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Colunistas/Mentalmente Leve | 16/05/2020

Zona de conforto nem sempre é sinal de conforto

Psicóloga clínica, especialista em análise do inconsciente, pós-graduanda em neuropsicologia, analista corporal, formação master em programação neurolinguística e membro Access Consciousness.

Muito se fala de zona de conforto, pouco se compreende, de fato, do que se trata. A zona de “conforto” pode ser confortável, sim, em muitas ocasiões e para algumas pessoas. Entretanto, não é sempre assim. A zona de conforto representa mais familiaridade e hábito, do que conforto propriamente dito.


Existem milhares de pessoas que vivem em ambientes abusivos e violentos e não conseguem sair dessa situação; acredite se quiser, o que a prende ali é a zona de conforto. É confortável? Óbvio que não. Mas é familiar, já está mapeado pela mente desse indivíduo.


Qual é o papel da mente?
O nosso corpo vem “de fábrica" com mecanismos de defesa que visam a sobrevivência. Isso significa que sobreviver é nosso instinto mais primitivo, logo, o mais poderoso. Ou seja, sua mente está o tempo todo tentando te impedir de correr riscos, novidades representam perigo, o desconhecido faz um sinal de alerta ser acionado dentro do seu cérebro.


Imagine uma fábrica em funcionamento normal, de repente uma sirene começa a tocar em um volume ensurdecedor, indicando perigo eminente, as pessoas correm em direção à saída, as portas corta-chamas rapidamente se trancam, as luzes se apagam e o gerador desliga. Silêncio total.


É mais ou menos o que acontece dentro do cérebro de todos os seres humanos quando se deparam com uma possibilidade ou informação pela primeira vez. Primeiro a desordem e depois a inércia. Sua mente, assustada, decide, automaticamente, por rejeitar qualquer território desconhecido.


Por isso a história de vida de cada indivíduo é tão importante para a psicologia, as referências influenciam as escolhas o tempo todo. Quanto mais familiar, menos ameaçador. Quanto mais distante parecer uma realidade, maior o medo de ir até lá.

 

 

E você, está vivendo em uma zona de conforto?
Entende-se por zona, um espaço, área que se delimita. Ou seja, a zona de conforto nada mais é do que um perímetro em que você pode estar experienciando sua vida. 

 

A zona de conforto pode se estabelecer sobre os aspectos: profissional, financeiro, saúde física, mental e emocional e relacionamentos (incluindo todos os personagens da sua história).

 

A acomodação está diretamente ligada à zona de conforto. Jargões como “tá ruim, mas tá bom”, tão comuns no dia a dia, evidenciam o quanto as pessoas se adaptam a aceitam uma realidade pouco satisfatória. E é assim que se estabelece a zona de conforto; quando não há plena satisfação, porém há a permanência naquele ambiente, naquela rotina.


Rotina esta que pode não ser completamente ruim, mas também não é exatamente o que gostaria ou poderia alcançar. A familiaridade, ou seja, o fato de saber o que esperar de bom e de ruim e ter domínio sobre as dificuldades somado ao medo e incertezas que envolvem a tentativa de um recomeço, fazem com que dezenas de milhares de pessoas levem uma vida medíocre (de qualidade média).


Aí eu te pergunto, olhando para os aspectos citados (profissional, financeiro, saúde física, mental e emocional e relacionamentos) você está 100% satisfeito em todos eles? Se você estiver muito satisfeito(a) e sentir um enorme prazer de viver, então não há nada que precise ser trabalhado, nesse momento, nesse aspecto.


Se você estiver no time do “tá ruim, mas tá bom”, então é provável que esteja, sim, na sua zona de conforto.


E note que eu disse nesse momento; porque as pessoas estão mudando o tempo todo e talvez o que te traz  satisfação hoje, amanhã pode não ser mais suficiente.

 

“Quando a dor de não estar
vivendo for maior que o medo
da mudança, a pessoa muda."

-Sigmund Freud


Como sair da zona de conforto?
Comece tomando consciência, analisando se cada aspecto está alinhado com seus ideais. Desenvolva o inconformismo, se questione.


Trabalhe sua segurança e autoestima, são suas maiores aliadas na hora de enfrentar o medo.

 

Dê o primeiro passo e insista. Repita, com comprometimento, até que o novo se torne familiar.

 

Lembre-se que sua mente tentará por um tempo, indeterminado, te levar de volta à rotina que considera segura. Não se deixe enganar, esteja atento(a). Seja persistente.


Procure um profissional para te auxiliar; receber as orientações certas, ter alguém neutro te lembrando como era o lugar de onde você saiu e te motivando a avançar faz uma grande diferença.


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