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Colunistas/Vida em Dia | 05/06/2020

Corpo e mente: Isolamento social pode desencadear compulsão alimentar

Jornalista

Neste momento, é importante fazer a manutenção do autocuidado

Além do medo de pegar o coronavírus, muita gente está adoecendo emocionalmente durante a pandemia. Relatos de angústia e ansiedade estão aumentando frente ao distanciamento social. “Vivemos um momento de adaptação constante, mantendo o contato com amigos, familiares e equipe de trabalho por dispositivos online. Algumas pessoas, conseguem lidar com a situação melhor do que outras”, destaca o psicólogo clínico Gilmar Júnior”.


Segundo o profissional, essa instabilidade emocional varia, inclusive, de acordo com a situação financeira. “O contexto atual favorece uma série de questões psicológicas que devemos nos manter atentos”. Além de sinais depressivos ou ansiosos, temos um distúrbio que pode se manifestar durante o distanciamento social: a compulsão alimentar. “A TCAP - transtorno da alimentação periódica - é caracterizada por episódios recorrentes de descontrole do quanto se come”. Em outras palavras, a TCAP dificulta a percepção de saciedade, tornando a ingestão de alimentos excessiva mesmo estando sem fome. 


Sentimentos mistos de vergonha, culpa e arrependimento são predominantes após episódios de compulsão. O tratamento multidisciplinar é a forma mais eficaz. Envolve psicólogo, nutricionista, educador físico e, em alguns casos, psiquiatra. O bom é que todos os profissionais citados oferecem atendimento online. Gilmar Júnior ressalta que a atuação da psicologia neste contexto auxilia na estruturação da auto-estima e ressignificação da relação com os alimentos. 


“É importante fazer a manutenção do autocuidado, tentando se observar com mais atenção neste período”. Se você se identificou com essas características não tenha receio de pedir ajuda! 


Gilmar Júnior explica que a compulsão alimentar é o descontrole do que e de quanto se come. Normalmente está associada a outro transtorno, como ansiedade, estresse ou depressão. “Pacientes com quadros depressivos podem recorrer à comida como uma forma de gratificação”. 


Os adolescentes podem ser mais atingidos. “É uma fase onde a pessoa começa a lidar com angústias que até então eram desconhecidas. A cabeça e as relações estão em transição e a forma com que eles enxergam o mundo está mudando. Neste período, entre a infância e a vida adulta, a falta de uma estrutura mental saudável pode desencadear um transtorno alimentar, entre outros distúrbios. “A terapia é importantíssima porque vai ajustar o comportamento e identificar o que está por trás dele”, alerta Gilmar Júnior.


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