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Colunistas/Significados do Judaísmo | 17/09/2020

Iamim Noraim e Nossa Introspecção

Mendy Tal - Cientista Político

Encarar a si mesmo pode parecer um dasafio esmagador.

Os Iamim Noraim, Dias de Arrependimento ou Dias de Reverência são, estritamente, os feriados de Rosh HaShaná ("Ano Novo Judaico") e Yom Kippur ("Dia da Expiação").

 

Por extensão, o período de dez dias incluindo esses feriados, é também englobado nos Iamim Noraim, também chamado de Asseret Yemei Teshuvah, os Dez Dias de Arrependimento.

 

A celebração e a comemoração destes dias invocam um misto de antecipação e ansiedade, auto avaliação e alegria.

 

Os judeus contemporâneos experimentam todas essas emoções e muito mais porque esses dias são dedicados às questões mais fundamentais sobre o que significa ser humano, sobre o significado da vida e sobre a tensão entre intenções e ações. Esses dias também oferecem oportunidades significativas para se reunir com a família e amigos e comemorar em comunidade, embora neste ano, infelizmente, iremos ter uma experiência bem diferente.

 

Certamente, nestes dias somos confrontados na liturgia com as ideias de pecado e arrependimento, justiça e misericórdia, vida e morte, bem como com nossas relações com outras pessoas, nossa compreensão de Deus e, mais profundamente, nosso senso de identidade.

 

Encarar a si mesmo e a necessidade de mudar nossa vida pode parecer um desafio esmagador. Como acontece com as experiências mais intensas e importantes em nossa vida, precisamos nos preparar para esses dias mais sagrados a fim de entendê-los e encontrar um significado em sua observância. Antes que uma oração seja dita, um sermão ouvido, uma maçã mergulhada no mel ou uma saudação de “Shaná Tová” (“um bom ano novo”) expressa, há muito trabalho a ser feito.

 

No centro de nossos preparativos para os Dias de Arrependimento está o conceito de mudança e transformação.

 

A tradição judaica entende que os seres humanos não são perfeitos. Cometemos erros que afetam os outros e também a nós mesmos, mas esses erros de julgamento, omissão e a comissão não precisam permanecer conosco para sempre. Em Rosh HaShaná, celebramos a vida e a possibilidade de novos começos.

 

Podemos apreciar as datas lembrando que a vida em si, cada respiração que inspiramos e expiramos, é um presente Divino.

 

A vida não é algo que podemos dar como garantida. Se o fizermos, deixaremos de celebrá-la.

 

Sim, acreditamos na vida após a morte, mas é na vida antes da morte que encontramos verdadeiramente a grandeza humana.

 

Nós somos livres. O judaísmo é a religião do ser humano livre que responde livremente ao Deus da liberdade.

 

Não estamos presos nas garras do pecado. O próprio fato de podermos fazer teshuvah, de que podemos agir de maneira diferente amanhã do que agimos ontem, já diz que somos livres.

 

Nos Iamim Noraim, analisamos o panorama geral de nossa vida, assim como um artista recua de sua tela para enxergar o que precisa ser mudado para que a pintura seja concluída.

 

Somos herdeiros de outro tipo de grandeza: a Torá e o modo de vida judaico.

 

O judaísmo nos pede feitos e, ao realizá-los, nos tornamos grandes. Andamos altivos quanto aos ideais para os quais vivemos, e embora possamos cair seguidamente e de novo, os Iamim Noraim nos permitem começar mais uma vez.

 

Os Dias de Reverência são uma reconstituição comunitária de ritos antigos e, ao mesmo tempo, servem como um confronto individual com nossa realidade atual. 

 

Uma mensagem essencial dos Iamim Noraim é sobre o milagre de ter vivido mais um ano e a renovação da nossa consciência de que a vida é uma dádiva. Os Iamim Noraim são uma oportunidade de uma alegria solene, de consciência da capacidade de pedir e conceder perdão e, acima de tudo, de reconhecer a capacidade humana de mudança.

 

Teshuvah, arrependimento ou retorno ao verdadeiro eu, é o conceito central dos Iamim Noraim.

 

Mas as categorias relacionadas de pecado, expiação, perdão também são centrais, e cada uma tem suas próprias nuances.

 

Ao chegarmos perto destas datas, podemos começar a exercitar nosso lado espiritual e emocional, para então dar o devido respeito e importância pela oportunidade de nos conhecermos melhor e a possibilidade de sermos melhores no ano que entra.
 

 

Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete a linha editorial e ideológica do Jornal da Orla. O jornal não se responsabiliza pelas colunas publicadas neste espaço.


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