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Colunistas/Blog do Carpentieri | 19/05/2020

Tiros de fuzil para matar o novo coronavírus

Diretor de Redação do Jornal da Orla

Foto: Erasmo Salomão/MS

Mais 9 militares são nomeados para cargos estratégicos no Ministério da Saúde.

O ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, nomeou mais nove militares para cargos estratégicos em sua Pasta. Algo inédito no Brasil.

 

A ordem do governo é fazer uma limpeza de técnicos que, de algum modo, tinham ligação com o ex-ministro Henrique Mandetta, defenestrado do cargo por divergências com o presidente Bolsonaro.

 

O presidente do Brasil não acredita na letalidade do vírus. Talvez ache, inclusive, que é possível eliminar a Covid-19 com tiros de fuzil. É provável que esteja aí a explicação para a nomeação de tantos militares para cargos estratégicos no Ministério da Saúde em plena pandemia.

 

A imprensa tem divulgado que o alto comando das Forças Armadas não vê com bons olhos a militarização do Ministério da Saúde. Eles temem que a explosão de casos da doença acabe caindo na conta dos militares, o que não seria justo.

 

Os militares têm demonstrado mais juízo que Bolsonaro na guerra contra o vírus.

 

Quando Bolsonaro quis cumprimentar com um aperto de mão o comandante do Exército, Edson Pujol, em Porto Alegre, o general respondeu com o cotovelo, como sugerem os especialistas..

 

O gesto do general, bastante simbólico, por sinal, irritou o presidente. Ele achou que foi uma uma desfeita.

 

 Por conta disso, Bolsonaro já pensa em tirar Pujol do cargo em 2021, revelam assessores do presidente.

 

O fato é que Bolsonaro sempre foi contra o isolamento social. Ele acredita que a medida, adotada em vários países do mundo civilizado e seguida no Brasil por governadores e prefeitos, vai destruir a economia.

 

A Suécia não adotou o isolamento social. O resultado foi que muitos morreram e a economia não decolou.

 

 A previsão é que o PIB da Suécia caia entre 7% e 10%.

 

A questão é simples: as pessoas podem até sair de suas casas, mas evitam fazer compras porque têm medo de perder o emprego.No Brasil seria diferente?

 

O que me parece claro, como leigo, é que a economia, no Brasil e no Mundo, só vai voltar a funcionar, ainda que lentamente, quando a pandemia for controlada.

 

Enquanto isso não ocorrer, não adianta xingar a Rede Globo, bater em jornalista, e tampouco lotar de militares o Ministério da Saúde. 

 

O novo coronavírus não tem medo de fuzil nem de bala de canhão.


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