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Colunistas/Vida em Dia | 15/08/2020

Pandemia dispara aumento da Síndrome do Coração Partido

Jornalista

Dor no peito e falta de ar são sinais de desilusão amorosa, mas também indicam uma doença que pode levar à morte.

Não se trata de desilusão amorosa, mas de uma doença que ataca o músculo cardíaco pode trazer complicações e levar à morte. Denominada síndrome de Takotsubo, ela é desencadeada por eventos estressantes e não por bloqueios na corrente sanguínea. 


Também conhecida como “cardiomiopatia por estresse”, a “síndrome do coração partido” tem como sintomas dor no peito, falta de ar ou cansaço.

 

PANDEMIA, GATILHO DO PROBLEMA 
Médicos da Cleveland Clinic, em Ohio, descobriram um aumento da incidência de Takotsubo durante a pandemia de Covid-19. Atenta a este cenário, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) iniciou um estudo inédito no país sobre a síndrome de Takotsubo, que vai criar um registro nacional sobre a doença. O mapeamento visa conhecer o perfil epi-demiológico da síndrome no país para melhorar o diagnóstico, bem como proporcionar tratamentos mais eficazes e políticas públicas de prevenção à patologia.


“A pandemia por Covid-19 por si só gera grande estresse emocional, como acontece também em situação de guer-ra. A emergência em saúde devido ao novo coronavírus pode estar aumentando o número de infartos, de crises hiper-tensivas, de pessoas obesas, com ansiedade e depressão, em função de todo o contexto da pandemia, que causa falta de perspectivas e mudança de hábitos. Tudo isso leva a uma condição final de extremo estresse, que é gatilho para o desenvolvimento da síndrome de Takotsubo em indivíduos que têm predisposição genética”, explica o cardiologista Marcelo Westerlund Montera, coordenador do registro nacional da doença da SBC.

 

IMPACTO DO ISOLAMENTO SOCIAL
A Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia dado o alerta sobre o impacto do coronavírus na saúde mental. Os médicos consideram que o cenário da pandemia colabora para o aumento de fortes emoções, responsáveis pela sín-drome de Takotsubo, cuja primeira descrição foi registrada em 1991, no Japão. O presidente do Departamento de In-suficiência Cardíaca da SBC, Evandro Tinoco Mesquita, indica que o aumento da doença está relacionada ao estresse provocado pela pandemia, “do medo do vírus à perda de emprego”, destaca.

 

PROBLEMA PODE SER FATAL
Mesquita explica que a síndrome do coração partido representa 1% dos casos de infarto e pode ser que muita gente tenha tido a doença durante a pandemia e ficado em casa ou ter ido a óbito por morte súbita. “Por isso é tão importan-te a visão da SBC de implantar o registro nacional da síndrome de Takotsubo. Ter esse material muito bem documen-tado e chamar a atenção para o problema”, ressalta


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