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Notícias/Porto | 16/06/2020

Novo Plano de Desenvolvimento e Zoneamento do porto vai gerar 60 mil empregos, estima SPA

Foto: SPA

Aumento da capacidade gerará postos nos terminais e em obras.

A implantação do novo Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ) do Porto de Santos, em análise no Ministério da Infraestrutura (Minfra), resultará em investimentos da ordem de R$ 9,7 bilhões entre os próximos cinco e dez anos, com geração estimada de 60,4 mil empregos na região. A projeção é da Santos Port Authority (SPA), estatal responsável pela administração do Porto de Santos, que elaborou o novo planejamento portuário levando em consideração a necessidade de aumento de, aproximadamente, 50% da capacidade do complexo santista até 2040, elevando-a para 240,6 milhões de toneladas.

 

O pacote em torno de R$ 10 bilhões divide-se em investimentos em terminais com contratos vigentes (R$ 2,5 bilhões), investimentos previstos em 8 novos leilões ou adensamentos de áreas a serem realizados a partir de 2021 (R$ 5,2 bilhões), e obras de acessos rodoferroviários (R$ 2 bilhões).

 

Para termos de comparação, 60,4 mil empregos equivalem a 21% da população ocupada nas três cidades do entorno do Porto de Santos – Santos (204,2 mil), Guarujá (54,6 mil) e Cubatão (28,9 mil), conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2017.

 

Somente em obras, a SPA projeta a criação de 58 mil empregos nos próximos 5 anos, sendo 19,3 mil diretos, 9 mil indiretos e 29,7 mil efeito-renda. Para mensurar esses números, a Companhia utilizou a metodologia do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), adaptada pela Empresa de Planejamento e Logística (EPL), cujos valores representam o total de empregos gerados ao longo de todo o período de execução dos projetos.

 

Além disso, a ampliação de capacidade e movimentação resultará em ao menos 2,4 mil novos empregos diretos nos terminais, um incremento de 15% sobre a base atual, saindo de 16,1 mil trabalhadores para 18,5 mil – incluídos na conta os trabalhadores vinculados aos terminais portuários e avulsos escalados pelo Órgão Gestor de Mão de Obra (Ogmo).

 

O novo PDZ projeta o porto do futuro, a partir das premissas de clusterização de áreas por tipo de carga, com ganhos de escala, dedicação de berços aos terminais, e aumento da participação ferroviária, em linha com as melhores práticas mundiais.

 

“O levantamento mostra que o PDZ será um dos principais motores, se não o principal, para a geração de milhares de empregos e renda na região. O incremento na oferta de emprego considera, inclusive, o aspecto de automação e a utilização de novas tecnologias que potencialmente alterarão o perfil da mão de obra necessária. Mesmo assim, aponta para esse significativo crescimento da oferta, principalmente em algumas cadeias”, afirma o presidente da SPA, Fernando Biral.

 

Por exemplo, a perspectiva é que o segmento de contêineres amplie o número de trabalhadores diretos de atuais 5,7 mil para 6,5 mil na medida em que a capacidade dinâmica saia de 5,3 milhões TEU (unidade padrão de um contêiner de 20 pés) para 8,7 milhões TEU em 2030, conforme projetado no PDZ.

 

Tais dados consideram a quantidade de trabalhadores de 2020 informada pelos terminais do porto organizado e Ogmo à SPA no âmbito do combate à covid-19. Entre os terminais de uso privado (TUP), apenas a DP World Santos entrou na conta dos empregos diretos. Ficaram de fora demais TUPs e terminais com servidão de passagem, que não informaram os dados atuais.

 

De acordo com o diretor de Desenvolvimento de Negócios e Regulação da SPA, Bruno Stupello, responsável pelo levantamento, a metodologia aplicada considera um deflator na relação entre capacidade e números de postos, influenciado pelo potencial aumento de uso de tecnologia no setor. “O saldo de empregos é positivo e representa significativo impulso à geração de renda e consequente consumo em nossa região. É uma nova fase de expansão da infraestrutura portuária nacional, criando melhores condições à economia local”.


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