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Colunistas/Blog do Carpentieri | 27/06/2020

Para o STF, La vie en rose

Diretor de Redação do Jornal da Orla

Ministros decidem dividir Brasileiros em duas classes sociais.

O STF é uma graça.

 

Vivendo em seu mundo paralelo, moldado a lagostas e vinhos premiados, sete senhores e senhoras togados decidiram que o salário dos servidores públicos é intocável.

 

Nem durante a pandemia pode haver redução dos valores pagos.

 

O Brasil está sofrendo, como todo o planeta, os efeitos cruéis da Covid-19.

 

Além dos mais de 56 mil mortos, há milhões de desempregados.

 

 Quem teve a sorte de não perder o emprego, teve o salário reduzido - com poucas exceções.

 

Milhares de empresas fecharam as portas.

 

Suicídios foram registrados.

 

Estamos a caminho de uma grande depressão.

 

Faltam trabalho, dinheiro e esperança.

 

Menos para os doutores togados do STF.

 

A última deles é dividir os brasileiros em duas classes sociais.

 

Os de primeira classe são os funcionários públicos, que não podem ter seu salário reduzido e também não podem ser demitidos.

 

Os de segunda classe, são todos os demais.

 

A eles, o pão que o diabo amassou.

 

Vamos aos nomes dos sete doutores:

 

Edson Fachin

 

Rosa Weber

 

Ricardo Lewandowisk

 

Luiz Fux

 

Marco Aurélio Mello

 

Celso de Mello

 

Carmem Lúcia

 

As sete excelências acima disseram que a Constituição proíbe a redução de salários.

 

Então beleza, mas por que aqueles que pagam a conta podem ser demitidos ou  ter seus salários esquartejados?

 

O fato é que a Constituição não previa uma pandemia e ela veio.

 

E quando a tragédia chegou os sete doutores atropelaram aquela que deveria ser a regra obedecida pelos justos: a do bom senso.

 

Pois nenhuma Constituição do mundo pode ser feita para privilegiar uma parcela de cidadãos e escravizar os demais.

 

Sejamos honestos.

 

O Brasil precisa dos funcionários públicos.

 

Milhares deles são mal remunerados.

 

Apenas 3% dos servidores ganham altos salários e tem mordomias, segundo estudos.

 

São os tais marajás, como foram denunciados por Fernando Collor, certa vez.

 

Pois será essa elite que vai viver os prazeres terrenos, em plena pandemia, por decisão dos sete doutores togados do STF.

 

Também não é de hoje que o STF tem adotado medidas absurdas.

 

Bandidos de colarinho branco são absolvidos pela mais alta corte de Justiça.

 

Outros têm seus crimes prescritos.

 

Dezenas de traficantes internacionais foram soltos recentemente pelo ministro Marco Aurélio.

 

E por aí vai...

 

Jogando gasolina na fogueira, o STF presta um desserviço à democracia e atiça grupos radicais, com os tais "300 do Brasil".

 

Por que tanta insanidade e tamanho desrespeito com o Brasil?

 

A explicação talvez esteja no fato de que os ministros do STF enxerguem " La vie en rose", como na música imortalizada pela grande Edith Piaf.

 

Feliz, feliz até morrer...


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