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Colunistas/Saúde e Beleza | 31/10/2020

Molusco contagioso

Júlia Mendes é médica dermatologista e pediatra. CRM: 101090-SP / RQE: 32157/ RQE: 27484

Livro - Dermatologia/Sampaio Rivitti

Saiba o que é e como tratar.

Molusco contagioso é uma doença benigna, autolimitada, localizada, que acomete pele e mucosas, sem manifestações sistêmicas, facilmente transmissível. 

 

Trata-se de uma infecção viral (Poxvírus), localizada, cujo hospedeiro exclusivo é o ser humano, de ocorrência mundial, muito comum nas crianças, sendo motivo frequente de consultas ao pediatra.

 

Quando acomete adolescentes e adultos pode ter associação com a prática de esportes de contato físico ou com a transmissão sexual, neste último caso é classificado como uma doença sexualmente transmissível.

 

O tempo de incubação do vírus varia de duas a seis semanas e a transmissão ocorre por con- tato direto com a pele infectada ou por auto inoculação. Ocasionalmente a transmissão pode ocorrer por meio de fômites, como toalhas e esponjas de banho, ou em piscinas de uso coletivo. Pacientes com dermatite atópica tendem a ter as lesões mais numerosas e duram mais tempo. 

 

As mães chegam ao consultório se queixando do aparecimento de “bolinhas endurecidas” que clinicamente trata-se de pápulas, arredondadas, firmes de 2 a 5 mm, em forma de cúpula, cor de pele ou rosadas, com superfície brilhante e algumas vezes centro umbilicado. As lesões podem ser únicas, múltiplas ou agrupadas. Prurido pode estar presente, mas frequentemente são assintomáticas. São lesões autoinoculáveis, que surgem principalmente nas áreas de trauma, provavelmente de coçadura. 

 

As lesões são autolimitadas e tem duração variável, na maioria dos pacientes duram um pe- ríodo de 6 a 9 meses, com resolução espontânea e raramente persistem por 3 a 4 anos. 

 

É responsabilidade dos pais executar medidas que diminuam o risco de transmissão. Para evitar a disseminação recomenda-se não coçar as lesões, não compartilhar utensílios de banho, piscina ou banheira. 

 

A decisão de tratar ou não as lesões deve ser avaliada individualmente e discutida com os pais, levando em consideração o curso autolimitado, a natureza benigna da doença e os riscos de transmissão e complicações. Situações sociais como o paciente frequentar creches e escolas, faz com que seja mandatória a remoção das lesões.

 

A curetagem é um método eficaz que consiste na remoção mecânica das lesões, realizada com uma cureta. A resolução é imediata, por isso é o método de escolha. Após a curetagem, aplica o iodo povidine tópico. A curetagem pode causar dor, sangramento e cicatrizes. Para evitar a dor pode ser colocado um anestésico tópico “em cada bolinha” meia hora antes do procedimento.

 

O hidróxido de potássio (KOH) é um composto alcalino que dissolve a queratina. É indicado em concentrações e esquemas terapêuticos que variam de 5% (aplicado pelos pais dos pacientes) a 20% (aplicado pelo profissional médico), duas vezes ao dia ou em dias alternados durante 1 semana ou até que a inflamação se desenvolva. A aplicação de KOH pode causar sensações de ardor ou queimação, efeito adverso diretamente proporcional a quantidade do produto colocado pelos pais em cada aplicação (não pode deixar escorrer e só tem que ser colocado no topo de cada “bolinha”). Também pode ocorrer eritema intenso e crostas nas lesões, além de hipocromia pós-inflamatória. Na face e principalmente perto dos olhos não é recomendado a sua utilização.

 

As vantagens em tratar as lesões incluem a diminuição do tempo de resolução, redução do risco de auto inoculação e de transmissão, redução do estresse psicológico dos pais e pacientes, prevenção de cicatrizes que podem resultar de lesões anteriormente inflamadas, traumatizadas ou secundariamente infectadas. Além disto, o tratamento de crianças infectadas diminui a disseminação do vírus para outras crianças e isso é importante quando consideramos o convívio em creches e ambientes de recreação coletiva.

 


Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete a linha editorial e ideológica do Jornal da Orla. O jornal não se responsabiliza pelas colunas publicadas neste espaço.


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