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Cotidiano/Saúde | 28/11/2020

Avançamos na luta contra a AIDS, mas ainda há muito a conquistar

Susan Hortas/PMS

Na terça (1º) é comemorado o Dia Mundial de Luta contra a doença.

Na terça-feira (1º), Dia Mundial de Luta contra a Aids, a assinatura da Declaração de Paris completará seis anos. Trata-se de um protocolo de intenções assumido por 180 países, com o objetivo de acabar com a epidemia de Aids até 2030. Na ocasião, foi estabelecida uma meta intermediária, que, infelizmente, na maioria dos países não foi alcançada. 


A meta 90-90-90 prevê que, até o fim deste ano, 90% de todas as pessoas com HIV saibam ter o vírus; 90% destas receberem terapia antirretroviral; e 90% das pessoas com acesso a este tratamento possuam carga viral indetectável e não mais possam transmitir o vírus.


Apesar de, no Brasil, o número de mortes ter caído 22,8% em cinco anos (de 12,5 mil em 2014 para 10,9 mil em 2018), ainda há muita gente que desconhece portar o HIV: são cerca de 135 mil (15%) dos estimados 900 mil brasileiros que possuem o vírus.


Segundo o Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis (DCCI), do Ministério da Saúde, há três grupos populacionais que merecem atenção especial: homens que fazem sexo com homens, onde a prevalência de HIV é de cerca de 12%; trabalhadoras do sexo (6%); dependentes de álcool e outras drogas (5%). 


O índice de prevalência de casos de HIV nestes grupos é bem superior ao da população geral (0,4%).

 

Prevenção e tratamento
O Ministério da Saúde destaca que o uso do preservativo ainda é a maneira mais eficaz de evitar o contágio. 
Diversas estratégias vem sendo adotadas para combater o avanço da doença, como a distribuição gratuita de camisinhas (apenas em 2020 foram 570 milhões de unidades), o aumento do número de testes (principalmente os chamados testes rápidos), terapias pré e pós exposição ao vírus; além do tratamento com medicamentos antirretrovirais.
 

 

Na boca, sinais que podem indicar Aids
É na boca onde aparecem os primeiros sinais indicando que a pessoa desenvolveu Aids. Por conta da queda na imunidade, começam a surgir as chamadas manifestações oportunistas, infecções provocadas por fungos vírus ou bactérias. 


Elas podem ocorrer em todo o organismo, mas na boca ficam explícitas. Uma das mais comuns é a candidíase, popularmente conhecida como “sapinho”, que ocorre em decorrência da proliferação exagerada do fungo Candida albicans. 


Presente de forma natural no organismo de pessoas saudáveis, o fungo cresce de forma descontrolada quando há queda de imunidade, levando ao aparecimento de lesões esbranquiçadas na língua e no interior da boca.


Outra manifestação opor­tunista é a leucoplasia pilosa, que se caracteriza pelo surgimento de placas brancas na borda lateral da língua e que não se consegue eliminar com a escova de dentes. Também deve-se ficar alerta para problemas persistentes nas gengivas.


A dentista Karem Ortega, do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), alerta que, no entanto, não é motivo para desespero. 


Segundo ela, é preciso estar atento a problemas persistentes. “As doenças oportunistas que podem aparecer na boca somente se instalam se o paciente tiver a sua imunidade diminuída”, explica, acrescentando que, assim, é fundamental realizar o teste de detecção de HIV o quanto antes.


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