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Colunistas/Criar e Construir | 25/07/2020

O novo normal é verde

Carlos Pimentel Mendes é jornalista, especialista em transportes e logística, criador e editor do primeiro caderno regional de Informática, criador do primeiro CD-ROM (quem ainda sabe o que é isso?) brasileiro totalmente em linguagem HTML da Internet, pioneiro na interação regional entre Web e jornal impresso (y otras cositas más)...

Cada vez mais as pessoas estão vendo que isso é necessário acontecer.

Era só observar a direção dos ventos para adivinhar, e a cada dia eles sopram com mais força, surpreendendo até alguns governos que imaginavam agradar ao empresariado ao ignorar as questões ambientais. Enquanto certo ministro pretendia passar uma boiada despercebida em meio ao noticiário da pandemia, promovendo ajustes legais e facilidades que imaginava serem do interesse de empresários irresponsáveis, a comunidade internacional se mostrou atenta e respondeu de modo claro: governo ou empresário que agir ignorando as evidências da catástrofe climática será marginalizado no mundo dos negócios.


Em abril de 1987, a Organização das Nações Unidas (ONU) publicou o relatório “Nosso Futuro Comum” (“Our Common Future”), que ficou mais conhecido pelo nome da relatora Gro Harlem Brundtland, médica e ex-primeira-ministra da Noruega, e também por mencionar pela primeira vez a palavra “sustentabilidade”. Um trecho explica o conceito: “O desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento que encontra as necessidades atuais sem comprometer a habilidade das futuras gerações de atender suas próprias necessidades”.


Despertava uma nova consciência ecológica, que, passo a passo, vai avançando, mesmo sendo contrária às agendas de vários governos, como os atuais dos Estados Unidos e do Brasil. Os leitores desta coluna lembrarão de como os prefeitos das principais cidades do mundo resolveram protagonizar essas mudanças, em anos recentes, e como eles agora se reúnem para, em meio à pandemia, criar as condições de um “novo normal”, pautado em uma vida mais saudável e na proteção ambiental.


Também é visível, nas últimas semanas, a forte pressão de conglomerados empresariais para que o Brasil adote uma postura ambiental mais sustentável, fiscalizando e punindo os crimes ambientais. Não é por acaso: eles sabem que os consumidores cada vez mais recusarão consumir produtos de empresas irresponsáveis, e como é difícil a uma empresa implantar boas práticas se as concorrentes não o fizerem, a união do novo empresariado se torna imprescindível para a mudança.


Queiram ou não alguns, o mantra continua sendo repetido: no final desta pandemia teremos “um novo normal”. E ele será bem mais verde, pois cada vez mais as pessoas estão vendo que isso é necessário acontecer, se quiserem ter um futuro. Além do balanço contábil com dados positivos, as empresas e organizações já precisam apresentar um balanço socioambiental. Consumidores exigem e acionistas cobram.


E é neste ponto que fica – mais uma vez – a observação para quem atua em áreas como construção civil, engenharia, arquitetura, design de interiores, urbanistas e afins. Mais rápido do que se espera, essa cobrança está chegando ao modo de vida do cidadão, à forma como encara sua próxima compra imobiliária ou redecoração de sua residência, as condições de sustentabilidade no meio urbano...


As empresas e os profissionais mais ‘antenados’ já perceberam, e quem não ficar atento acabará sobrando no mercado: o novo normal é verde. Tem de ser!
 

 

As previsões vão se confirmando: o mundo pós-pandemia será marcado por uma preocupação ambiental bem maior
Imagem criada por Studio Gstock/Free Pik
 


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