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Colunistas/Digital Jazz | 29/08/2020

A música segundo Tom Jobim

Cássio Laranja é produtor musical e coordenador da rádio online Digital Jazz/Jornal da Orla

Fotos: Reprodução

Um doc onde não foram necessários diálogos. A música falou por si...

No ano de 2012, foi lançado o documentário “A Música Segundo Tom Jobim”, dirigido pelo competente Nélson Pereira dos Santos, em parceria com a neta de Jobim, Dora Jobim, que, mesmo jovem, mostrou ser do ramo. 


Primeiro nos cinemas e depois no formato DVD. São 90 minutos de pura emoção em que não foram necessários diálogos e com total e absoluta ausência de palavras.

 

 

A música falou por si literalmente e se encarregou de transmitir a mensagem. Uma verdadeira viagem pelo tempo e pela incrível genialidade do maestro, emocionando desde o primeiro instante. 


Elis Regina, Agostinho dos Santos, Elizeth Cardoso ao lado de João Gilberto, Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald e Nara Leão são alguns dos nomes que estão na lista dos intérpretes. 


O notável encontro de Tom com o cantor Frank Sinatra não poderia faltar, é claro. Até uma imagem rara de Judy Garland, cantando “Insensatez”, chama muito a atenção. 


O riquíssimo material da obra musical do nosso saudoso maestro serviu de base para o projeto, que contou com vários anos de gravações, imagens e sons colhidos no Brasil, Japão, Estados Unidos, França, Itália e Dinamarca.

 

 

Existe respeito à ordem cronológica das músicas, embora muitas outras importantes tenham ficado de fora. 
Seria impossível reunir todas suas composições em apenas um documentário. Prova de que a música de Tom Jobim tem toda essa dimensão, tanto aqui no Brasil como em todo o mundo. 


O detalhe mais curioso deste trabalho é que o dinheiro do patrocínio acabou na metade do caminho. E Nélson Pereira dos Santos tirou do próprio bolso a outra metade necessária para finalizar o documentário. Um belo gesto que deve ser ressaltado. 


Outro documentário sobre Tom Jobim, realizado quase pela mesma equipe, também já foi lançado. “A Luz de Tom”, completa a obra absurdamente inspirada do nosso querido e saudoso Maestro Soberano.

 

O único fato que lamento é que ambos os documentários, infelizmente, não foram exibidos nas telas dos cinemas de Santos. Uma pena. Ambos são essenciais e mereciam ter um lançamento na grande tela e para depois entrar em nossas casas. 


A frase de Tom usada no final do documentário diz tudo: “A linguagem musical basta”. Então, para que palavras...


Comovente e eterno!

 

 


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