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Colunistas/Clara Monforte | 03/10/2020

Vocês concordam com a obrigatoriedade do voto?

Clara Monforte é advogada e colunista social, autora dos livros "Claríssima" e "Almanaque social"

Foto: TSE

Mauro Sammarco, Paulo Mendes, Rodrigo Julião e Alexandre Ferreira dão suas opiniões.

Foram disparadas as campanhas eleitorais rumo às Prefeituras e às Câmaras Municipais. Chegou a hora da disputa e de cada candidato tentar demonstrar que é o melhor, aguardando com ansiedade, o dia “D” que os levará às urnas, dia 15 de novembro.


“VOCÊS CONCORDAM COM A OBRIGATORIEDADE DO VOTO?”

MAURO SAMMARCO, PAULO MENDES, ALEXANDRE FERREIRA e RODRIGO JULIÃO dão as suas opiniões. 

 

RODRIGO JULIÃO

Acredito que a pandemia tem seu lado positivo para a sociedade e um deles é a responsabilidade com o outro. Um olhar mais atento e atuante para nossa história enquanto sociedade. O ato de poder votar, de se expressar politicamente, custou muitas vidas, muitos sonhos e isto é importante saber. Acredito que se esse fato fosse melhor compreendido e ensinado nas escolas, o voto não precisaria ser imposto como um “sacrifício”, que muitos evitam. Seria, na prática, mais que um ato de cidadania, mas um gesto pessoal de honrar o real significado do Estado Democrático de direito, do qual fazemos parte. 


Na minha opinião, o voto não deveria ser obrigatório, e sim, um gesto consciente da pessoa por seu bem-estar e o do outro. Um gesto de respeito pela liberdade e pelo País. Por essa razão, vale a pena refletir em quem se apresenta como extensão de nossa vontade e de nosso comprometimento. 
 

ALEXANDRE FERREIRA
A obrigatoriedade do voto é um assunto polêmico, que volta perto das  eleições, tendo em vista o número de eleitores que não comparecem às urnas. Por isso, existem fortes argumentos a favor da continuidade do voto obrigatório: maior participação dos eleitores dentro do processo de escolha; o voto como fator de educação política; a representatividade precisa ser legitimada pelo voto da população, pois isso é o cerne da democracia. 


Firme nessa convicção, tenho que o voto deva ser obrigatório, pois no Brasil, ainda estamos sob o manto das “capitanias hereditárias eleitoreiras”, e se o votante puder optar entre participar ou não de um sufrágio, uma boa parte não participará. Nas eleições americanas, campanhas estão sendo feitas para que a população vote em benefício da democracia, o que reforça a premissa de que quanto maior o número de eleitores, mais próximo ficamos da real vontade do povo nas urnas, ratificando-se o mecanismo de expressão política a qual mantém a equidade entre os cidadãos, a confiança nas Instituições Públicas, a percepção da corrupção e a avaliação do governo como influências no modo de pensar do cidadão.


 
PAULO MENDES
O importante é salientar o poder do voto. Em uma democracia, o mecanismo mais eficiente que a sociedade tem para expressar a sua vontade é através do voto e isso não deve ser encarado como obrigação e sim como um direito que não devemos abrir mão.


Tivemos um período sob regime militar, quando uma geração inteira teve o direito de escolha cerceado, que trouxe enormes impactos a sociedade e principalmente ao grau de politização. Recuperamos o direito ao voto há 36 anos, tempo demasiadamente curto para desenvolver no povo brasileiro o devido amadurecimento político, para entendermos a importância de não abrirmos mão de nosso direito cívico de escolha que é o voto.


Assim, penso que o voto ainda deve ser obrigatório no Brasil, mas com a certeza de que o interesse da população pelas questões de ordem política tem crescido substancialmente. Acredito que, em algum tempo, a obrigatoriedade não será mais necessária, porque a sociedade brasileira se convencerá da importância de exercer o direito ao voto.

 

MAURO SAMMARCO

Sou a favor do voto facultativo, concedendo ao indivíduo a decisão de participar do processo por sua livre vontade, em uma expressão natural da democracia.


Na prática esse processo já vem ocorrendo, visto o crescente número de abstenção de eleitores que optaram pela alternativa da simples justificativa, ou pelo pagamento da multa do TSE.


As eleições que se aproximam devem ter um número ainda maior de ausências, potencializado pelo efeito da pandemia.


A questão principal é recuperar o interesse do cidadão, prejudicado pelos recentes episódios políticos do nosso país. É preciso dar oportunidade aos novos líderes, trazendo de volta a confiança de que podemos ter um futuro melhor para a nossa sociedade.


Em novembro eu votarei novamente, não por ser obrigatório, mas pelo meu desejo de participar do processo que definirá os próximos anos da nossa querida cidade. 

 


DECISÕES 

Ao tomarmos uma decisão, construímos um pedaço do nosso caminho. Essa é uma escolha apenas nossa e, na maioria das vezes, implica numa grande mudança. Mas, se esperarmos estar prontos para decidirmos o que o nosso coração mandar, esperaremos para sempre. Assim, quando recebemos o “aviso” temos que agir. É claro que as decisões têm consequências, porém, as indecisões mais ainda! Muitas vezes, as decisões são difíceis e se tivermos a consciência de que somos capazes de tomá-las, venceremos. 


Há também um outro aspecto quando não nos decidimos, a mudança que queremos pode estar na decisão que não tomamos. Aí, vem o arrependimento, a angústia e a vontade de voltar atrás...mas, passou o momento! 


Não permita que ninguém tome decisões por você. Faça o que você acredita ser certo. Confie em si mesmo, afinal, temos a obrigação de conhecermos os nossos valores.


Não somos o que anteriormente nos aconteceu, somos o que escolhemos. O que define o destino não são as condições, são as decisões.


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13.04.2018

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