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Colunistas/Criar e Construir | 16/05/2020

O que é esse "novo normal"

Carlos Pimentel Mendes é jornalista, especialista em transportes e logística, criador e editor do primeiro caderno regional de Informática, criador do primeiro CD-ROM (quem ainda sabe o que é isso?) brasileiro totalmente em linguagem HTML da Internet, pioneiro na interação regional entre Web e jornal impresso (y otras cositas más)...

O leitor já deve ter encontrado por aí a expressão “novo normal”. Se buscar na Internet, o sistema de busca apresentará “em 0,46 segundos” umas 495 mil referências, em diversas áreas, desde uma pesquisa global que está sendo feita, até situações no meio artístico, na área econômica, no trabalho, na tecnologia, nas relações internacionais... Tem espaço até para quem questione a expressão, argumentando que isso é subjetivo, para qualquer direção que se caminhe já tem gente entendendo tudo isso como normal, existindo portanto uma definição de normalidade para cada sujeito na face terrestre. Para muitos, o novo normal, por exemplo, seria viver em quarentena. Ou na pobreza extrema. Ou em meio ao tiroteio carioca. Talvez num ambiente de corrupção máxima.


Ok, vocês entenderam. Mas o conceito que está surgindo é outro. Tangidas pela necessidade de buscar alternativas, as pessoas estão descobrindo que é possível reinventar suas atividades, seu lazer, suas formas de produzir, comprar, vender, trocar. A tecnologia trouxe facilidades que muitos nem imaginavam existir, e a solidariedade na crise tem levado muita gente a colaborar para que seu uso seja simplificado. É um momento raro em que muita gente deixa de pensar em lucro imediato e usa seus conhecimentos para facilitar aos outros o acesso a essas ferramentas.


Esse momento de solidariedade plena vai passar, infelizmente. Deveria fazer parte do “novo normal”, mas não terá participação assim tão intensa como agora. É o momento de cada um aproveitar que o foco está nessas mudanças para conhecer novas ferramentas, novos programas, novos modos de fazer as coisas. Sempre há um novo modo, se você tiver um novo olhar, e este é um momento de efervescência, em que todos estão experimentando opções, e o que deu certo para outras atividades pode ser adaptado e dar certo para o que você faz, se estiver atento.


Exemplos - Veja: hoje, você pode adquirir um bilhete para consumação futura nos bares, como promoção de uma indústria cervejeira para ajudar seus parceiros a enfrentarem a crise com as portas fechadas. Alguém pegou no ar uma ideia antiga, adaptou para este setor e colocou no mercado - desde abril e por um mês - o “Ajude um Buteco”. Com esse apoio, é o momento de os donos de bares repensarem sua atividade, criando canais melhores de contato com seus fregueses, para não terem novos sustos.


Os músicos já estavam se afastando das gravadoras, descobrindo que ganhavam mais oferecendo as músicas e caprichando nos espetáculos para atraírem público. Com a pandemia, encontraram novas ferramentas que facilitam a apresentação das “lives” na televisão e na Internet, conseguem patrocínio pelos programas, conseguem assinantes e “likes” nas plataformas sociais, fazem “merchandising” e acabam vendendo outras coisas que nem têm ligação com a música (camisetas, cadernos, chaveiros, bonés, copos....). 


Fixando a solução - Preste atenção à sua volta, some uma ideia aqui com outra acolá, veja as necessidades não satisfeitas das pessoas, junte tudo num conceito novo e seja feliz com o resultado.


Quer ver? Quantas pessoas reclamam do eletricista não saber o que é fase e neutro, que o encanador abandonou o serviço, que o azulejista não escolheu o fixador adequado para as peças, que o pintor cobra conforme a cara do freguês (quanto mais bela, mais caro o serviço), que todos atrasam e costumam apresentar despesas extras que triplicam o orçamento inicial?


Numa novela reprisada de 2011, tem a senhora Pereirão montando uma empresa de “maridos de aluguel”. Nestes nove anos, quantos aproveitaram a dica? Tem algo assim onde você mora? Se tem, oferece profissionais certificados, substitui os que falharem? Se respondeu negativamente, e essa for a sua praia, que tal criar uma espécie de Uber-Consertos? Que alguém chame pelo aplicativo para celular, definindo o que precisa, quando será feito e qual o valor, pontuando o profissional etc.? Ah, sinto dizer que isso existe há mais de três anos, chama-se Fix. Oferece até parcerias com imobiliárias e construtoras, para que elas incluam o serviço de reparos como diferencial para obter mais clientes.


Mas o tal Fix já atua em sua cidade? Não? Ah... acendeu a sua lâmpada das ideias? Para cada dificuldade, uma pesquisa, uma ideia, um novo negócio. 


Novo normal – Durante duas guerras mundiais do século passado, em meio à crise, pessoas buscaram soluções, criaram produtos e serviços, forjaram as bases de seus negócios. São os bilionários de hoje.


Em tempos mais calmos, a tendência é de acomodação. Se algo vai mal, alguém se lamenta, paciência, o mundo segue e elas ficam lá atrás com seus queixumes. Já em época de crise mundial, todos se movem juntos na busca de alternativas, que serão os novos negócios bilionários do amanhã.


As pessoas entenderão se você inicia uma nova atividade de forma precária, há um período em que todos estão errando, então o erro de cada um é perdoado e existe até quem mostre como corrigi-lo, aponte soluções, numa consultoria gratuita que raramente existe em tempos não críticos. E ainda existem incentivos especiais, menos burocracia, menos juros, mais crédito e prazo. 


Aproveite, esta é a chance de tentar e errar, de obter apoios e solidariedade (e também de ajudar outras pessoas com seus erros, o caminho é bidirecional). Terminada a pandemia, as pessoas voltam aos seus afazeres, não serão mais condescendentes com suas falhas, vão cobrar perfeição difícil de atingir. 


A cada crise, como nas guerras mundiais do século 20, o mundo que emergiu já não era mais o mesmo, um “novo normal” tinha surgido. Por isso, insisto neste alerta. Está em dificuldades? Todos estão, não se lamente. Repense tudo o que está fazendo, veja que novas soluções existem, faça os ajustes e os resultados virão. Crie e construa o seu “novo normal”. Agora. 

 

Fix: isso já existe. Mas tem na sua cidade esse tal Fix? Não, mas será que eles aceitam franqueados? Essa turma encontrou o caminho dela. E você?
Foto: divulgação Fix 

 

 

Bares ganharam um inesperado apoio. Em outros setores, tem gente dando ideias, ajudando, corrigindo erros, facilitando. Aproveite a oportunidade!
Imagem: divulgação Ajude Um Buteco
 


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