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Colunistas/Criar e Construir | 26/09/2020

As cores da pandemia

Carlos Pimentel Mendes é jornalista, especialista em transportes e logística, criador e editor do primeiro caderno regional de Informática, criador do primeiro CD-ROM (quem ainda sabe o que é isso?) brasileiro totalmente em linguagem HTML da Internet, pioneiro na interação regional entre Web e jornal impresso (y otras cositas más)...

Foto: AkzoNobel

Esta edição é destinada especialmente aos arquitetos e designers de interiores.

Esta edição de Criar & Construir é destinada especialmente aos arquitetos e designers de interiores, encarregados de projetar e decorar os próximos lançamentos imobiliários. Eles sabem que as experiências do cotidiano se refletem nas aspirações das pessoas, em seus desejos. E conhecem a importância das cores na vida das pessoas.


Por quê certos ambientes usam cores “amadeiradas” e outros empregam tons “metálicos”? Uns trazem a sensação de calma e aconchego, outros remetem à ideia de agitação, movimento frenético. Tons azulados passam uma sensação de higiene, frescor e eficiência, mas você dificilmente os encontrará nas embalagens de macarrão, enquanto os tons de amarelo e laranja, quentes, ao contrário, dificilmente serão dominantes numa embalagem de água mineral.


Um pouco de história – O tema é alvo de estudos internacionais que se renovam todos os anos e movimentam indústrias importantes, como as da moda, as de embalagens e até a da construção civil e decoração. Os fatos significativos de um período influenciam os desejos das pessoas para o período seguinte.


Na produção têxtil, na publicidade, na indústria gráfica, na produção de tintas e revestimentos de todos os tipos, na iluminação e, claro, na moda, é necessário especificar rigorosamente cada cor, entre as milhares de possibilidades, inclusive padronizando-se para que a cor do carro no anúncio em papel ou na televisão sejam as mesmas do veículo que está sendo vendido, ou que uma foto de moda não seja impressa com cores erradas.


Essa padronização começou em 1963 com o surgimento da Escala de Cores Pantone (em inglês Pantone Matching System – PMS), um catálogo inicialmente com 500 cores codificadas. O código inclui números e as letras C (coated – revestido) ou U (uncoated – não revestido) para indicar como é o papel onde seriam impressas. Hoje são mais de 10 mil padrões de cores e tonalidades.


Em 1999 foi criado o conceito de “cor do ano”, definida por meio de grandes investimentos em pesquisas de tendências, culturas, sentimentos. A primeira foi o cerulean, para o ano 2000, representando o novo milênio como a chegada de um tempo de paz e tranquilidade (bem, é o que se esperava, então).


Verão 2021 – A paleta principal de cores para primavera/verão no Hemisfério Sul segue a que é definida para o verão anterior no Hemisfério Norte. Divulgada no pico europeu da pandemia, ela foi assim descrita pela Pantone, em tradução livre: “Buquê de verão – Pétalas pálidas e nebulosas combinam com rosas exóticos e um verde herbáceo para criar uma paleta de verão fresca que celebra a positividade e a felicidade das cores da natureza”.


No dia 17 de setembro, foram também anunciadas em Londres as cores para a primavera-verão européia, que para nós corresponderão ao período 2021-22. Calêndula, Pirueta, Rosa Púrpura, Ocre-Laranja, Atol Azul, Iluminante, são alguns dos tons escolhidos, considerando estes tempos de incerteza e nossa necessidade de imersão em um mundo de cores que reflitam conforto, relaxamento com energia, esperança e otimismo, como explicou a diretora executiva do Pantone Color Institute, Leatrice Eiseman.


Já a AkzoNobel, mais voltada para as cores de tintas e revestimentos, escolheu como Cor do Ano 2021 o padrão Brave Ground, também influenciada pela “mudança global sem precedentes, com todos nós enfrentando medos e experiências que parecem estar em desacordo com o mundo moderno. Capturando o tema geral deste ano, ‘A coragem de abraçar a mudança’, Brave Ground é uma sombra que traz equilíbrio e estabilidade. É uma cor que nos fortalece e nos conecta de volta às coisas simples”.


Essa cor neutra é complementada por quatro outras paletas que ajudam o consumidor a escolher com segurança, afirmou no início de setembro a diretora de Criação do Centro de Estética Global AkzoNobel, Heleen van Gent.


Eis a reação do mundo das cores à pandemia de Covid-19. Submetidas ao isolamento social forçado, com barreiras nos parques e nas praias, ambientes doentios, as pessoas anseiam pelo frescor da natureza, pela volta a esse contato. E, claro, esse anseio é canalizado pelas diversas indústrias, que direcionam seus produtos de forma a procurar atendê-lo da melhor forma. Arquitetos e designers, mãos à obra!

 

Para este período, o catálogo de cores se inspira em rosas e verdes, transmitindo frescor, felicidade e positividade
Imagem: site Pantone

 


Foram anunciadas agora as cores para o próximo período europeu de primavera-verão
Imagem: site Pantone

 


Brave Ground é o padrão de Cor do Ano 2021 da centenária AkzoNobel
Imagens: site AkzoNobel

 


Desta vez, um padrão neutro (“sombra”) é complementado por quatro paletas que facilitam a combinação de cores para os consumidores
Imagem: site AkzoNobel

 


Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete a linha editorial e ideológica do Jornal da Orla. O jornal não se responsabiliza pelas colunas publicadas neste espaço.


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