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Colunistas/Saúde e Beleza | 13/02/2021

Acne

Júlia Mendes é médica dermatologista e pediatra. CRM: 101090-SP / RQE: 32157/ RQE: 27484

Não espremer é fundamental para não piorar o quadro e ficar com a pele toda manchada

A acne vulgar ou acne juvenil é mais conhecida como espinha e cravos. 


Trata-se de uma doença bastante comum que surge com estímulo hormonal a partir da adolescência.


GENÉTICA:
É geneticamente determinada (quando ambos os pais têm acne, a possibilidade de aparecimento é de 50%, com gravidade variável) e hormônio dependente.


ESTRUTURA ACOMETIDA:
A acne é resultante de um processo inflamatório das glândulas sebáceas e dos folículos pilossebáceos, que tem uma glândula sebácea hipertrofiada e um pêlo fino rudimentar. As áreas mais atingidas são o rosto, peito e dorso (regiões onde se encontram mais essas glândulas). 


HORMÔNIOS:
A manifestação da acne está relacionada ao comportamento de hormônios sexuais masculinos ou andrógenos. Esses hormônios, chamados andrógenos e estrógenos, são produzidos tanto pelos ovários (mulher) e testículos (homem) quanto pelas glândulas suprarrenais (duas pequenas glândulas situadas sobre os rins) em ambos os sexos. A produção dos andrógenos é maior nos homens e a dos estrógenos é maior nas mulheres. São os andrógenos os responsáveis pelo início do funcionamento das chamadas glândulas sebáceas. Pode ocorrer piora relacionada a situações de estresse ou no período menstrual. É evidente o surgimento de acne nas mulheres com a síndrome dos ovários policíclicos, sendo necessário o tratamento dessa condição para efetividade real do tratamento da acne.

 

ACNE MEDICAMENTOSA:

Certos medicamentos como corticoides, vitaminas do complexo B, alguns suplementos alimentares e whey protein, “bombas de academia”, contato com óleos, graxas ou produtos gordurosos, época do ano versus hábitos e, principalmente, a mania de mexer nas lesões (“espremer cravos e espinhas”) pioram o quadro. 


 
PSICOLÓGICAMENTE:

Além do incômodo das lesões, podem deixar cicatrizes indeléveis e como na adolescência a aparência é um fator importante, o comprometimento estético determinado por alterações da pele pode atingir o lado psicológico e tornar o adolescente inseguro, tímido, deprimido, infeliz, com rebaixamento da autoestima e com consequências sérias que podem persistir pelo resto da vida.  


FORMAÇÃO DA ACNE:
As glândulas sebáceas são conectadas aos folículos pilosos e produzem uma substância oleaginosa (sebo) que alcança a superfície da pele após seu esvaziamento através de uma abertura do folículo piloso. O sebo estimula as células da parede interna do folículo que, então, desprendem-se mais rapidamente e se agrupam formando um “tampão” na superfície da pele, formando os conhecidos “cravos”. Posteriormente, há crescimento bacteriano no interior do folículo, com consequente inflamação local e acúmulo de pus na lesão, provocando as chamadas “espinhas”.


MANIFESTAÇÕES:
Comedões (cravos): causados pelo entupimento da saída dos folículos pilosos com sebo.
Pápulas: pequenas lesões sólidas elevadas, arredondadas, endurecidas e avermelhadas.
Pústulas: são as pápulas que contém pus, as famosas “espinhas”.
Nódulos e cistos: lesões maiores que as pápulas e pústulas, se tornam inflamados e expandem-se por camadas mais profundas da pele, podendo ser dolorosos e deixar cicatrizes.


CLASSIFICAÇÃO:
A acne pode ser classificada conforme sua gravidade:
Acne Grau I – COMEDÔNICA: presença apenas de comedões (cravos), sem lesões inflamatórias (espinhas).
Acne Grau II - INFLAMATÓRIA: comedões, pápulas e pústulas.
Acne grau III – NÓDULO-CÍSTICA: comedões, pústulas e cistos. (Já pode ser indicado o ROACUTAN)
Acne Grau IV - CONGLOBATA: comedões, pústulas e lesões císticas maiores que podem se interconectar pela pele, formando “túneis” (Considerada a forma cicatricial)
Acne Grau V - FULMINANS: extremamente rara, onde na acne grau III ou IV surge febre, leucocitose, poliartralgia, com eritema inflamatório ou necrose e hemorragia em algumas lesões.


TRATAMENTO


O tratamento varia de acordo com a gravidade do caso e o tipo de pele. Inclui opções como:


Cremes ou loções de uso tópico como derivados da vitamina A e peróxido de benzoila: sempre prescritos pelo dermatologista, auxiliam na desobstrução dos poros e reduzem a proliferação de bactérias.


Antibióticos: diminuem a quantidade de bactérias contidas no interior dos folículos e podem auxiliar na redução da inflamação. Dependendo da extensão do quadro, podem ser de uso tópico ou oral.


Anticoncepcionais: o tratamento hormonal, com anticoncepcionais orais, é sempre útil para as mulheres, desde que não existam contraindicações, pois reduzem os efeitos de hormônios masculinos e são  indicados para alguns casos de acne na mulher.


Isotretinoína: medicação oral indicada para casos mais severos, que não respondem a outros métodos. Pode causar efeitos colaterais. É indispensável o uso de métodos anticoncepcionais durante o tratamento de pacientes do sexo feminino.


Peeling: para desobstruir os poros, fazer a renovação da pele com melhora das manchas e cicatrizes de acne
Limpeza de pele: a limpeza de pele bem feita e com os produtos adequados e indicada na hora certa, pois reduz os comedões (“cravos brancos e pretos”) 


ORIENTAÇÕES: 


Importante: quem tem acne não deve, em nenhuma hipótese, manipular (“cutucar, espremer”) as lesões, pois isso pode levar à infecção, inflamação e cicatrizes. 


O tratamento vai variar de acordo com a gravidade e a localização, e em função de características individuais. 
Em formas leves, o tratamento pode ser apenas local, com inúmeros produtos existentes no mercado, isolados ou combinados: ácido salicílico, peróxido de benzoíla, retinoides (tretinoína, adapaleno), antibióticos (clindamicina e eritromicina, de preferência associados - no mesmo produto - aos retinoides ou peróxido de benzoíla) e ácido azeláico. 


Quando o quadro não evolui bem o tratamento por via oral é associado, utilizando-se antibióticos específicos, da classe das ciclinas (tetraciclina, doxiciclina, minociclina, limeciclina) ou macrolídios (eritromicina) ou sulfas (sulfametoxazol-trimetoprim), sempre associados ao tratamento local com retinoides ou peróxido de benzoíla ou ácido azeláico. O tratamento com antibiótico oral deve ser feito por, no máximo, três meses, em um ou até três ciclos. 


Quando não há uma boa resposta aos tratamentos e se percebe uma tendência para cicatrizes ou um importante impacto negativo na qualidade de vida, deve ser indicada, o mais precocemente possível e desde que não existam contraindicações, a isotretinoína oral, mesmo em casos moderados. Contudo, esta droga é absolutamente contraindicada quando há possibilidade de gravidez, pois pode causar danos graves ao feto. 
A prevenção começa com higiene adequada da pele com um sabonete ou produto de limpeza indicado especialmente para pela acneica ou oleosa. 


Deve evitar cosméticos que aumentem a oleosidade. 


DIETA: apesar de vários tabus, não é necessária nenhuma dieta ou restrição alimentar para seu tratamento ou prevenção. 


SOL: A pele pode melhorar após a exposição ao sol, porém, essa melhora é apenas temporária e a exposição exagerada acarreta piora do quadro.


Procure sempre o seu dermatologista associado a SBD para diagnosticar, acompanhar e indicar o tratamento mais adequado.

 

Foto: Freepik


Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete a linha editorial e ideológica do Jornal da Orla. O jornal não se responsabiliza pelas colunas publicadas neste espaço.


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