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Colunistas/Digital Jazz | 03/02/2021

Até breve, maestro Manzione

Cássio Laranja é produtor musical e coordenador da rádio online Digital Jazz/Jornal da Orla

Anak Albuquerque

No dia 26 de janeiro, o querido violonista e maestro Antonio Manzione nos deixou.

No último dia 26 de janeiro, aniversário de Santos, cidade que ele tanto amava, o querido violonista e Maestro Antonio Manzione nos deixou. Ele que é considerado como um dos nomes mais importantes do instrumento no Brasil. 


Ele ensinou as primeiras notas musicais para alguns dos maiores nomes do violão brasileiro, em mais de 70 anos de carreira, sempre movido pelo amor â música e ao violão. Entre os seus alunos estão: Paulo Belinatti, Ulisses Rocha, Maria Haro e Flávia Prando.


Carinhoso, acolhedor, cativante, muito exigente e perfeccionista, deixa um legado extraordinário.


Tive e honra e o privilégio de acompanhar de perto seus sábios ensinamentos, principalmente para as crianças carentes, que ensinava voluntariamente com muita garra, amor e determinação. 


Um verdadeiro exemplo de Pai e de Mestre para essas crianças que viam nele um modelo, uma referência. Experiências vividas através da música, que marcarão positivamente para sempre as suas vidas. Fazia questão de beijar carinhosamente a face de todas elas individualmente, sendo sua grande marca registrada.


Criou um método de ensino coletivo e revolucionário que levava seu nome e que conseguiu atingir a expressiva marca de mais de 27 mil alunos. 


Basicamente trazia na sua essência a “sensibilização artística através do violão”, como sempre mencionava.
Realizou na carreira mais de 1.000 apresentações, 500 recitais e recebeu mais de 700 premiações importantes.


Tece algumas participações marcantes e emocionantes ao lado das crianças do Projeto Esculpir no Rio Santos Bossa Fest e do Rio Santos Jazz Fest, festivais de música realizados anualmente que tem como principal objetivo a acessibilidade a boa música.


Deixou uma carta de despedida para seus alunos e destacou: “aprendi que aprender é a palavra mais importante depois do amor”. Ou seja, aprender sempre, era seu grande lema de vida.


Impressionante destacar que ele cumpriu seu lindo ofício até os últimos dias de vida, não medindo esforços, apesar de todas as suas limitações de saúde, cumprindo intensamente a sua missão.


Ele tinha o grande orgulho de ensinar a sua arte e de ser chamado de Professor. Até breve meu querido amigo Maestro Manzione.

 

 
 


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