. Se eventualmente não consegue acompanhar o valor oferecido por uma gigante do varejo, o empreendedor local compensa na qualidade do produto, atendimento e pós-venda. Outro aspecto vantajoso é proximidade do estabelecimento com a residência do consumidor e a qualidade do relacionamento entre fornecedor e cliente.


E não faltam opções. Segundo a Prefeitura, Santos possui 245 barracas de feira, 115 quitandas, 225 mercadinhos, 97 açougues, mercearias ou armazéns, 94 casas de laticínio, 1645 lojas de roupas, 382 lojas de calçados, 198 papelarias, 469 lojas de bijuterias ou artesanato, 111 casas de café, chá ou sorveteria, 291 bombonieres e 672 estabelecimentos de alimentação, entre outros.

 

Pequeno empreendedor está mais próximo dos assalariados do que dos megaempresários
Diferente do que muitos podem achar, os ganhos mensais e, consequentemente poder de compra, dos donos de pequenos negócios se assemelham muito mais de assalariados do que grandes executivos ou megaempresários. 


Pesquisa realizada pelo Global Entrepreneurship Monitor (GEM), divulgada pelo Sebrae, mostra 61,6% dos micro e pequenos empresários ganham no máximo seis salários mínimos por mês. Apenas 1,6% ganham mais de salários mínimos mensalmente. 


Faixa de renda:
Até 1 s.m. 10,8%
De 1 a 2 s.m. 13,4%
De 2 a 3 – 16,2%
De 3 a 6 s.m. – 21,2%
De 6 a 9 s.m. – 36,8%
Acima de 9 s.m – 1,6%

 

PERFIL DOS PEQUENOS EMPRESÁRIOS
Segundo o Sebrae, os pequenos negócios correspondem a 99,1% dos CNPJs do Brasil. São mais de 12 milhões de micro e pequenas empresas, sendo 8,3 milhões microempreendedores individuais (MEIs). A maioria são empreendedores que faturam no máximo R$ 12 mil por mês.


FATURAMENTO/MÊS    PROPORÇÃO
Até 12.000     50,5%
De R$ 12.000,01 a R$ 24.000,00     24,5%
De R$ 24.000,01 a R$ 36.000,00     9,6% 
De R$ 36.000,01 a R$ 48.000,00     6,7% 
De R$ 48.000,01 a R$ 60.000,00      1,7% 
De R$ 60.000,01 a R$ 360.000,00     2,9% 
De R$ 360.000,01 a R$ 1.200.000,00    0,3%


EMPREGOS
66% dos micro e pequenos empresários possuem entre 1 e 4 funcionários; 
19,4% possuem de 5 a 9 funcionários; 
24,6% possuem 10 funcionários ou mais


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