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Colunistas/Clara Monforte | 25/07/2020

Depois de quatro meses de pandemia, o que mudou em você?

Clara Monforte é advogada e colunista social, autora dos livros "Claríssima" e "Almanaque social"

Pararam para pensar o que mudaram, no aspecto pessoal?

Para tudo existe uma razão, que podemos denominar “causa” e cada causa gera uma inevitável “consequência”. Após muitos “por quês” da terrível Covid 19 atacar o mundo, a conclusão é que o ser humano precisava “desse susto” para dar mais valor à sua essência, à espiritualidade e ao invisível.


Aqui, alguns amigos respondem. E vocês? Pararam para pensar o que mudaram, no aspecto pessoal?

 

SÍLVIA TEIXEIRA PENTEADO

Na ausência do encontro, tanta presença daqueles que amamos traz à memória o carinhoso abraço. Imersiva e inspiradora, a tecnologia serve de instrumento à arte , e ainda mais , à plenitude da existência. Por todos os cantos, no “Santa”, o protagonismo individual e coletivo resguardou vidas e repensou a incrível transformação da educação. Motivos para agradecer a Deus e aos anjos do bem não faltam: a solidariedade mediou o conflito da cultura do medo com a esperança. Seria um caminho para a igualdade ao redor do planeta? Faço com prazer um convite: sejam nossos esforços aglutinados para a paz e para o desenvolvimento sustentável, iluminando a aura de uma cidade mais resiliente. 

 


LÚCIA TEIXEIRA
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O tempo ficou ainda mais escasso, para tantas novas solicitações. Aumentou minha gratidão pela oportunidade de atender aos que procuravam a Lúcia educadora, ou a escritora, a psicóloga, a amiga, a familiar ou a mulher comum. Gratidão por contar também com a dedicação e competência da equipe do Complexo Santa Cecília, que com minha família, com grande estrutura tecnológica, necessária para o momento, teve o fator humano indispensável para acolhimento de alunos, educadores e comunidade. 


Aprendi também a ficar a sós, pelo menos em alguns minutos, para buscar forças e assim ajudar os demais. E, na distância dos braços, reaprendi a abraçar de muitos outros jeitos, com o olhar, a escuta, o carinho e mensagem que abraçam, frente a tantas perdas que muitos estão vivendo. A matéria é transitória, mas o amor e a espiritualidade permanecem.

 


GUSTAVO GAIA

Essa é uma pergunta bem difícil de responder, porque não tive tempo de grandes reflexões pessoais, já que dediquei a maior parte dele, até aqui, para salvar a minha empresa. Está sendo uma luta desafiadora, mas de grandes ensinamentos.


A pandemia me fez perceber que, muitas vezes, vivemos a vida em “piloto automático”, sem notar que alguns valores que acreditamos serem importantes, ficam de lado na correria de nossas rotinas.


A finitude do tempo é algo que só é percebida quando nossa vida sai do automático e forçosamente é estacionada. 


A pandemia tolheu nossa liberdade, acordou nosso instinto de perda e nos fez enxergar o que realmente importa: família, amigos, saúde e, por fim, a nossa liberdade.

 


GABI MONTORO

Fiquei mais consciente das coisas simples e prazeirosas. Encarar isolamento realmente tem sido um desafio. Mas, por outro lado, creio que a paciência é uma virtude que tem que ser aflorada diariamente e tem feito com que eu olhe interiormente para minhas ações.


Dou mais importância às pessoas que vivem a serviço da comunidade, estendem a mão aos outros, sacrificam seus interesses pelo bem comum e se tornam modelos de humanidade. 


Sinto falta dos meus amigos e daquilo que eu mais gosto de fazer...lindas festas.


Eu achava que não tinha tempo para nada. O tempo parou e, hoje, vejo que sou mais feliz percebendo a natureza e as pessoas que me trazem boa energia.

 

DEMONSTRAR SENTIMENTOS

“Eu não demonstro meus sentimentos!” Muitas pessoas já me falaram de suas dificuldades em mostrar o que sentem. Isso não é anormal.


Há quem prefira sofrer em silêncio, amar com o olhar e falar por sorrisos. Também não é anormal.


Existe, ainda, quem não declara o que sente, porque o outro pode não dar valor e, ao se sentir seguro,em especial no amor, não sente mais graça.


Cada um é como é, e cada maneira de ser tem que ser respeitada.


Por outro lado, será que se não assumirmos as nossas sensações, um dia não nos arrependeremos do quanto perdemos de oportunidades prazeirosas? Por quê resistirmos, então? Medo de ficarmos vulneráveis? Pode ser.


Os sentimentos, sejam quais forem, geram sonhos bons ou ruins...paixão, arrependimento, amizade, aprovação, tristeza, alegria e, sobretudo, amor. Como seria importante verbalizar!


Partindo desse princípio, parece-me que se não os libertarmos não passarão de sonhos não realizados. Vamos acabar concluindo que não é saudável nem para o corpo, nem para o coração. Só conseguiremos voar, quando vestirmos as asas da liberdade!


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