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Colunistas/Digital Jazz | 18/08/2020

O Beco das Garrafas precisa ser salvo!

Cássio Laranja é produtor musical e coordenador da rádio online Digital Jazz/Jornal da Orla

Local sagrado para a música popular brasileira precisa da nossa ajuda e da nossa união!

O berço da Bossa Nova pede socorro para não fechar! O local sagrado para a música popular brasileira, onde vários dos artistas começaram, precisa da nossa ajuda e da nossa união!


Na verdade este verdadeiro templo já deveria estar tombado pelo poder público, como patrimônio histórico e cultural da humanidade. 


Os queridos amigos e parceiros Amanda Bravo e Sergio de Martino, que comandam o local, criaram uma vaquinha virtual para poder superar este momento difícil.


Qualquer quantia é bem vinda e vários artistas já tem demonstrado seu apoio nas redes sociais e qualquer quantia é muito bem vida! O link para a doação de qualquer valor - http://vaka.me/1219742 


No dia 7 de março de 2014, vivi uma das maiores emoções da minha vida. Pude estar mais uma vez no mítico “Bottle's Bar”, no Beco das Garrafas, localizado na esquina da Rua Duvivier, no bairro de Copacabana, Rio de Janeiro. E que viveu seu auge entre os anos de 1958 a 1965. 


O local foi reaberto no reveillon de 2014 e nos dias atuais de forma surpreendente, contava com uma programação diária de Bossa Nova, até o seu fechamento em 13 de março, quando a pandemia chegou.


Tenho que confessar que, por várias vezes, esbarrei propositalmente meu braço e encostei meus ouvidos nas paredes da casa, talvez para poder sentir um pouco do que estava impregnado naquelas paredes, afinal, elas registraram e absorveram alguns dos melhores momentos da nossa música. 


A história da Bossa Nova passa por este local bastante intimista e lá se apresentaram simplesmente todos os grandes nomes do gênero. Aquele palco funcionava como templo de batismo para todos os artistas. E olha que foram muitos nomes importantes que ali tocaram ou cantaram no início de suas carreiras. 


Alguns destes nomes: Tom Jobim, Sergio Mendes, Luiz Eça, Luiz Carlos Vinhas, Paulo Moura, Durval Ferreira, Maurício Einhorn, Johnny Alf, Sylvinha Telles, Leny Andrade, Nara Leão, Elis Regina, Silvio Cesar, Pery Ribeiro, Wilson Simonal, entre tantos outros. 


Coincidência ou não, naquela noite eu estava no lugar certo, na hora certa. Afinal, depois de 50 anos, ali voltaria a se apresentar um dos grandes nomes da Bossa Nova, o músico Bebeto Castilho, integrante do incrível grupo Tamba Trio, desta vez ao lado do Paulo Midosi Trio.  Quando falei com Bebeto Castilho, antes do show, um aperto de mão, um abraço afetuoso e lágrimas de emoção. 


Cresci ouvindo em casa o Tamba Trio e a sonoridade do grupo marcou a minha formação musical e os arranjos, sempre de vanguarda e ousados, caracterizaram a trajetória de sucesso do grupo. 

 


Foi uma noite memorável e inesquecível, compartilhada ao lado do meu querido amigo e músico carioca, Marlon Esteves e também dos queridos Marcello Silva, Fred Falcão e da simpática e alegre Nildé Ferreira, viúva de Durval Ferreira. 


Na abertura do show, conferi, surpreso, a voz suave da querida cantora Amanda Bravo, um dos grandes nomes da nova geração de intérpretes da Bossa Nova. Vamos juntos salvar o Beco das Garrafas! Viva a Bossa Nova!

 


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