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Infectologista destrói mentiras contra vacinas

16/01/2021
Infectologista destrói mentiras contra vacinas | Jornal da Orla

Um dos infectologistas mais respeitados do Brasil, Evaldo Stanislau classifica como “grandes bobagens” as declarações dadas pelo presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores em relação a vacinas contra a Covid-19. Membro da Sociedade Paulista e professor universitário, ele destrói uma série de mentiras ditas sobre o assunto que acabam gerando desconfiança e medo na população. 

Evaldo não poupa críticas ao ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. “O Brasil é o único país do mundo que pega uma coisa boa e transforma num problema. É obvio que esse general que ocupa o cargo de ministro não entende de logística. Se ele ficar calado e deixar os técnicos, funcionários de carreira do Ministério, atuarem, vai ser um grande sucesso”, diz. 
 

Vacinas
Já faz mais de 200 anos que vacinamos com consistência. Elas mudaram a história da humanidade. O princípio da vacina é antigo e avançou muito, hoje temos vacinas extremamente seguras.

Uma vacina tem dois objetivos principais. O primeiro é evitar a infecção e, por conseguinte, a transmissão. O segundo, evitar as formas mais graves da doença.

 

Coronavac
É excelente! É uma vacina que não precisa de grande logística de conservação e transporte, vamos conseguir vacinar rapidamente milhões de brasileiros. A Coronavac foi desenvolvida em bases tecnológicas muito conhecidas, com o vírus inativado. É inoculado no paciente e o sistema imunológico responde a ele.

 

Eficácia
É como se quisesse ver se um time de futebol é bom e o coloco para jogar com o Santos de Pelé e Coutinho. E esse time faz bonito. Os estudos das outras vacinas tiveram critérios mais leves, foi como colocar o time para jogar contra o juvenil do Jabaquara. Então, um jogou contra o Santos de Pelé e o outro contra o juvenil do Jabaquara. Não dá para comparar. A Coronavac foi desenvolvida num critério extremamente rigoroso e mesmo assim se mostrou eficaz e segura. 

 

Tratamento precoce
É uma bobagem! Não existe remédio para covid. O que nós, médicos, fazemos é dar anti-inflamatório na hora certa, suporte com oxigênio na hora certa e tratar complicações infecciosas na hora certa e, eventualmente, um anticoagulante. Não existe “coquetel anti-covid”. 

“Imunidade de rebanho” 
Isso não existe! Veja Manaus: a grande maioria da população tinha marcadores de exposição à covid e hoje é um dos epicentros de covid no Brasil. A única maneira de ter proteção é vacinando. 

 

Jacaré
Isso de o laboratório não se responsabilizar é bobagem, se ler a bula de qualquer remédio você não toma remédio nem para unha encravada. 

 

Reinfecção
Quem pegou Covid vai desenvolver uma imunidade transitória, não se sabe quanto tempo dura, e pode não ser protetiva. Quem já teve pode pegar de novo.

 

Intervalo entre as doses
Retardar a segunda dose em até três meses para, neste ínterim, vacinar mais pessoas, é uma forma de reduzir a velocidade de disseminação da doença. 

 

Coletivamente
O ato vacinal é coletivo. Diminui a chance de o vírus de propagar. 

 

Mais doses
Provavelmente, vamos precisar de outros esquemas vacinais. Vamos precisar ficar fazendo reforço. 

 

Normalidade
Quem vai liberar o comércio, as escolas, o cidadão para poder ir onde bem entender  é a vacina. Quanto antes e quanto mais gente se vacinar, mais rápido se volta ao normal. Se esta vacinação for crescendo, pode ser que no último trimestre de 2021 ou no primeiro de 2022 a gente tenha um grau de normalidade.