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Colunistas/Fronteiras da Ciência | 19/09/2020

Contabilidade do coração

Jadir Albino é apresentador do programa "Fronteiras da Ciência", exibido aos domingos, às 19h, na Santa Cecília TV, com reapresentação aos sábados, às 21h.

O amor é o mais poderoso meio de tornar as pessoas felizes.

Um garoto pobre, com cerca de 12 anos de idade, vestido e calçado de forma humilde, adentra a loja e pede ao proprietário que embrulhe para presente um sabonete comum.


-É presente para minha mãe - diz com orgulho.


O dono da loja ficou comovido diante da singeleza daquele presente. Olhou com piedade para o seu freguês e, sentindo uma grande compaixão, sentiu vontade de ajudá-lo.


Pensou que poderia embrulhar, junto com o sabonete comum, algum artigo mais significativo. Entretanto, ficou indeciso: ora olhava para o garoto, ora  para os artigos que tinha em sua loja.


“Devia ou não fazer?”- ele pensava. O coração dizia sim, a mente dizia não.


O garoto, notando a indecisão do homem, pensou que ele estivesse duvidando de sua capacidade de pagar. Colocou a mão no bolso, retirou as moedinhas que dispunha e as colocou sobre o balcão.


O homem ficou ainda mais comovido, quando viu as moedas, de valor tão insignificante.


Continuava seu conflito mental. Em sua intimidade concluíra que, se o garoto pudesse, ele compraria algo bem melhor para sua mãe.


Lembrou de sua própria mãe. Fora pobre e muitas vezes, em sua infância e adolescência, também desejara presentear sua mãe. Quando conseguiu emprego, ela já havia partido para o mundo espiritual. O garoto, com aquele gesto, estava mexendo nas profundezas do seu sentimento.


Do outro lado do balcão, o menino começou a ficar ansioso. 


Alguma coisa parecia estar errada. Por que o homem não embrulhava logo o sabonete?


Ele já escolhera, pedira para embrulhar e até tinha mostrado as moedas para o pagamento. Por que a demora? Qual o problema?


No campo da emoção, dois sentimentos se entreolhavam: a compaixão do lado do homem e a desconfiança por parte do garoto.


Impaciente, ele perguntou: 


-Moço, está faltando alguma coisa?


-Não - respondeu o proprietário da loja - é que de repente me lembrei de minha mãe. Ela morreu quando eu ainda era muito jovem. Sempre quis dar-lhe um presente, mas, desempregado, nunca consegui comprar nada.


Na espontaneidade de seus 12 anos, perguntou o menino: 

 

-Nem um sabonete?


O homem se calou. Refletiu um pouco e desistiu da ideia de melhorar o presente do garoto. Embrulhou o sabonete com o melhor papel que tinha na loja, colocou uma fita e despachou o freguês sem responder mais nada.


A sós, pôs-se a pensar. 


“Como é que ele nunca pensara em dar algo pequeno e simples para sua mãe? Sempre entendera que presente tinha que ser alguma coisa significativa, tanto assim que, minutos antes, sentira piedade da singela compra e pensara em melhorar o presente adquirido”.


Comovido, entendeu que naquele dia tinha recebido uma grande lição. Junto com o sabonete do menino, seguia algo muito mais importante e grandioso, o melhor de todos os presentes: o gesto de amor!


[com base em texto de Melcíades José de Brito e na Redação do Momento Espírita]


Invista no amor. Ele é o mais poderoso meio de tornar as pessoas felizes.


Em qualquer circunstância, em qualquer data especial para determinadas comemorações, o mais importante não é o que se dá, mas como se dá.


Todo presente deve se revestir de sentimento e não deve haver diferença entre homenagens a uma pessoa pobre ou a uma pessoa rica.


A expressão deve ser sempre do afeto. O que se deve dar é o coração a vibrar em amor.


O valor do presente não está no quanto ele vai aumentar o conteúdo das caixas registradoras, mas sim o quanto ele somará na contabilidade do coração.
 


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