Rádio Jornal da Orla/Digital Jazz

Ouça agora

Colunistas/Cinema | 04/07/2020

Dica da semana: O homem que mudou o jogo

Diego cursou Crítica Cinematográfica na Academia Internacional de Cinema, em São Paulo.

Foto: Reprodução

Consegue transformar uma trama intricada em algo envolvente e original.

"Eu odeio perder. Eu odeio perder ainda mais do que eu quero ganhar". Billy Beane foi apontado desde jovem como uma estrela do baseball e dono de um futuro promissor, mas as coisas não saíram conforme ele esperava e já passado dos 40 anos, tornou-se técnico, também sem sucesso. Mas Billy tinha algo que os outros não tinham: era inteligente, determinado, conseguia procurar alternativas para seus problemas e acabou desenvolvendo um inovador conceito esportivo baseado em números e estatísticas. Baseball é um grande mistério para os brasileiros que acham curioso aquele campo com formato de diamante ou mesmo por não entender as regras daquele jogo, mas tenha certeza que este filme fará você mudar o conceito sobre este esporte com uma abordagem que consegue transformar uma trama intricada sobre gráficos, dados de jogadores e estatísticas em algo envolvente e original, que vai prender sua atenção e justifica toda a aceitação que teve da crítica na época de seu lançamento, em 2012.


Baseado em fatos reais, O Homem que Mudou o Jogo é a história de Billy Beane (Brad Pitt), gerente do time de baseball Oakland Athletics. Com pouco dinheiro em caixa e a ajuda de Peter Brand (Jonah Hill), ele desenvolve um sofisticado programa de estatísticas para o clube, fazendo com que ficasse entre as principais equipes do esporte nos anos 80. O filme me ganhou pela franqueza e determinação que é desenvolvido, apresentando o seu protagonista como um homem cujo destino apontava para vários caminhos da fama, porém foi obrigado a se contentar com muito menos. Mesmo assim, é curioso o fato dele não ter se rendido e mantido seus princípios e ideologia até o fim. Na direção, tivemos uma peculiar escolha pelo diretor Bennet Miller, conhecido por seu estilo lento e silencioso, mas que mostra-se totalmente eficaz ao valorizar a riqueza dos diálogos do roteiro e que deixa a enorme quantidade de informações serem absorvidas pela mente do público, garantindo alguns momentos cômicos bastante sutis e discretos, como na cena em que Billy é pego de surpresa com uma má notícia e arremessa a mesa contra a parede. O diretor dá um tom documental ao longa, mesclando algumas imagens reais no meio do filme, mostrando competência e elegância , que difere sua produção das demais do gênero sem precisar recorrer a clichês para emocionar o público. O roteiro é fantástico e foi escrito por dois dos melhores profissionais do ramo: Aaron Sorkin e Steven Zaillian. Focado em seus personagens (e na relação entre eles) e com uma impressionante capacidade de organizar datas, linhas narrativas e quantidade de informações, o roteiro é extremamente eficiente e repleto de diálogos ágeis, afiados e naturais com um belo desenvolvimento de personagens, como o forte elo entre Billy e sua filha e a dinâmica entre ele e o economista Peter Brandt, que é o ponto alto do filme. 


Na parte técnica, o trabalho de montagem merece aplausos por equilibrar e organizar uma narrativa que frequentemente flerta com o documentário e que consegue cadenciar o longa nos momentos emocionantes e acelerar durante as partidas de baseball. Outro destaque fica para o trabalho de fotografia, repleto de cores fortes e vibrantes e à trilha sonora, especialmente pela música cantada pela filha de Beane.


Brad Pitt está fantástico no papel, trazendo carisma, arrogância e um grande poder de persuasão ao mesmo tempo contrapondo com seu lado inseguro e sensível. Jonah Hill é o contraponto perfeito de Pitt, com seu jeito tímido e desajeitado que vai ganhando confiança à medida que suas idéias vão funcionando. A química entre os dois atores é o grande destaque do filme, mostrando grande entrosamento e que contribuem para os momentos mais inspirados do filme, como a cena que envolve uma grande negociação por telefone. 


O Homem que Mudou o Jogo é um grande filme e que você merece dar uma chance. Possui uma segura e eficiente direção, um dos melhores roteiros dos últimos anos e conta com uma dupla de protagonistas extremamente carismática. Um filme que me conquistou e emocionou, mesmo se tratando de um esporte que é tão desinteressante pra mim.

 

Curiosidade:  O cineasta Steven Soderbergh foi a primeira opção para dirigir O Homem que Mudou o Jogo.


 

 


Leia também

Colunistas | 01/08/2020
Colunistas | 25/07/2020