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Colunistas/Digital Jazz | 22/02/2021

Livro Bossa Nova e outras bossas

Cássio Laranja é produtor musical e coordenador da rádio online Digital Jazz/Jornal da Orla

Desde 2005, ano de lançamento deste livro, persigo esta verdadeira joia rara da música brasileira. O livro de mais de 300 páginas e do tamanho de uma capa de LP, teve uma tiragem de apenas 2.500 exemplares. 


O livro está esgotadíssimo e não preciso nem dizer que se tornou um verdadeiro objeto de desejo dos amantes da Bossa Nova e da música popular brasileira.


Os autores desta façanha foram o meu saudoso amigo Caetano Rodrigues, que viveu ao vivo e a cores no Rio de Janeiro todos os grandes momentos da Bossa Nova desde o seu início e também o músico e produtor Charles Gavin.


Graças a um gesto muito especial do meu querido e saudoso amigo Carlos Eduardo Pappacena Carneiro, da famosa loja de roupas Ao Camiseiro localizada no centro histórico de Santos/SP, consegui adquirir em 2018 o meu raro exemplar numerado – 0999. Número muito especial, que valorizou ainda mais os 13 anos de espera pelo livro. Gratidão!


A história deste livro começou em 1999, quando os dois se conheceram através de um amigo comum, que era dono de um sebo de discos de vinil.

 


Neste livro “Bossa Nova e Outras Bossas – A Arte e o Design das Capas dos LPS” estão reunidos grande parte da coleção pessoal do Caetano Rodrigues, um dos maiores colecionadores de discos do Brasil que tive a felicidade de conhecer. 


Eu tive a sorte e o privilégio de ver e ouvir vários destes discos ao vivo. Quando me mudei para Curitiba, onde vivi por 2 anos, fiquei hospedado na sua casa nos 3 primeiros meses. Foram dias e noites inesquecíveis, onde pudemos compartilhar muitas histórias e ouvir muita música.


O prefácio do livro só poderia ser assinado pelo também querido amigo Ruy Castro, uma das maiores autoridades sobre Bossa Nova deste planeta e que considerava a coleção de discos de Bossa Nova do Caetano Rodrigues, como a mais importante do Brasil.


A história da Bossa Nova foi contada através das capas dos discos, mostrando com absoluta competência vários momentos importantes do gênero musical que revolucionou a nossa MPB.


As raridades são muitas e selecionei duas: a primeira, o disco do pianista americano Jack Wilson gravado em 1967, quando Tom Jobim morava em Los Angeles. Tom frequentava o bar onde o pianista se apresentava regularmente e eles decidiram fazer um disco juntos. Como Tom Jobim já tinha contrato com outra gravadora ele participou das gravações, curiosamente com o nome de Toni Brasil no violão. A segunda, o disco “Bossa é Bossa” da turma da Bossa Nova, da qual fazia parte Roberto Menescal com apenas 21 anos. Foi a primeira vez que a expressão Bossa Nova apareceu na capa de um LP.


O livro foi lançado oficialmente em 17 de março de 2005 na cidade do Rio de Janeiro, na saudosa loja de discos Modern Sound, que contou com a apresentação musical de Roberto Menescal, Wanda Sá, Durval Ferreira, Leny Andrade, Pery Ribeiro entre outros. Uma verdadeira festa da Bossa Nova! Faço aqui também uma singela homenagem ao saudoso amigo Caetano Augusto Rodrigues.

 


 


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