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Colunistas/Mundo Pet | 05/06/2020

Cães selecionados receberão coleiras contra leishmaniose em Santos

É repórter do Jornal da Orla e "mãe" de dois cães, a Lola e o Paluza

Foto: Anderson Bianchi

A distribuição será realizada casa a casa, em locais mapeados.

Para evitar a propagação da leishmaniose visceral nos cães em Santos, a Seção de Vigilância e Controle de Zoonoses realiza, neste sábado (6), a partir das 10h, a distribuição e troca de coleiras repelentes a 291 cães mapeados nos bairros Jabaquara (167), Marapé (50, incluindo morro) e Morro São Bento (74). A maior parte desses animais não tem a doença, mas vive a cerca de um raio de 100 metros de distância de cães acometidos por ela.

 

A distribuição será realizada casa a casa, em locais previamente mapeados, seguindo todos os protocolos de segurança para evitar uma eventual transmissão do novo coronavírus. Os munícipes também receberão material informativo sobre a leishmaniose.  Em caso de mau tempo, a ação será transferida para outra data.

 

COMO É A PROTEÇÃO
Como a leishmaniose visceral canina é transmitida pelo mosquito-palha, o uso da coleira repelente é a principal forma de evitar a proliferação, uma vez que mantém os animais sadios livres de uma eventual picada contaminada do inseto e os animais doentes, com a coleira, deixam de ser alvo do mosquito-palha, interrompendo a cadeia de transmissão.

 

O primeiro caso de leishmaniose em Santos foi registrado em 2015 e, desde então, 85 animais foram identificados com a doença, dos quais 54 já morreram. OS outros 31 passarão por fiscalização neste sábado e receberão coleiras.

 

“Faremos visitas para verificar se os animais continuam vivos, se estão encoleirados, qual o estado de saúde geral, se permanecem no mesmo endereço e sob a guarda e responsabilidade dos proprietários. Caso seja necessária uma avaliação mais aprofundada, os proprietários serão orientados a levar o animal a uma clínica veterinária”, explica Alexandre Nunes, veterinário da Sevicoz.

 

O QUE É A DOENÇA
A leishmaniose visceral é uma doença crônica. Os sintomas demoram de dois a três anos para aparecer no animal e incluem pele e mucosas com feridas; queda de pelos da orelha e em volta do nariz; emagrecimento e crescimento exagerado da unha. Com seu avanço, os órgãos internos como fígado, baço e pulmão, são afetados. Não há cura, mas quanto mais cedo se detecta, mais fácil é o tratamento e o controle da doença. O animal tem que ser monitorado pelo resto da vida.

 

Linha integral de cuidado
Santos realiza um trabalho integral contra a doença, que cobre investigação do vetor, notificações, investigação sorológica, ações de prevenção e tratamento aos cães infectados. A eutanásia ainda é uma medida de controle da doença na maioria das regiões do Brasil. A cidade de Santos é pioneira na abordagem humanitária e integral para a leishmaniose.

 

Saiba mais sobre outras ações em Santos para prevenir e controlar a doença  
Investigação do vetor: embora existam casos positivos de leishmaniose em cães na Cidade, o mosquito-palha da espécie lutzomya longipalpis até hoje não foi encontrado no Município. Desde 2015, a Secretaria de Saúde atua em parceria com a Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), do governo estadual, em buscas nas matas, com armadilhas próprias para atrair e reter o inseto transmissor

 

Notificações: clínicas veterinárias particulares e a Codevida notificam a Sevicoz sobre casos de leishmaniose. A Sevicoz inicia a investigação sorológica, com coleta de sangue no animal e envio da amostra para o laboratório Adolfo Lutz, referência para a confirmação dos casos

 

Investigação em outros animais: uma vez identificada a doença em algum animal, a Sevicoz faz uma busca ativa de outros cães que possam conviver no mesmo espaço do contaminado e também dos que estão a um raio de 100 metros de diâmetro de distância. É colhido o sangue e enviado ao Adolfo Lutz

 

Tratamento: atualmente, 31 cães com leishmaniose recebem tratamento para controle da carga parasitária. O tratamento dura 28 dias, sendo realizado exame de sangue 3 a 4 meses depois do fim para verificar a resposta do organismo ao medicamento. Com a carga parasitária baixa, o risco de transmissão é menor. Todos foram microchipados, de forma que se houver fuga do animal, por exemplo, é possível identificar o seu paradeiro

 

Coleira com repelente: todos os cães identificados com leishmaniose recebem uma coleira com repelente de forma a prevenir que o inseto o pique e se torne transmissor da doença para outros animais e pessoas

 

Capacitação: Os agentes de controle de endemias e demais profissionais de saúde da rede municipal passam por capacitações periódicas, a fim de se tornarem multiplicadores de informação para a população

 

Orientação: os munícipes cujos animais passaram por investigação são orientados a manter os ambientes externos livres de material orgânico (fezes, folhas) que atraem o inseto; manter as janelas teladas e usar repelente, em especial no fim da tarde e de noite, períodos de mais atividade do mosquito-palha.


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