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Colunistas/Saúde e Beleza | 28/11/2020

Pitiríase Versicolor

Júlia Mendes é médica dermatologista e pediatra. CRM: 101090-SP / RQE: 32157/ RQE: 27484

A pitiríase versicolor é mais conhecida como “pano branco”.

Trata-se de uma micose superficial, onde o fungo se encontra no couro cabeludo, vai caindo e vai se instalando no corpo, sendo mais comumente localizada no tronco, pescoço e braços.


Essa micose superficial é uma doença causada pelo fungo chamado malassesia spp.
A micose é manifestada na pele em forma de manchas arredondadas, brancas na maioria dos casos, por isso essa doença é conhecida como “pano branco”, e quando esses fungos estão em atividades mais proliferativas também podem se apresentar nas cores “acastanhada” e “rósea”, decorrendo daí o nome “versicolor” (várias cores). 


O nome “pitiríase” vem da pequena descamação que se forma em cima dessas lesões e essa doenca tem um sinal chamado de “sinal de zileri positivo” (descrita por um brasileiro) que ao estirar as lesões com as pontas dos dedos forma-se uma descamação superficial, sendo esse o sinal patognomônico dessa doença, quando então o diagnóstico é confirmado.


Geralmente, os pacientes notam essas lesões após exposição solar e acabam correlacionando como “micose de praia” e acham que contraíram a micose porque se encostaram na cadeira de praia ou pelo contato que tiveram com a areia, mas na verdade essas colônias de fungos arredondadas já estavam lá e funcionam como um anteparo físico de proteção solar, de forma que nesse local a pele não se bronzeia, enquanto que a pele que está ao redor se queima, aumentando o contraste entre a pele bronzeada e a mancha branca ou castanha ou rosada.


Além disso, esses fungos produzem uma substância que se chama ácido azeláico que ajuda a desbotar a pele.  Portanto, no início do tratamento não se deve tomar sol para não aumentar o contraste e a proliferação dos fungos, e após o tratamento deve-se tomar sol para ir igualando a cor da pele. Esses fungos gostam de lugar úmido e abafado. 


Durante o tratamento e para evitá-los, não se deve:


- Prender os cabelos molhados e nem dormir com os cabelos molhados e tão pouco ficar muito tempo sem lavar os cabelos;


- Utilizar creme em excesso para pentear até próximo a raiz dos cabelos e o uso constante de boné; 


- Ficar com roupas sintéticas, como por exemplo, permanecer com o top e roupas de ginástica após o exercício físico, pois ajudam na proliferação do fungo, já que o top fica úmido.


No entanto, a adoção dessas medidas gerais de cuidado não são suficientes para evitar a proliferação desses fungos, sendo necessário ainda tratamento medicamentoso por via oral e tópica, shampoo e sabonete específico com utilização de bucha vegetal. na suspeita dessas lesões, procure o seu dermatologista associado a SBD para diagnosticar e tratar essa micose, pois a longo prazo essa doença também pode se manifestar com queda de cabelo.


Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete a linha editorial e ideológica do Jornal da Orla. O jornal não se responsabiliza pelas colunas publicadas neste espaço.


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