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Notícias/Política | 21/11/2020

Rogério quer continuar a modernização da gestão pública

DA REDAÇÃO
Leandro Amaral

Prefeito eleito pretende imprimir sua marca pessoal ao próximo governo. 

Menos de seis horas após o resultado oficial ser proclamado pela Justiça Eleitoral, o prefeito eleito de Santos, Rogério de Santos, iniciou a primeira reunião de transição de governo com o atual ocupante do cargo, Paulo Alexandre Barbosa. Vencedor da eleição já no primeiro turno, com 101.268 votos (50,58% dos votos válidos), Rogério afirma que vai dar continuidade aos projetos de Barbosa. 


O prefeito eleito visitou a sede do Jornal da Orla, coincidentemente, no dia em que o jornal completou 47 anos de circulação ininterrupta. “Hoje é um dia muito especial para todos os santistas, o Jornal da Orla está completando 47 anos. É um jornal que eu acompanhei ao longo da minha vida, tem Orla no nome mas é distribuído em todas as regiões de Santos. Sou um pouco mais velho, estou com 54. Ler o Jornal da Orla é uma tradição santista””, afirmou. Confira os principais trechos da entrevista:

 

Qual análise o senhor faz deste processo eleitoral?
Rogério Santos-
Tivemos uma votação espremida, mas ganhamos em todas as urnas. Era preciso 50% mais um voto, tivemos 50,5%, foi uma grata surpresa, uma eleição muito difícil, eu esperava uma eleição mais propositiva, com outro comportamento, à altura do que o santista merece, quiseram ofender do ponto de vista pessoal. Eu fiz a minha parte, respeitando o eleitor. Respeito as pessoas que votaram em mim, as quais sou muito grato, e também as que fizeram outras opções. Só seis cidades do Brasil tiveram essa quantidade enorme de candidatos, isso diluiu muito a preferência. O eleitor teve, de uma forma democrática, outras opções, mas governar é governar para todos, os que nasceram aqui, os que não, os que votaram em mim e os que votaram em outros candidatos. Temos muitos desafios, já começamos na segunda-feira, tivemos reunião com o ministro Tarcísio Freitas (Infraestrutura). O prefeito Paulo Alexandre me convidou para a reunião, sobre a drenagem, tanto da Zona Noroeste quanto dos morros.

 

O senhor foi eleito com o apoio do prefeito Paulo Alexandre Barbosa e fez parte do governo durante praticamente sete anos e meio. Portanto, o seu será um governo de continuidade. Mas a partir de 1º de janeiro o prefeito será o senhor. Qual a principal diferença entre o seu estilo de governar e o de Paulo Alexandre?
Rogério Santos-
Participei dos dois governos do Paulo, no primeiro como chefe de gabinete, e o segundo como secretário de Governo. A cada governo, é necessário fazer ajustes. Nesta nova fase, eu tenho mais de 400 propostas em meu plano de governo e preciso fazer esta adequação para que meu governo cumpra, e essa adequação já começou na transição. Essa equipe de transição é preparatória para meu primeiro ato como prefeito, que é continuar a modernização da gestão pública. Vou assinar um contrato de gestão com todos os secretários nomeados por mim, porque eles vão cumprir o que a população pediu nesta construção do plano de governo. Minha equipe fará reuniões com a que está atualmente no governo, para dar continuidade a tudo que está em execução.

 

O prefeito Paulo Alexandre é um animal político. Venceu duas eleições no primeiro turno e fez o sucessor em primeiro turno. Mesmo quem não gosta dele tem que reconhecer a sua competência política. O que você espera de ajuda de Paulo Alexandre na questão política e o que aprendeu com ele nestes anos que o acompanhou de perto?
Rogério-
Temos a boa política. Como chefe de gabinete eu cuidava desta parte política e como secretário de Governo continuei. As relações com o Legislativo, eu sempre tive um respeito muito grande pelos vereadores, seja de situação ou oposição, de maneira democrática. Nunca tivemos nenhum grande problema. Tivemos um governo aberto, abrindo todos os segmentos da população. No nosso governo, recebemos todos os últimos presidentes. O Governo do Estado, a mesma coisa. Todos os deputados federais e estaduais de nossa região me apoiam. Política é isso, é governar com todos. É uma grande aliança por Santos, pois é um momento de união. Foi por isso que me decepcionei um pouco com algumas atitudes durante a campanha, pois não é motivo de briga. Já tivemos uma eleição que dividiu o Brasil, agora é momento de união, propostas. Santos é uma cidade ótima para se viver mas tem desigualdades, os cortiços, as palafitas, as áreas de invasão nos morros. 

 

Um tema comum a todos os candidatos a prefeito foi a revitalização do Centro de Santos. Como o senhor pretende recuperar aquela região, incluindo a área do porto entre os armazéns 1 e 7?
Rogério Santos-
Tivemos muitas mudanças de ministros, mais de nove, mas chegamos a um PDZ (Plano de Desenvolvimento e Zoneamento) do Porto equacionado com a cidade. O próprio PSZ fala de um terminal de passageiros no Valongo. É o que a gente quer. Minha proposta é fazer o mais simples, atracadouros com quatro berços iniciais e eu gostaria que a área do receptivo fosse dentro da área do município. O mergulhão, para os caminhões passarem para baixo, não vai sair nunca. Então, vamos fazer grandes elevadores e uma passarela rolante por cima e o receptivo dentro da área urbana. Já temos os restaurantes, temos os imóveis, vamos usar o que já existe, o Museu Pelé, o passeio de bonde. Em relação ao centro, a política de tombamento foi necessária mas vamos rever. E fazer como grandes centros urbanos, onde as pessoas moram e trabalham. 

 

Quem é o Rogério Santos?
Rogério Santos-
É um cara que tem dois grandes orgulhos: meu pai, seo Américo,  um português, que é meu exemplo de vida. Com 18 anos, um camponês, para tentar dar uma vida melhor para meus avós, veio sozinho para o Brasil. Trabalhou no centro, na Mercearia Natal, saía de lá e ia lavar louça do restaurante Almeida. Trabalhou na feira, vendeu pão de madrugada, trabalhou com o Orlando, do restaurante Último Gole. E a minha mãe, uma santista. O pai dela era barbeiro, na rua Espírito Santo. Eu nasci no Campo Grande, jogava bola e taco na rua, ia para a praia jogar bola e frescobol. Meus avós vieram para o Brasil e foram morar na Zona Noroeste, na Vila São Jorge. O Rogério é um cara que tem a gratidão a uma cidade que acolheu meu pai, meus filhos nasceram aqui. Sou tranquilo, adoro jogar futebol, já joguei basquete no Atlético, no extinto colégio Oswaldo Cruz. Atualmente, gosto de surfar, de pôr o pé na areia, fazer a minha caminhada às 6 horas da manhã, encontrar meus amigos. Sou uma pessoa que gosta de ver a alegria nos olhos das pessoas e que sabe que ser prefeito é ser funcionário público. Tem gente que acha que ser prefeito é algo palaciano... Ser prefeito é dialogar! 

 

Time do coração? - Flamengo


Esportes?– Futebol, atualmente pratico surfe


Livro? – “O Alquimista”, de Paulo Coelho, pois tem um simbolismo. O fim da jornada dele é justamente onde ele começou. Teve que percorrer o mundo todo, passar por tantas coisas, para chegar no mesmo lugar, só que diferente. Quando eu comecei na minha carreira como dentista, todo de branquinho, eu achei que sabia de tudo. E eu tive que percorrer estes 32 anos como funcionário público para hoje, mais maduro, mais consciente, ver que meu lugar é aqui, onde quero trabalhar e passar o resto da minha vida. 


Filme? - “A última tentação de Cristo”


Música? - Uma música que me marca é “Wave”, bossa nova do Tom Jobim. Música brasileira, a calmaria do mar. O resto é mar...

 

Parabéns pela vitória e boa sorte, pois o seu sucesso é o sucesso da nossa cidade.
Rogério Santos-
Obrigado, para mim é muito orgulho estar num jornal da nossa cidade, um jornal sério, tradicional, muitas vezes crítico ao governo. E eu sei que a gente só cresce com a crítica. Quero agradecer a transparência e democracia, pois deram oportunidade a todos. E parabéns pelo acerto nas pesquisas, vocês cravaram o resultado, isso mostra a seriedade e competência que vocês têm.


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