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Empreendedores/Empreendedores | 01/10/2020

Vendas Online Crescem na Pandemia

Andrea Piacquadio / Pexels

O ano de 2020 registrou índices de crescimento jamais esperados para o mercado digital.

Segundo pesquisa realizada pelo Sebrae, segmentos que não esperavam um aumento expressivo nas vendas por canais digitais durante o ano de 2020 tiveram um crescimento surpreendente, não apenas na procura, como também na taxa de conversão (porcentagem de pessoas que realizam compras, em comparação com o número de pessoas que apenas acessam o site ou aplicativo).

 

Entre os segmentos destacados na pesquisa, estão:

  • Vendas de supermercados, com um aumento de 16%
  • Visitas a sites de saúde (como alimentos naturais, vitaminas e higiene) com aumento de 11%, e vendas com 27% de crescimento.
  • Procura por páginas de utensílios domésticos com um aumento de 33%.

 

Além da pesquisa realizada pelo Sebrae,  dados do índice MCC-ENET - desenvolvido pelo Comitê de Métricas da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (camara-e.net), em parceria com o Movimento Compre & Confie, o mês de junho deste ano teve um crescimento de 110,52% nas vendas se comparado ao mesmo mês do ano passado.

 

O crescimento do e-commerce já era algo esperado e acreditava-se em algo em torno de 18% para o ano de 2020. Dobrar o número de pedidos não era esperado nem pelos empresários mais otimistas.

 

Com dados ainda mais detalhados do que a pesquisa realizada pelo Sebrae, a pesquisa do índice MCC-ENET trouxe informações sobre quais foram os setores responsáveis pelos maiores percentuais em vendas, como pode-se ver abaixo:

 

  • Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação - 39,3%
  • Móveis e eletrodomésticos ficaram na segunda colocação - 23,6%.
  • Tecidos, vestuário e calçados aparecem em terceiro - 13,4%.
  • Artigos de usos pessoal e doméstico - 10,2%;
  • Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos - 8,5%
  • Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo - 3%;
  • Livros, jornais, revistas e papelaria - 2%. 

 

Importante salientar que a pesquisa não engloba transações realizadas via MercadoLivre, OLX, Webmotors, setor de viagens e turismo, anúncios e aplicativos de transportes e alimentação

 

Para complementar esses dados, outra pesquisa, realizada pela  Ebit/Nielsen, em parceria com a Elo, demonstra que as vendas online no Brasil tiveram o maior crescimento dos últimos 20 anos, registrando cerca de 90,8 milhões de pedidos entre janeiro e junho de 2020.

 

A pesquisa também aponta que 7,3 milhões de brasileiros realizaram sua primeira compra online durante o primeiro semestre desse ano, 40% a mais do que no mesmo período do ano passado.

 

Os dados são extremamente positivos quando analisados do ponto de vista econômico, pois demonstram que o que houve não foi tão somente uma redução da economia, mas, pelo menos em parte, uma migração de espaços físicos para espaços digitais.

 

Segundo Bruna Bozano, CEO da loja santista de semijoias Joias Boz, as vendas locais também tiveram um aumento significativo durante esse ano. “Durante a pandemia ficou muito claro que as pessoas estavam em busca de presentes que pudessem ser entreguem em poucas horas. Foram aquelas compras de emergência mesmo... de quem estava acostumado a deixar para a última hora e comprar no Shopping, por exemplo. Esse ano, isso não foi possível, e por isso, o público da Baixada Santista foi um dos que mais realizou pedidos na loja virtual durante os meses de Dia das Mães e Dia dos Namorados. Muito diferente do que vinha acontecendo nos últimos anos, onde vendíamos muito mais para outras cidades do país do que para pessoas da região”.

 

Entre março e julho, foram criadas, pelo menos 150.000 novos e-commerces, segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm).

 

Segundo Daniel Alexandrino da KBR TEC, empresa especializada em criação de ecommerce em Santos, o crescimento foi sentido logo nos primeiros meses de pandemia. "Recebemos diversos comerciantes locais que buscaram alternativas para vender o seu estoque e ter, pelo menos, alguma receita para cobrir as despesas do dia a dia", comenta Alexandrino.

 

Muitas dessas lojas foram criadas por empreendedores que já possuíam negócios físicos, como lojas de roupas, bijuterias, semijoias, joias e outros itens de moda, equipamentos eletrônicos, móveis, artigos de cama, mesa e banho, materiais de escritório e papelaria e muitos outros segmentos, como uma saída ao fechamento obrigatório de seus comércios locais. Outras foram criadas por pessoas que tiveram seus empregos prejudicados por conta da pandemia e utilizaram seus recursos de rescisão para começar um negócio novo.

 

Há também outros tipos de empreendedores, que já tinham vontade de investir no digital e viram a necessidade de acelerar o passo, diante da situação que se apresentou.

 

Há quem se pergunte se haverá um recuo nesse crescimento quando a pandemia chegar ao fim, mas o mais provável é que, após a experiência cômoda proporcionada pelo e-commerce, o digital nunca mais volte a ser a segunda opção.

 

 

 


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