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Notícias/Política | 21/11/2020

Eleição em Santos ficou marcada por ataques à imprensa

EDISON CARPENTIERI E MARCO SANTANA - DA REDAÇÃO
Reprodução/Orla TV

Alguns candidatos questionaram pesquisas; Sartori foi contundente.

A eleição para prefeito de Santos ficou marcada por ataques à imprensa. Esse tipo de ação começou a ganhar força nas eleições americanas de 2016, quando o então candidato Donald Trump – que acabou se elegendo presidente – passou a agredir violentamente a mídia de seu país, inclusive o The New York Times, um dos jornais mais respeitados do mundo.


Estimulados por Trump, admiradores passaram a disseminar fake news pelas redes sociais.


Trump ganhou a eleição e, no exercício da presidência, mentiu a seus compatriotas mais de 22.000 vezes (isso mesmo, não é erro de digitação, foram mais de vinte e duas mil mentiras), segundo a imprensa dos Estados Unidos.


Em 2020 Trump foi castigado pelas urnas, mas isso é outra história.


Pois muito bem, esse estilo nefasto de fazer política ganhou força e foi muito utilizado nas eleições de 2018 no Brasil.


 Em Santos a história se repetiu nesta eleição de uma forma lamentável.

 

A culpa é do carteiro


Em desvantagem nas pesquisas, alguns candidatos resolveram colocar em dúvida a honestidade e a credibilidade dos veículos de comunicação, uma imitação tupiniquim de Donald Trump, e algo que o presidente Jair Bolsonaro fez em 2018 e continua fazendo, principalmente contra a TV Globo e o jornal Folha de S.Paulo.


Numa analogia, algo como a velha piada: se a carta traz notícia ruim, a culpa é do carteiro...

 

Sartori agressivo

 

 

O candidato do PSD, Ivan Sartori, foi bastante agressivo, ao estilo de seu padrinho político, Jair Bolsonaro: insatisfeito com os resultados das pesquisas, concedeu uma entrevista ao Diário do Litoral onde afirmou: “A Tribuna e a Orla não têm credibilidade. Eles têm publicidade, eles têm negócios com a prefeitura e estão lançando pesquisas que não são corretas”. 


Naquele momento Sartori insistia em divulgar uma pesquisa realizada por um jornal de São Paulo que o colocava em primeiro lugar na corrida eleitoral, ao lado de Rogério Santos.

 

Na reta final das eleições, o candidato do PSD divulgou uma matéria, do mesmo jornal da Capital, segundo a qual, com o apoio do presidente Jair Bolsonaro, ele teria presença garantida no segundo turno das eleições em Santos.
 

 

 

Apesar de as urnas terem confirmado as pesquisas que ele criticava, em nenhum momento o candidato Ivan Sartori pediu desculpas ou admitiu que estava enganado.

 

De nossa parte, destacamos que, do ponto de vista eleitoral e graças ao apoio do presidente Bolsonaro, o desembargador aposentado Ivan Sartori saiu da eleição maior do que entrou.


Isso só aumenta sua responsabilidade, porque hoje ele representa uma parcela significativa de santistas.


No Jornal da Orla, apesar das ofensas, o espaço do desembargador Sartori, a quem sempre respeitamos – embora tenhamos visões de mundo diferentes -, está garantido. O jornal estará sempre aberto para que ele, hoje uma liderança política importante na região, possa expor ideias e propostas que tenham por objetivo o desenvolvimento de Santos e do Brasil.

 

Um registro para a história

 

 

Para que fique registrado na história, as pesquisas publicadas pelo Jornal da Orla foram realizadas pelo Instituto APPC (Consultoria e Pesquisa), sob a coordenação do renomado cientista político Jairo Pimentel, e às de A Tribuna pelo IPAT, do mesmo grupo, e coordenadas pelo também renomado cientista político Alcindo Gonçalves.


O Jornal da Orla publicou duas pesquisas. A primeira delas após uma semana de horário político gratuito no rádio e na TV mostrava o crescimento da candidatura de Rogério Santos, que tinha, naquele momento, 30% das intenções de voto.


O resultado desagradou alguns candidatos. Alguns eleitores tentaram fazer chacota do jornal. Viralizou nas redes sociais um áudio, de autoria desconhecida, debochando da pesquisa e do jornal.

 


Uma semana antes da eleição, publicamos nossa segunda pesquisa, que indicava que Rogério Santos poderia vencer em primeiro turno, com 50,40% dos votos válidos. Abertas as urnas, o resultado oficial do TSE indicou a vitória do candidato do PSDB com 50,58% dos votos válidos.
 

Oportunidade para todos

 

 

Durante a campanha, o Jornal da Orla promoveu entrevistas ao vivo no Orla TV – o canal do Jornal da Orla na internet - com todos os 16 candidatos, feitas pelo editor Marco Santana e jornalistas de outros meios de comunicação. Oportunidade igual para todos.


Em sua entrevista ao Orla TV, Sartori voltou a criticar o jornal e as pesquisas. Convidado por Santana a voltar a participar de outra entrevista no dia 16, para comentar o resultado da eleição, aceitou. 


Com o resultado desfavorável nas urnas – e que confirmaram a pesquisa do Jornal da Orla -, Ivan Sartori, mudou de ideia.

 

Ataques anônimos contra jornais

 


A poucos dias das eleições, os jornais A Tribuna, Diário do Litoral e BoqNews também publicaram pesquisas indicando ampla vantagem do candidato tucano. O mesmo aconteceu com a pesquisa divulgada pela Santa Cecília TV, realizada pelo Instituto Badra.


Mais uma vez, a imprensa foi vítima de ataques.


À véspera da eleição, os quatro jornais foram agredidos de forma covarde, por criminosos que se esconderam no anonimato para divulgar fake news. As informações falsas, mentirosas, foram elaboradas na escuridão da noite e divulgadas em grupos de WhatsApp.


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