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Notícias/Política | 03/07/2020

Perfil conservador e ausência de mulheres marcam lista de pré-candidatos a prefeito

MARCO SANTANA - Da Redação

Grande maioria é identificada com ideologia à direita, alguns fortemente abraçados ao bolsonarismo

De cada três santistas que compareceram às urnas em 2018, dois votaram em Jair Bolsonaro. Este resultado indica claramente o perfil mais conservador do eleitor da cidade e evidenciado também no perfil dos pré-candidatos a prefeito de Santos. Dos 19 nomes que se colocaram na disputa, apenas três podem ser identificados com o campo ideológico mais à esquerda — ou “progressistas”, como eles preferem.

Décadas atrás conhecida como Cidade Vermelha, Santos possui atualmente uma grande inclinação à direita — ideias liberais na economia e conservadoras nos costumes.

 

ESQUERDA

No campo mais à esquerda encontram-se três pré-candidatos de partidos claramente identificados com ideias socialistas: PT, PDT e PSOL.

O PSOL é o partido que defende ideias mais radicais, no que se refere à participação do poder público na prestação de serviços e na economia, e na instituições de políticas compensatórias a minorias —negros, mulheres, homossexuais etc. Apesar de defenderem pautas mais “sociais”, PT e PDT admitem maior participação da iniciativa privada na economia ou na prestação de serviços públicos.

 

MODERADOS

Em uma posição mais moderada, está o diretor teatral Tanah Correa, do Cidadania, partido cujo embrião foi o antigo PCB (Partido Comunista do Brasil), que em 1992 mudou para PPS (Partido Popular Socialista) e ano passado trocou de nome para eliminar completamente qualquer associação ao socialismo/comunismo.

Ex-secretário de Governo, Rogério Santos pode ser considerado um exemplo perfeito de político de centro: ao mesmo tempo em que defende a presença do poder público em setores como saúde e educação, também é a favor de parcerias com a iniciativa privada e incentivo ao empreendedorismo. Não por acaso, é o representante do PSDB.

MDB, Avante e PROS são partidos que integram o chamado Centrão, cujos políticos sempre buscam integrar a base de apoio do governo — seja ele qual for— sem grandes preocupações com posições ideológicas. Em Santos, os pré-candidatos a prefeito destes partidos possuem perfis neutros.

 

DIREITA

Em comum, os pré-candidatos deste segmento possuem a virulência nas críticas a ideologias mais à esquerda — o alvo preferido é o PT. Também em comum, são liberais na economia e conservadores nos costumes. Todos são apoiadores do bolsonarismo, em maior ou menor grau, relativizando equívocos do presidente Jair Bolsonaro. Como são um reflexo direto do “Pluripartidarismo à Brasileira”, não é possível identificar diferenças nítidas que expliquem um candidato estar neste e não naquele partido —fazem parte do mesmo balaio ideológico.

 

EXTREMA-DIREITA

São os candidatos extremamente identificados com o bolsonarismo: defesa do armamento da população, críticas ao Supremo Tribunal Federal, à imprensa, às medidas de restrição adotadas no combate à pandemia. Entre eles, há quem acredite que o nazismo é uma manifestação política de esquerda e que o novo coronavírus foi criado em laboratório por chineses comunistas.


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